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25 April 2016 Written by  Rui Duarte

À descoberta dos "Olhos de Água do Alviela"

À descoberta da Pequena Rota "Olhos de Água do Alviela" (PR1 - ACN)

Já tinha vindo passear e tomar umas banhocas à praia fluvial vizinha um par de vezes mas ainda não tinha tido a oportunidade de vir explorar o, diga-se, lindíssimo percurso que existe ali na orla do Maciço de Porto de Mós, naquela que é a região cársica mais importante do nosso País.

O passeio pretende mostrar-nos uma série de fenómenos relacionados com a erosão provocada pela passagem de água ao longo de milhares de anos, e consegue-o na perfeição... Somos guiados ao longo de pouco mais de um quilómetro entre o arvoredo e as escarpas calcárias, para observarmos a forma como a ribeira dos Amiais desaparece (e reaparece) no interior das rochas.

Esta "visita guiada" tem como grande tema aquela que é "a mais importante nascente do nosso país", a Nascente do Alviela, e mostra-nos a zona de onde sai, desde 1880, a água para o consumo público de Lisboa. Esta nascente é alimentada em grande parte pela água da chuva que se infiltra no Planalto de Santo António e que viaja através de um complexo sistema de galerias subterrâneas até à base da escarpa (local conhecido por Olhos de Água).

Mas o que nos interessa mesmo é a ribeira dos Amiais, um pequeno afluente do Alviela que é palco de um "dos mais interessantes fenómenos flúvio-cársicos do nosso país", ao longo do qual se desenrola o PR1 e onde nos é dado a ver uma Perda (passagem da ribeira de curso de água de superfície para subterrâneo) e uma Ressurgência (o inverso, claro), além de uma enorme Janela cársica de permeio (uma depressão pelo abatimento do tecto da gruta, sobre o leito da ribeira) e diversas pequenas grutas.

Este conjunto é local de abrigo de várias espécies de morcegos (mais de 10 diferentes), pelo que está interdito o acesso às grutas. No entanto não vi sinal algum a indicar esta proibição, apenas as vedações... e estas parecem-me estar implementadas para evitar um descuido e uma queda feia, não para impedir a passagem.

O Percurso Pedestre propriamente dito é, apesar do desnível anunciado, acessível à maioria de nós e começa junto da estrada alcatroada que dá acesso ao parque de campismo.

Temos aí um placard com as principais indicações do passeio e que tem como complemento várias "mesas" informativas (cinco se não me engano) ao longo do trilho, nos pontos mais interessantes e com explicações dedicadas aos locais, bonitos e apelativos, como se quer! Até o meu filho, com apenas cinco anos, se divertiu bastante a identificar nos pequenos mapas os locais por onde íamos passando! :)

As autoridades competentes dedicaram um bom esforço a criar degraus por grande parte do trilho de forma a ajudar a vencer as subidas, mas principalmente as descidas já que, a caminhada, de verão, faz-se realmente bem mas deve cobrar umas boas escorregadelas com o terreno húmido, em especial numa zona onde a descida se faz "destrepando" uma zona de rocha (não é muito inclinada mas mesmo assim...).

Toda a zona atravessada é lindíssima, um misto de vegetação endémica e de (pequenas) escarpas abruptas e com uma mão cheia de paragens obrigatórias! Tais factos, aliados ao troço ser realmente pequeno e se percorrer, nas calmas, num par de horas (ida e regresso), fazem deste PR1 um verdadeiro must para os amantes de passeios/caminhadas em família (leia-se, com miúdos pequenos)!

Este nosso regresso ao local (tinha estado na praia fluvial na semana anterior) tinha como grande motivo, além dos “naturais” já referidos, uma Earthcache idealizada pela Salprata em 2009, A Perda [GC1Y1R9], por estes dias a cargo dos Go&Mi Team. Temos na listing desta interessante EC todo o complemento ao acima (d)escrito! Recomenda-se uma leitura atenta, claro! :)

Confesso que ia tão emerso no passeio e nas respostas às questões da Earthcache que, apesar do meu filho me ter dito VÁRIAS vezes "deve haver aqui uma caixinha" (ainda não lhe consegui explicar o conceito das ECs), não me lembrei sequer de ver na app da GS se haveriam mais caches na zona... e há mesmos, várias até!

Mesmo sem ter bem a noção dos seus GZ, recomendo sem dúvida as duas que ficam em pleno PR, Projecto GeoRibatejo - Concelho de Alcanena [GC37R7C] e Percurso pedestre dos Olhos d'agua do Alviela. [GC39JKY], além de uma outra que nos apresenta um local de passagem "obrigatória" para quem queira aprender mais sobre a zona, a do Centro Ciência Viva do Alviela - CARSOSCÓPIO [GC45N60].

Fica o convite a uma pequena caminhada por um lugar bastante bonito e invulgar, praticamente às portas de Lisboa.

Mais informação em http://www.icnf.pt/portal/turnatur/visit-ap/pn/pnsac/pr1-olhos

 

Texto / Fotos: Rui Duarte (RuiJSDuarte)

Artigo publicado na GeoMagazine#17.



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