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11 May 2016 Written by 

Foi há um ano…Roberto “d3vil” Costa

Log do Dragão88 (Américo) na cache  Poço do Mouro ( Rio Cabril )

 

09/05/2016

Foi há um ano…

Em todos estes trezentos e sessenta e seis dias, tive sempre um momento de recordação e saudades do Roberto, do nosso d3vil, acompanhado do sentimento de incredulidade por não poder estar mais com ele.

Tentei durante meses fazer este log mas não consegui. Passei horas com uma pagina em branco diante de mim mas apenas conseguia pensar nos momentos felizes que eu e tantos amigos vivemos com ele. Abandonei a ideia de fazer o log durante uns tempos mas prometi a mim mesmo, que o faria…

Peço a todos, em especial ao owner, desculpas pelo atraso na publicação deste log.

09/05/2015

Depois das últimas investidas no PNPG, que culminaram em Doutoramentos e Mestrados para alguns elementos do grupo, estava na hora de iniciar a temporada de canyoning, bastava conciliar a disponibilidade do pessoal e esperar que o tempo ajudasse.

A ideia era, iniciar a época num rio já conhecido, para relembrar os procedimentos e ir de forma mais descontraída. Nos últimos fins-de-semana o ataque esteve programado mas o tempo não ajudou e tivemos de optar por planos “B”.

No início desta semana, as perspetivas também não eram as melhores e para alem disso, apenas estávamos quatro com disponibilidade, caso o tempo melhorasse. Com o decorrer da semana, imprevistos de última hora afastaram mais dois companheiros, e assim, ficamos apenas eu e o d3vil com disponibilidade para a saída deste sábado. Nestas circunstâncias, a ideia de repetir um percurso já não era tão interessante, por isso, resolvemos aproveitar a oportunidade para explorar outro rio e avaliar o seu grau de dificuldade, para depois voltar com os outros elementos do grupo, com a experiencia que garantiria mais segurança, já não era a primeira vez que fazíamos isso, no ano passado tínhamos descido o Rio Arado Superior juntos e revelou-se numa experiência fantástica.

Ontem, o destino ficou limitado ao norte, porque na zona da Serra da Feita davam previsão de chuva. Sendo assim, e como já tínhamos ouvido falar deles, colocamos como hipóteses os rios Cabril, Caldo e Ave.

O rio Cabril era o que nos despertava mais interesse, porque desde que saiu, falávamos em ir visitar a cache do Poço do Mouro, no entanto, foi logo colocado de lado porque a ideia que tínhamos, era, que seria necessário dois carros para fazer a logística, entre a entrada do rio e a saída. Ficamos então, em analisar os croquis do Caldo e do Ave e depois decidir.

Só tive tempo de analisar os croquis no dia anterior e fiquei indeciso, os dois pareciam interessantes. Antes de voltar a falar com o d3vil, para ver se já tinha alguma preferência, lembrei-me novamente do Rio Cabril e coloquei no motor de busca: “canyoning rio cabril”… a segunda ou terceira informação era um PDF… Quando o abri, apareceu em destaque um mapa que mostrava a possibilidade de fazer um canyoning no Cabril, passando no Poço do Mouro, em três horas, incluindo o percurso de entrada e saída do rio. Enviei o link ao d3vil e pouco depois respondeu: -“É curto e parece acessível. Podemos pensar na que falta do Toco, se sobrar tempo”. Minutos mais tarde, combinamos os pormenores por telefone, com encontro marcado no sítio do costume para as 7h30.

No dia seguinte, os primeiros raios de luz mostraram um dia de céu azul com poucas nuvens, perspetivando um dia sem chuva, que era o que nós queríamos. À hora marcada, partimos em direção ao Xertelo. Como de costume, a viagem serviu para colocar a conversa em dia, relembrar alguns episódios das nossas últimas aventuras e relembrar as que estavam na lista das “To Do”, na tentativa de sortear a próxima.

Chegamos ao Xertelo ainda não eram nove da manha. Fomos surpreendidos pela confusão de pessoas e carros que estavam à entrada da aldeia, visivelmente a preparar-se para uma caminhada. Passamos por alguns caminheiros, que cumprimentamos, seguimos o caminho de terra batida e estacionamos umas centenas de metros mais à frente, perto do inicio do trilho que nos levaria à entra da do rio. Enquanto mudávamos de roupa e preparávamos o equipamento, íamos apreciando a paisagem espetacular que nos cercava, um vale profundo que escondia o Cabril e que se perdia no horizonte. 

Durante o tempo que ali estivemos, ainda passou por nós um jeep carregado com caminheiros, na viagem de ida até à “lost Lagoon” e apenas com o condutor na viagem de volta ao Xertelo.

