21de Outubro,2019

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ValenteCruz

ValenteCruz

Tuesday, 08 October 2019 17:00

Era uma vez o Oeste

A visita ao Deserto de Tabernas (Almeria, Espanha) era um argumento adiado há demasiado tempo. Este verão, numa rota ao sol com sabor a flamenco, finalmente fomos conhecer o palco que desde a segunda metade do século passado tem servido de palco natural para o cinema western. Foi ali que Sergio Leone filmou boa parte da mítica Trilogia dos Dólares (Por um Punhado de DólaresPor Mais Alguns Dólares e O Bom, o Mau e o Vilão) ou  Aconteceu no Oeste. Foi ali que também decorreram filmagens de outros filmes emblemáticos, como Lawrence da Arábia ou Indiana Jones e a Última Cruzada.

O deserto de Tabernas não é bem um deserto, mas quase. Pode não ter a imagem de dunas sobrepostas até ao horizonte, mas a alta temperatura média, a baixíssima precipitação e as largas horas de sol criaram ali um clima seco que garantiram a este espaço árido a nomeação para raro semideserto da Europa.

Existem sobretudo duas versões para conhecer este deserto: a turística e a aventureira. Pela turística podemos desvendar um dos parques temáticos dedicados ao cinema western: Texas Hollywood – Fort Bravo, Mini Hollywood – Oasys ou o Western Leone. Nós acabamos por escolher o primeiro, que se mantém ainda hoje como um local de filmagens (o último filme ali rodado foi Os Irmãos Sisters). Este parque pareceu-nos o mais equilibrado, considerando os motivos de interesse e o realismo histórico. Para além da visita às inúmeras construções e passeios a cavalo, existem sessões diárias em que é encenado um assalto ao povoado pelo melhor estilo do oeste selvagem, numa luta cine-eterna entre bons e maus.

Depois da visita ao parque temático fomos em busca da aventura no deserto. O objetivo era descobrir um antigo set de filmagens (GCE865). Tentámos levar o carro o mais próximo possível e prosseguimos depois a pé pelas linhas esquecidas da paisagem. Já terão passado tantos anos desde as últimas filmagens que o local sucumbiu ao abandono. Subsistem as ruínas e um certo encanto secular. Ao longe, nas linhas disformes do horizonte árido, o vento vai sussurrando os temas de Ennio Morricone. Depois, o futuro chegou, uma autoestrada atravessou o deserto e Era uma vez o Oeste.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Sunday, 22 September 2019 17:00

Passadiços de Esmoriz, entre a lagoa e o mar

A Barrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos é uma lagoa de dimensão média que comunica com o oceano Atlântico através de um canal no cordão dunar. Após vários anos em que esteve sujeita ao descuido ambiental, parece estar a recuperar bem. O percurso circular de geo-passadiços entretanto criado trouxe vida nova à lagoa e permitiu conhecer alguns locais de difícil acesso.

Este percurso tornou-se num local habitual de corridas e caminhadas. Em conjunto com o Parque do Buçaquinho e a Costa Atlântica formam o triângulo dourado das minhas deambulações e divagações costeiras. Apesar de ter deixado o coração na montanha, sempre tive um estranho fascínio pelo mar, pelo que ter a oportunidade de o ver à distância de um passeio ou de uma corrida é dourado sobre o azul, em particular ao pôr-do-sol.

Estes passadiços aproveitam muito bem a ligação estreita entre a lagoa, as zonas alagadas e o mar, permitindo aos seus descobridores explorar o melhor das suas vertentes. Ainda que todo o caminho seja interessante, numa paisagem natural que se estende até perder se perderem as vistas, é na aproximação ao mar, passando pela casinha de observação de aves e pela ponte panorâmica, que o percurso se torna especial.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

Sunday, 15 September 2019 17:00

Mulhacén, no topo da Península Ibérica

A subida ao Mulhacén, o pico mais elevado da Serra Nevada e da Península Ibérica, era um projeto adiado desde que passamos na região há cerca de 10 anos atrás. De visita a Granada, tiramos um dia para este exigente empreendimento. Fizemos a abordagem desde Hoya de la Mora. É aqui que têm de ficar os carros, apesar de a estrada continuar. Será sobretudo para evitar que a confusão e a poluição visitem a montanha. Não existem carros, mas as bicicletas são às dezenas.

Quase no início da caminhada foi com curiosidade que encontramos um altar de pedra da Virgen de las Nieves, simples mas elegante, com vistas geométricas para o pico Veleta lá no alto. A subida até ao Refugio de la Carihuela é longa, cruzando várias vezes a estrada que serpenteia pela encosta, mas permite ganhar paulatinamente uma visão mais inteira para a serrania envolvente.

Quase a chegar ao Veleta arrisquei um desvio por um trilho escarpado até ao Cerro de los Machos, de onde se tem uma bela perspectiva do desafio para subir ao Mulhacén. Almoçámos no refúgio e prosseguimos pelo trilho, que depois se desenrola por alguns quilómetros planos. Porém, a primeira descida trouxe uma surpresa, ao decidirmos ir por um atalho que parecia muito atraente pela menor distância, mas que depois se tornaria desafiante por uma passagem vertiginosa num penedo onde foram colocadas algumas correntes de segurança.  

Chegamos ao último refúgio com a visão clara da linhas da subida íngreme desenhadas na encosta que se estendia à nossa frente até ao sobranceiro Mulhacén. Após uma parte menos difícil, a subida final torna-se abrupta e bastante cansativa. À nossa volta estende-se uma paisagem árida e infértil, repleta de pedras rolantes. Parece que subimos tanto que chegamos a Marte.

Chegar lá acima encerrou uma felicidade tão altiva como o penhasco. As vistas para os longos vales que se estendem mais abaixo são fantásticas e inesquecíveis! Curiosamente, no local encontramos dezenas de pessoas e muitas delas haveriam de ali passar a noite para assistir ao nascer do sol.

Devido a alguma impreparação e outras desatenções, estavamos no limite do tempo para regressarmos e descemos do pico apressados. O dia ia longo, a caminhada desgastante e o cansaço acumulado já fazia estragos. Depois de uma breve paragem no refúgio Carihuela seguiu-se uma longa descida até ao carro, com as pernas em modo automático.

Terminamos o dia já depois das 20h, com o sol a despedir-se no horizonte andaluz, e com cerca de 30km nas pernas (track). Mas ficam as boas memórias e a experiência fantástica de subir ao pico mais alto da Península Ibérica!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

 

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