Já estava a desesperar por uma boa caminhada... desde que saí das imediações da Ericeira (onde vivi cerca de 20 anos) que não passava por um Inverno deste género. :P
Assim, quando apareceu esta pontinha de sol, já estava tudo pronto no carro para agarrar a oportunidade!

O PR3 CSC foi o escolhido para iniciar a época de caminhadas e, confesso, não foi uma escolha lá muito brilhante... é um passeio com grau de dificuldade acima da média, muito devido ao facto de que numa altura estamos poucos metros acima do nível do mar, junto às arribas da Biscais e noutra estamos junto ao Convento de São Saturnino, ou mesmo na Peninha (se quisermos cumprir o trajecto todo).
É um trajecto que se pode muito bem dividir em duas partes, utilizando a estrada nacional como divisória e tendo como base a localidade da Malveira da Serra (ponto inicial/final oficial no adro da igreja).
1ª Parte, Subida à Peninha!
Este troço que também se pode dividir em dois, à sombra e ao sol...
Saindo da Malveira (onde temos oportunidade de conhecer algumas ruas mais escondidas) temos uma ascensão muito bonita, quase sempre a coberto da vegetação e tendo por companhia pouco mais que o som das aves e o restoar das folhas... por esta altura são várias as zonas que se encontram húmidas e com depósitos de água pelo que se podem encontrar facilmente ninfas de Salamandra comum já num avançado estado de metamorfose, quase a abandonar esses locais e a embrenhar-se no mato.
À chegada à zona mais elevada, a da Peninha, altera-se o tipo de terreno e saímos do interior da mata para ficarmos à mercê do sol (recomendo este trajeto para dias frescos) durante praticamente o resto do passeio. O tipo de solo também se altera e passamos a caminhar num tipo de rocha solta que massacra bastante o esqueleto (umas boas botas devem ser consideradas). Não obstante, é um troço com uma vista fantástica, tanto para a serra como para a orla costeira! Na fase descendente somos guiados numa espécie de zig zag e acabei por passar em alguns trilhos que não conhecia, uma muito agradável surpresa.

Já subimos, já descemos, estamos de volta à estrada para a 2ª parte, a descida às Arribas de Figueira do Guincho.
Mais um troço muito bonito, mais solo solto e agressivo! Vamos agora visitar os locais que em princípio terão dado o nome à PR, Rota das Aldeias...
Não percebo muito bem o porquê do nome já que aldeias são só duas, separadas por poucos quilómetros e apenas ao fim de outros 10, em direção oposta. :P
Figueira do Guincho despertou em mim sentimentos muito feios... de cobiça e inveja... :D Que belas "casinhas" por ali!

Adiante, o misto de terra queimada e de vegetação verde e a florir dá um aspecto muito interessante a essa zona por estes dias, à laia de filme de ficção científica. Gostei bastante!
Vamos sendo guiados até à território das GNE e a paragem junto do forno de cal para descansar um pouco é como que obrigatória. Não tinha planos para procurar caches que não fossem as duas recentes por aqui pelo que revisitei a Sushi Nemo do Daniel, recolhi os dados da EC do Paulo e desci em busca da tradicional do Nuno, aproveitando para ver os Corvos Marinhos que se encontram pousados ainda lá mais abaixo.
Independentemente disto, o que não faltam ao longo do trajecto são caches, das "normais" e das mesmo boas, pelo que o que não é aconselhado é que se procurem todas, para não terem de pernoitar por ali. :)
Arrepia caminho e chegamos ao local de partida, satisfeitos e moídos certamente, que esta PR não é bem para iniciados.

Em termos de marcações no terreno, já vi pior mas também já vi melhor! Acho sempre difícil sair de localidades maiores e neste caso, a Malveira da Serra não foge à regra... no restante percurso, apesar de esta PR se cruzar com outras, optaram (e bem) por ter marcações mais "personalizadas" com o nº da rota e a coisa faz-se bem.


