12de Agosto,2022

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20 April 2010 Written by 

Geo Talk - SUp3rFM

Uma pequena conversa, com o Hugo "SUp3rFM" Silva, um dos mais respeitados geocachers nacionais e recentemente o reviewer para as caches em Portugal, Brasil e Cabo Verde, com uma perninha em Espanha.

Quando começou o geocaching para ti?


O meu conhecimento do que era geocaching começou em 2005, por intermédio de amigos que se tinham iniciado. Na altura, achava a actividade um bocadinho pateta. No entanto, foi só depois de experimentar que achámos interessante. A partir daí, foi a compra do GPS, a criação da conta, os amigos, os founds, etc.

O que te atraiu principalmente na actividade?

Ao início, aquele sentimento quase infantil de ter que encontrar algo. Posteriormente, veio a conclusão de que o verdadeiro tesouro, na maioria das vezes, é o caminho até à cache, o que se vê e com quem se caminha até lá.

Caches memoráveis?

Lost Nazi Mine (GCPZHC), em Arouca. É a única que consigo responder de imediato. É uma experiência memorável por várias circunstâncias, nem todas relacionadas com o geocaching. A Nunca Percas o Norte (GCXQ3D), em Grândola, foi outra excelente cache que encontrei, entre muitas outras, em Portugal. No estrangeiro, The Empire Strikes Back (GC4D7F), Nova Iorque, EUA, é também aquela que mais rapidamente me lembro de ter sido uma excelente experiência.

Momentos menos bons?


Perder a chave do carro a fazer manutenção a uma das minhas caches. Ficámos algumas horas à procura da mesma. Decidimos então ligar para pedir ajuda. Percebemos que somos uns meninos, já que o meu pai não precisou de GPS para nos encontrar.

Sentes que existe uma comunidade "geocaching Portugal"? Diferente ou similar a outros países?


Da experiência que tenho, de observar e de trabalhar com outras comunidades, não creio haver diferenças de fundo. Há certamente outras dinâmicas, como é fácil de entender. Noto que noutros países, com uma comunidade ainda mais experiente, se tende a criar organizações locais, mais próximas e com uma identidade legal.

Por outro lado, as relações entre os geocachers são praticamente iguais. Há coisas e correm bem e outras mal. Não há diferenças, na minha opinião.

A tua relação com a Groundspeak tem algum tempo, primeiro como moderador do fórum, agora como reviewer... qual a tua opinião do Papel da GSP no Jogo?


A minha opinião é positiva, como seria de esperar. Sou um colaborador da Groundspeak, voluntário e creio que o papel desta, no desenvolvimento da actividade, é e tem sido fundamental. No entanto, e à distância, a minha opinião é exactamente a mesma. O Geocaching.com é uma relação de inter-dependência entre os geocachers e os gestores do site. Sem uns e sem outros, o geocaching como conhecemos não existiria. Aliás, basta perceber que outros projectos, alguns com a mesma idade do geocaching.com não vingaram. Creio que algumas das razões para tal se prendem com a falta de investimento de quem gere esses projectos e, naturalmente, pela falta de massa crítica que não se sente atraída para participar nos mesmos. Percebo que existam sempre opiniões negativas sobre a empresa, algumas delas justificadas, outras nem por isso.

Tenho alguma dificuldade em aceitar que se afirmem posições sem saber as reais razões que motivam algumas situações encontradas. Por vezes, a resposta e o esclarecimento estão a um clique de distância.

Achas que há margem para evoluir ou o jogo atingiu a sua maturidade e basta um acompanhamento?

O geocaching fez 10 anos. Certamente que essa pergunta já se colocou há 5 anos atrás. Basta olhar para trás e perceber o quanto se evoluiu. Há muitos locais à espera de serem descobertos, outros a ser redescobertos, muitos containers dignos de estarem expostos num museu de geocaching, etc. Continuo a não ver um limite para esta actividade. Provavelmente, estarei a ser optimista, mas não vejo outra forma de estar.

Falando em evolução, WhereIgo, morreu à nascença ou ainda está para "rebentar"?

Não o vejo como morto à nascença. Parece-me que está vivo, em fase beta, tal como é indicado. A comunidade está activa, produz cartridges, o fórum também está activo, são publicadas novas caches Wherigo, etc. Vejo-o como um projecto em evolução. Por ser tecnicamente exigente não é tão simples como colocar uma cache tradicional. É fácil de perceber que alguns não sabem ou não estão para se envolverem a esse nível para criar uma cache diferente. Creio que há espaço para evoluir.

