"Porque mais vale fazer uma cache numa caminhada de 20km, do que 10 caches numa caminhada de 2km"
Ora, como o prometido é devido e como não tenho feito nenhuma das minhas revisões a caches excecionais que se vão atravessando pelo caminho, já estava a ressacar de mandar uns bitaites e palpites sobre alguma coisa.
Para os mais distraídos, tenho percorrido nos últimos dias algumas das bonitas Pequenas Rotas que existem no Distrito de Lisboa (e que recomendo) aliando aos ditos passeios o nosso geocaching, quer procurando as caches que ficam diretamente no caminho quer criando algumas nas PRs que não as tinham.
O foco de hoje é na "PR4 TVD Rota do Castro do Zambujal" que se pode dividir em três troços, ligando Torres Vedras - Castro do Zambujal - Varatojo - Torres Vedras (existe uma derivação a meio do percurso que permite evitar a localidade do Varatojo encurtando o passeio em caso de necessidade).
A direção escolhida foi a acima descrita e já com o carro estacionado no ponto inicial (depois de uma breve viagem de meia hora entre o aeroporto e o parque de Torres Vedras onde a chuvada que se abatia sobre a Malveira me fazia crer que era uma péssima ideia fazer este passeio hoje e onde apenas a convicção de que no Oeste pouco é o que parece, pelo menos no que respeita à meteorologia, me manteve o entusiasmo) tive o prazer de conhecer o Parque Verde da Várzea, local muito bonito onde podemos encontrar o Placard com a explicação da rota, infelizmente vandalizado.

Tudo a posto, troquei o bidon de água pelo chapéu de chuva, não fosse ser necessário. Com a humidade a 88% não iria sofrer com a falta de água, o mais provável era ter de lidar com o seu excesso. Tal não veio a acontecer! Nos dois minutos em que choveu (divido em três ou quatro períodos) apenas durante uns 20 segundos necessitei de utilizar dito chapéu aberto, no resto do tempo serviu para afastar as ervas mais molhadas.
Passado que estava o Parque, num bonito percurso junto à ribeira e aos patos, segui a seta para o Sanatório do Barro.

e para a pequena Ermida que existe a escassa centena de metros,

sempre por caminhos de terra batida (depois de ter sido agradavelmente surpreendido pela opção do Poder Local para a passagem entre as margens da linha de água, um pequeno passadiço que passa por baixo da ponte).
A localidade tem o nome de Barro mas podia bem ser Cola, tal é a consistência do solo e a maneira como se agarra, quando molhado, á sola das botas fazendo o caminhante penar durante uns minutos até á zona da subida para a Ermida, quando o ónus de nos atrapalhar passa para a erva alta e para as calças encharcadas até ao joelhos.
Da Ermida até à Serra da Vila o caminho fez-se sem dificuldade e a bom ritmo, apesar de ser sempre a subir, notando apenas que apesar da seta à saída de Torres Vedras apontar o sanatório, no local do mesmo não existe indicação nenhuma pelo que passamos sem saber onde ficará. O mesmo acontece para o miradouro onde fica a estátua de Nossa Senhora da Pena e o Tholos do Barro (não visitei pois já conhecia), apesar de estarem ambos no Folheto do passeio (http://www.cm-tvedras.pt/desporto/percursos-pedestres/pr4-tvd/).
Já na Serra da Vila a passagem é feita num zig-zag estranho e que me levantou algumas dúvidas na concepção até encontrar


estas duas placas! Acabava de entrar num troço da GR30 e o trajeto meio errante da PR4 serve para fazer essa ligação. Foi o meu primeiro encontro com esta rota (claro, já tenho planos para algumas caminhadas e quem sabe um Evento de Btt 5/5 [Alverca / Ericeira / Ribamar / Torres Vedras / Sobral de Monte Agraço / Alverca, façam as contas aos Kms...]) e lá fui todo contente apreciando a espaços a estrada antiga


e a "promiscuidade" entre as duas marcações, ora PR, ora GR, ora uma mistura entre as duas até chegar ao local que dá o nome ao passeio, o Castro.

