10de Dezembro,2018

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19 August 2013 Written by  Mariana Almeida

Os Mares do Sul

Iniciámos a nossa viagem em Espanha, com “Os Mares do Sul”, história passada maioritariamente em Barcelona. Tratando-se de um policial, por si só, já não seria o tipo de livro que se veria, usualmente, na minha mesinha de cabeceira, contudo, esta viagem também se trata de sair da área de conforto e explorar novos autores e contextos. Sem homicídio, não há policial e este não foge à regra. Um corpo encontrado encontrado em Trinitat, no distrito de Sant Andreu, leva o investigador privado Carvalho a percorrer a cidade. Em busca do homicida? Não propriamente. A cliente, viúva da vítima, parece mais interessada em descortinar o que aconteceu no intervalo de um ano em que o marido havia desaparecido. Uma obsessão por Gauguín, pintor do século XIX, que escapou à civilização europeia para o Sul, leva a vítima a tentar o mesmo, acabando num “sul” mais próximo de casa, um bairro que acaba por habitar sem os privilégios da vida burguesa que levava. A parte que mais me incomodou no livro é o horrível vício do detective: SPOILER! queimar livros para acender a lareira. A história está repleta de vícios: drogas, bebida, comida. Sim, comida, muita comida. Aliás, preparem-se para ficarem com o estômago a rugir. Entre paellas valencianas e litros de vinho branco, o nosso detective lá vai seguindo as suas pistas, afinal não se pode trabalhar sem ter o estômago forrado. Uma incrível viagem de paladares.

O livro faz a ponte entre a classe operária e a burguesia, com críticas mordazes e subtis. Há uma inevitável colisão entre a política fascista e comunista, encontrando-se personagens de ambas as facções, que nos fazem respirar por momentos, o período do pós-franquismo. É um bom livro para os amantes de policiais, onde, para além das colisões idealistas e políticas, existem colisões de expressão. Ainda que se trate de um livro com linguagem corrente, brejeira por vezes, onde não se faz cerimónia ao palavreado comum, não deixa de ser necessária alguma dose de cultura para apreciar a história na totalidade.

Falemos de locais, falemos de caches. Com início em Trinitat, temos a multi Parc de la Trinitat, com 22% de Favoritos, parece ser um passeio bastante apreciado. Também não deixará de ser interessante visitar a El Cor de la Ciutat (Sant Andreu – Barcelona), que nos leva a um local de arquitectura fora do comum. O nosso detective passa os seus dias entre a sua casa em Vallvidrera e o seu escritório nas Ramblas, conjunto de ruas com o mesmo nome, que acabaram por ficar com esta designação. Em Vallvidrera, local serrano, com Funicular, onde se encontra uma cache, mas cuja atracção principal diria que é a Torre de Collserola, com umas vistas de cortar a respiração. Por esta área também somos apresentados com um Wherigo, com 21% de Favoritos, El tesoro del gran brujo, que nos parece levar a caminhar pelo meio da serra. Já nas Ramblas encontramos uma cache dedicada a outro escritor, Carlos Ruiz Zafón, com a designação de Serie “La Sombra del viento”: Plaça Reial. Mesmo ali ao lado encontra-se o monumento dedicado Colombo e a Portal de la Pau (Porta da Paz), onde foram construídas as Reales Atarazanas, local de reparação e construção de barcos. Aqui encontramos a cache enigma NAUTICA (II): DEMORA. Gostaria de terminar com algumas caches do Barrio de San Magín, mas não fui capaz de o localizar correctamente, por isso se algum dos leitores der com o local e quiser partilhar, por favor, sintam-se à vontade.

Para terminar, resolvi “criar” uma classificação, que está explicada na área Acerca, e pela qual atribuirei a este livro 3 estrelas. Questões e outras opiniões são bem-vindas, espero que vos tenha agradado esta pequena viagem por Barcelona, Espanha! O próximo destino é França, com o livro “O Pai Goriot” de Honoré de Balzac. Para facilitar a procura dos livros por que estiver a seguir, divulgo já também, que depois de França teremos Itália, em princípio com “A Filha do Regedor” de Andrea Vitali.

Próxima paragem: França!

Boas leituras!



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