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01 July 2019 Written by 

sunrise@CântaroMagro_19

À oitava edição, a chuva voltou a abençoar o sunrise@CântaroMagro. Mas este evento, que com o tempo acabou por se tornar numa espécie de segundo nascimento anual, tem muito mais para contar do que devaneios meteorológicos. A caminhada deste ano marcava um regresso à volta dos Cântaros, num “passeio” entre o Magro e o Gordo. Como habitual, chegamos um pouco atrasados ao encontro, mas a tempo do início do percurso. Ao contrário do habitual, troquei a máquina fotográfica por uns bastões, para habituação no trail, e fui com o telemóvel de registo em registo.

A descida pela vertente oeste do Cântaro Magro é desafiante pela inclinação, mas o grupo revelou-se à altura. Após paragem no carro acidentado para rever a história, lá prosseguimos para o Covão Cimeiro, por onde conseguimos passar sem molhar os pés. Sempre que passo por ali sinto-me Frodo a atravessar os Pântanos Mortos. A descida para o Covão d’Ametade fez-se sem problemas, debaixo do olhar perene dos monolíticos irmãos. Durante a estadia neste paraíso serrano aproveitámos para descansar e almoçar, num ambiente bucólico ao som das águas do Zêzere.

Ao início da tarde retomámos o trilho na direção do Vale da Candeeira, invertendo depois a marcha em direção ao Cântaro Gordo. Após algumas paragens pelo meio lá chegamos à icónica Lagoa dos Cântaros, um dos meus locais preferidos da Estrela. A imagem do gigante rochoso sobreposto ao manto solene de água é fantástica! É sempre curioso ver a reação das pessoas quando se revela por onde segue o trilho. À subida técnica pela cumeada do lado direito seguiu-se a ascensão abrupta até ao topo. Aproveitei nesta última para testar os bastões e a ajuda revelou-se notável! É sempre incrível chegar ao topo do Cântaro Gordo, quer pelo desafio superado, como pelas vistas grandiosas para os vales circundantes.

Descendo do Gordo, prosseguimos na direção do Magro, contornando o Covão Cimeiro pela estrada. Entretanto, no céu iam-se acumulando nuvens. Iniciamos depois os preparativos para a longa vigília noturna e lá iniciamos a subida ao Cântaro Magro. Apesar das inúmeras ascensões, é sempre incrível superar a sensação de inacessibilidade que se tem do estacionamento ao contemplar o gigante granítico. Ao chegarmos lá acima aproveitamos para assentar arraiais e preparar o jantar, que como habitualmente foi excelente.

  

Cedo percebemos que a noite não iria ser fácil. Foi, seguramente, a noite mais ventosa que já ali passei. A dado momento cheguei mesmo a questionar se seria possível levantar voo. Também por isso a sensação térmica baixou bastante e conseguir dormir foi mesmo um sonho intangível. Levantei-me por volta das 4h30 e desci ao estacionamento, onde o grupo já estava formado para a subida. Feliz ou infelizmente, foi por essa altura que começou a chuviscar. Como não estavam reunidas as melhores condições, a maioria dos participantes acabou por ficar no carro.

Ainda que o céu estivesse sobretudo negro, havia uma faixa livre no horizonte que começava a enrubescer com o amanhecer. Porém, bastou o tempo da subida para surgir uma nuvem de sul que acabou por tapar o horizonte e suspender o nascer do sol visível. Acho que não adianta falar de sorte ou azar. É apenas a Natureza, que não se compadece com vontades e desejos de criaturas menores. E ainda bem. Depois da difícil foto habitual no sítio de sempre iniciamos a descida. Naquelas condições, sobretudo pelas pedras molhadas, o desafio foi mais exigente, mas o grupo soube superar as dificuldades. Aliás, uma das coisas que ficam desta experiência é precisamente a preparação para as adversidades das pessoas que estiveram no Cântaro Magro neste sunrise. O meu bem-haja por isso.

Após o “sunrise” descemos para Manteigas. Se no planalto o tempo estava terrível, na vila o sol brilhava e o céu estava parcialmente azul. Contentes pela benesse, aproveitamos para descansar um pouco e ultimamos os preparativos para a Rota do Javali. Com uma primeira parte quase sempre a subir e uma segunda parte quase sempre a descer, já sabíamos o que iríamos encontrar. Após um início num contexto urbano, onde ainda deu para apanhar algumas cerejas para ajudar à progressão, rapidamente entramos num troço de estradão que nos guiou pela encosta. À medida que as vistas se foram tornando mais interessantes, o próprio arvoredo ia ficando mais composto, com predominância dos castanheiros. Aliás, se do outro lado do vale existe a Rota das Faias, esta poderia ser perfeitamente a das castanhas.

Apesar de ajudar à progressão, o estradão acaba por tornar-se um pouco desinteressante. Felizmente, logo a seguir, entramos numa zona de trilho que serpentou encosta acima até ao famoso Poço do Inferno. Já por ali havia andado há alguns anos, mas é sempre bom regressar àquelas fragas e cascatas demoníacas. A zona é fantástica e apetece ficar por ali preso em contemplações. Continuamos depois a caminhada e subimos pelo trilho escarpado. Fomos ganhando então vista sobre o vale, que emergia mais inteiro e grandioso, como todas as coisas nascidas e criadas na Estrela.

No final da subida esperava-nos uma caminhada pelo planalto serrado em estradão e iniciámos depois a descida por trilhos. Inicialmente com as vistas desafogadas e depois por entre o arvoredo distinto da encosta do Zêzere. À chegada ao final do trilho ganhamos o merecido descanso, seguindo um maravilhoso repasto no restaurante Vale do Zêzere com as boas iguarias serranas.

No rescaldo de mais um sunrise, para além do lamento natural pelo mau tempo durante o evento principal, fica a felicidade por reencontrar os rascunhos d’O Tempo Inquieto e sobressaem também duas excelentes caminhadas em companhia fantástica. Para o ano lá estaremos novamente, até porque me parece que este evento já ganhou vida própria e reclama por si o direito de existir! Muito obrigado a todos pela presença e parabéns pela preparação e superação dos desafios!

Os trilhos podem ser vistos/descarregados nos seguintes endereços:

As minhas fotos podem ser vistas/descarregadas aqui.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt



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