Aqui existem as ligações da GR30 para o Forte do Pelicano, para Torres Vedras (para onde fui) ou para o Carvalhal (de onde vinha), pelo que até Torres Vedras as rotas também são coincidentes.
É a parte mais bonita do passeio, entre a Serra da Vila e o Castro, longe do alcatrão e pelo meio da Natureza. O local em si foi pouco explorado (deixo isso para quando vier fazer este pedaço completo da GR30) e num ápice cheguei ao Varatojo, encontrando pelo caminho uma simpática mata de pinheiros mansos que atravessei (foram os únicos 200 ou 300 metros em que não fui pela Rota) e aprendendo como é que se "ganha" terra (no sentido literal), num terreno uma cerca nova está a ser levantada para substituir a antiga, nada de especial não fosse a nova estar afastada da outra cerca de meio metro numa ponta (afastada para fora, para o caminho ,claro) terminando com cerca de dois metros na outra, isto numa linha de 100 ou 150 metros. Claro que pode estar tudo legal, mas vendo in loco fiquei com uma sensação de estranheza.
Fui recebido em festa no Varatojo, ![]()

e mais uma vez nada que indicasse o Convento local. Como já conhecia segui lesto pela localidade, descendo de um lado, até ao referido Convento, e subido pelo outro para a fase final, onde encontrei uns engraçados moinhos (um deles, no final, transformado em suporte para uma enorme cruz) e um Marco Geodésico (Varatojo 165.37m).

A partir daqui é sempre a descer, primeiro por um pequeno trilho e depois pela estrada, de volta para o Parque Verde da Várzea, por mais um bonito passadiço, desta vez por cima da estrada, e para um café retemperador no local (esta parte não pude cumprir porque as minhas calças e botas estavam impróprias para o efeito).
Resta dizer que cumpri a coisa em menos de 02:30 e que com 12,3 km fiquei longe dos 16 km prometidos pelo folheto. Mesmo que tivesse visitado o Tholos e dado uma volta pelo Sanatório e pelo Convento dificilmente passaria dos 13 km.


O passeio é mesmo muito interessante e é dos quatro que fiz nos últimos dias o que está melhor marcado. Apenas por uma vez tive dúvidas no caminho a tomar e foi porque não vi que a estrada militar só podia ser por um dos caminhos. 5 estrelas! E é isto...
...espera, então e as caches?!?
Sim, também as há. E aqui regresso ao título "Porque mais vale fazer uma cache numa caminhada de 20km, do que 10 caches numa caminhada de 2km", para mim vale... prefiro uma Multicache onde tenha que recolher uma dúzia de dados fáceis e onde não quebre o ritmo e que possibilite na mesma assinalar o passeio com (mais) um
do que andar sempre a parar e a procurar caches em locais sem jeito nenhum, no meio das ervas ou pedras, só mesmo para o numero e onde cada qual pode fazer esse found independentemente de ter cumprindo o passeio proposto ou passado na estrada contigua e feito uma verdadeira drive-in. Mesmo que os GZs das caches sejam exatamente os mesmo dos WPs das Multicaches.
Neste caso, da PR4, temos à disposição cerca de uma dezena de caches distribuídas de forma até algo uniforme de onde destaco:
PR4TVD: Ermida - Team GeocacherZONE
Tholos do Barro [Torres Vedras] - nunotvedras
Castro Zambujal [Torres Vedras] - MONTE DA LUA
Convento do Varatojo - republica dos p's
Sendo que a única destacada e que poderia pertencer a um PT, visto existirem mais algumas com a mesma designação e do mesmo owner, é a única que não faz nenhuma referencia na listing ao que assinala, à Ermida, mas está sem dúvida num local interessante.
Este é portanto um trajeto em que para mim uma Multicache apenas não me satisfaria... mas que não merece de maneira alguma as 10 caches (fora as outras que se podem apanhar saindo aqui e ali da rota).


