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16 September 2016 Written by 

El túnel del pánico

A Bateria Costeira de Cabo Silleiro é uma instalação militar abandonada que fica perto de Baiona. É constituída por vários edifícios à superfície e uma rede de túneis subterrâneos que liga 4 bunkers, onde ainda se encontram canhões de artilharia. Construída antes da Guerra Civil, pretendia defender o país de um ataque naval que nunca chegou a ocorrer. Foi abandonada em 1998 e desde então entrou em decadência. Existem planos para transformar o local num atrativo turístico, mas para já vai-se sujeitando à ruída do tempo. Do passado, chegam também histórias de acontecimentos estranhos e inexplicáveis. Eis, El túnel del pánico!

mapa-cabo-silleiro
Há cerca de 2 anos atrás fizemos uma primeira abordagem a estes túneis. Porém, as dúvidas acabaram por suplantar a vontade de continuar e acabámos por desistir. Desta vez, num desejado regresso à região para visitarmos as Ilhas Cíes, esta experiência não poderia ser mais adiada. Logo pela manhã seguimos até Baiona e ainda aproveitámos a praia. A meio da manhã, resolvi investir na redescoberta dos túneis, enquanto a Valente permaneceu na praia. Seria, por seguinte, uma missão a solo.

canhao

Estacionei no local recomendado e fui avançando pelas ruínas. Para meu espanto, ao invés de solitude, encontrei por lá várias pessoas, inclusive famílias. Tal acaba por dar mais conforto, mas diminuiu um pouco o cenário pós-apocalíptico e distópico. Prossegui até ao edifício da Telemetria e subi primeiro até ao topo, onde encontrei um miradouro de visão semicerrada sobre o mar. Desci depois até ao pânico em busca das pistas necessárias para concluir a aventura. A descida inicial é feita por patamares e parece que estamos a entrar para um mundo escondido e esquecido.

edificios

Já nos escombros do medo, prossegui pelo túnel e fui percorrendo as diversas salas abandonadas com expetativa. Em algumas subsistem frechas por onde a luz entra, mas na maioria reinam as trevas e uma humidade que se entranha na consciência. A dado momento comecei a ouvir vozes e percebi que não estaria sozinho no subsolo. As apresentações foram feitas ao virar de uma esquina e em conjunto com mais três turistas fiz o caminho até ao bunker nº 2. Pelo caminho apercebemo-nos da escadaria interminável que dava acesso aos bunkers nº 3 e 4, mas ninguém se sentiu tentado a arriscar a abordagem. Chegámos por fim ao bunker nº 2; encontrar por ali um canhão é tão surreal como interessante, conferindo à experiência uma autenticidade palpável.

canhao3

Os colegas acabaram por regressar, mas optei por ficar para trás, também porque queria andar por ali sozinho. No regresso ao túnel aproximei-me da escadaria e desci os dois patamares do medo. Sozinho, já se sente alguma inquietação ao espreitar para as salas vazias, temendo um encontro imediato com alguma criatura, real ou imaginária. Também por isso, a descoberta ficou ainda mais interessante. Parecia que estava dentro do jogo Doom, mas de máquina fotográfica em riste. Na encruzilhada segui pela esquerda e visitei primeiro o bunker nº 3, deixando para último o mais longínquo e tenebroso. Lá em baixo, onde o silêncio era mais profundo, reinava o âmago da escuridão.

escadaria

No regresso reencontrei os colegas, que ainda andavam por lá a explorar. Tendo em conta as dúvidas deles, acabei por mostrar-lhes o mapa que eu levava no telemóvel. Eles, para além de ficarem admirados, sentiram-se mais confiantes para irem aos bunkers mais profundos e afastados. Continuei depois as minhas buscas pelo acesso ao bunker nº 1. Porém, a investida não estava fácil. Andei para trás e para a frente, saí dos túneis e apenas depois de um telefonema é que percebi o que teria de fazer. Depois, numa das salas escondidas, lá consegui encontrar o acesso, esgueirei-me pelo teto e subi mais 3 patamares de escadarias. O acesso é realmente incrível e espetacular. Chegado lá acima encontrei o tesouro desejado, perfeitamente enquadrado no ambiente e contexto.

patamares

Terminada a descoberta, e depois de um interregno de praia, ainda tivemos a oportunidade de descobrir a casa do capitão, um pouco mais afastada, e uma vista triunfante sobre o mar com o sol em despedida. Para quem gosta de aventura, história militar e do frenesim de andar pela escuridão, a Bateria do Cabo Silleiro é de visita obrigatória!

farol

Artigo publicado em antoniocruz.pt. 



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