Waymarking, o parente pobre da Groundspeak, democracia excessiva, monopólio americano... concordas com alguma destas afirmações?


A pergunta vem inquinada e, mais uma vez, há factos que provam o contrário. Vejamos, neste momento estão 250.000 waymarks publicadas no Waymarking.com. É um quarto das caches publicadas no geoaching.com. Tendo em conta o número de utilizadores de ambos os sites, diria que o Waymarking está a evoluir de uma forma estrondosa. Quanto “à democracia excessiva e monopólio americano” é algo que não entendo. O Waymarking rege-se pela participação. Se há vontade em apoiar e participar no site, então que se faça. Se há muitos americanos a fazerem-no, nada impede que um ou vários portugueses façam o mesmo. O voto de um americano é exactamente igual ao de um português. O sentido é que pode ser diferente.

Como nota interessante, o waymarker número 1 é brasileiro. Participem e fundamentem essa participação. Acusar, sem fundamento, é algo que dá muito pouco crédito.

Voltando ao reviewer... é fácil conciliar com o Hugo geocacher?


Sim, particularmente com os novos comprimidos que me receitaram.:-)

Decidi, por achar que me facilitaria (e facilita!) a tarefa de reviewer por algum distanciamento formal. Não só para me garantir a isenção necessária, como as condições necessárias para realizar o que me pediram. Acaba por ser fácil com o tempo.

Qual foi a recepção das várias comunidades com que trabalhas, a portuguesa, a espanhola e a brasileira?

O melhor é perguntar às comunidades. Mas, tendo em conta que estamos a falar de alguns milhares de utilizadores e nos relatos que vi e mensagens que recebi, creio que foi uma boa reacção.

Falando especificamente da Portuguesa, a tua linha de orientação é diferente do que a comunidade estava habituada, qual o balanço que fazes, após estes meses, uma aposta ganha?

As linhas de orientação são as mesmas, com algumas evoluções ao longo do tempo. A minha linha de orientação não é diferente. É, provavelmente, mais atenta face à disponibilidade que tenho, comparando com a disponibilidade que o Garri tinha. Basta lembrar que ele suportou um crescimento explosivo na Península Ibérica e América do Sul. Logo, é fácil perceber que lhe sobrava pouco tempo para outras questões, também elas importantes, mas dadas as circunstâncias foram ficando um pouco mais para trás.

Creio que o balanço é positivo. O ritmo de publicações continua a demonstrar uma subida. Há agora mais informação, em Português, sobre como colocar uma cache, guidelines e outras situações relevantes.

Tem sido uma tarefa que desempenho com ânimo, não obstante algumas situações que surgem, que eram já esperadas. Não se consegue agradar a todos, mas faz-se por isso.

O geoacaching nacional atravessa uma fase de grande crescimento de novos praticantes e por consequência de novas caches criadas, tem sido fácil gerir este crescimento exponencial?

Na esmagadora maioria das vezes, é fácil. Há muitos utilizadores recém-chegados que ao tentar colocar a primeira cache encontram algumas dificuldades. Após algumas orientações, conseguem levar o seu projecto a bom porto. Outros não conseguem. Acontece. Mas, mais uma vez, o balanço é positivo.

Acho que neste ponto concreto, no ajudar quem chega, a comunidade tem a obrigação de os integrar e de ajudar nos fundamentos da actividade. É algo que defendo há muitos anos.

Quantidade é menos qualidade ou ambas podem caminhar lado a lado?

Não vejo qualquer relação negativa entre ambas. Vejo a positiva. Há mais por onde escolher. Logo, sendo criterioso posso ter mais prazer ainda num dia de geocaching. O facto de estarem todas publicadas não me obriga a ter que as procurar. A “Ignore List” é, provavelmente, a funcionalidade menos utilizada no Geocaching.com. Estou certo que com o seu uso, a angústia existente, pelo número de caches, baixaria consideravelmente.

Actualmente, existem dois locais online para se poder discutir geocaching, achas que faz sentido o surgimento do GeoPt?

Acho que a comunidade está madura o suficiente para procurar os locais que lhe dizem mais. Seja nestes dois, três sites ou noutros. Tal como referi, as comunidades tendem a organizar-se, quer localmente, quer com grupos com que mais se identificam. Também nesta área, vejo uma evolução muito positiva.

Algum último comentário que gostasses de partilhar com os leitores desta entrevista?

Desejar o maior sucesso a esta iniciativa. Também farei parte da comunidade, como reviewer e geocacher. Espero também capitalizar este projecto para difundir mais informação relativa ao geocaching e ajudar, o mais possível, quem precisar.

Obrigado Hugo!



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