Acabamos por não encontrar o início do trilho, por isso, seguimos o procedimento habitual, “seguir em linha reta”, neste caso, pelo monte abaixo e pelo meio da vegetação. Depois de algumas dificuldades, o caminho acabou por aparecer, até ao rio parecia uma autoestrada… Chegamos tão rápido ao rio e estávamos tão perto do Poço do Mouro que, pensamos que não seria ali a entrada que o croqui indicava, o que nos levou a atravessar o rio para procurar um caminho para seguir mais a montante. Ainda subimos umas dezenas de metros mas resolvemos consultar novamente o croqui e concordamos que afinal, estávamos a complicar.

O rio corria barulhento por entre as pedras, formando algumas lagoas pequenas e de pouca profundidade, quase que se podia progredir sem molhar os pés mas nós aproveitamos as primeiras poças para molhar os fatos e refrescar o corpo. A cascata que antecede o Poço do Mouro não tardou a aparecer e reparamos que podíamos vencer o desnível sem recorrer ao equipamento mas preferimos aproveitar a ocasião, para fazer um rapel até a lagoa de água cristalina e refrescante que nos esperava em baixo.

O Poço do Mouro estava agora há umas dezenas de metros. Nesta altura, já o som da cascata que nele caia dominava o cenário. Apesar de termos visto fotos e vídeos do local, quando chegamos, ficamos impressionados com o espetáculo, não só pelo barulho da cascata mas principalmente pela dimensão e altura do poço, realmente um cenário espetacular.

Tínhamos ido até ali, não só para fazer a cache mas também e principalmente para fazer a descida do poço, por isso, começamos a avaliar as condições de descida.

O problema principal era a quantidade de água que caia no poço. Verificamos, no entanto, que a água não caia diretamente na lagoa que estava no fundo, a coluna de água da cascata pulverizava-se num penedo que existe no poço e a descida fazia-se suficientemente longe dessa coluna de água, para não ser apanhado por ela. Decidimos no entanto subir mais uns metros e procurar as ancoragens que o croqui indicava estar na parte superior, para evitar a descida junto à cascata. Tivemos uns dez minutos à procura das plaquetas mas não as encontramos.

Voltamos a descer para continuar a avaliação. O único problema que surgiu foi na recuperação da corda, que devido à posição de saída, poderia ficar encravada, nesse caso só poderia descer um. Havia uma posição de saída melhor mas não tínhamos o material necessário nem a experiência para o improvisar. Acabamos por decidir que ele desceria com condições de voltar a subir facilmente se encontrasse alguma dificuldade e no caso de haver dificuldade na recuperação da corda, eu garantiria a recuperação e iria ter com ele contornando o poço, à saída da lagoa. A possibilidade de não passar pela experiencia da descida no poço não me desanimou porque sabia que teria a minha oportunidade nas semanas seguintes, quando voltasse com o resto do grupo.

Tomada a decisão, fartava procurar a cache. No início ficamos um pouco desorientados porque pensávamos que estava mais perto do Poço dos Mouros mas depois, com mais atenção aos GPS’s, fomos lá parar direitinhos. Ao ver uma pedra suspeita, dei indicação ao d3vil, que estava mais perto e juntos confirmamos o Found… CHUUUUPAAAAAAAAAA!!!!! 

Foi o último found do d3vil, o # 4074, um FTF.

Momentos depois, fiquei só sem dar conta disso… Um pequeno acidente à saída do Poço do Mouro, não teria passado disso mesmo, se tivesse sido fácil resgatar a corda.

Lamento profundamente não ter conseguido contrariar este destino, tantos “ses”, bastava um ter sido diferente… Lamento profundamente, pelos pais, irmão, avós, amigos e todos os que o conheceram, ninguém merecia passar por esta dor. 

Eu perdi o meu grande companheiro de aventuras, ficarei com as recordações e as saudades dele para sempre.

Esta cache assinala um dos locais mais espetaculares que conheci no PNPG, não merecia ficar associada a um acontecimento tão triste.

O d3vil personificava o espirito da aventura. Adorava o sabor da conquista e o sabor do dever cumprido mas o que lhe dava mais prazer, era a partilha destes momentos com quem o acompanhava.

Visitar esta cache, será uma boa forma de o homenagear.

TFTC


foto de canyoning do d3vil no FTF da  Challenge 81 (Rio Frades)

Mais testemunhos de geocachers sobre o Roberto podem ser encontrados nos logs do evento e da cache que lhe foram dedicados, assim como na cache onde o Américo agora registou o found.

R.I.P. Roberto



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