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21 November 2014 Written by 

Fotos com História: Prado da Rocalva - António Cruz

Não raras vezes surgem nos logs fotografias que marcam a diferença, pelo sujeito, enquadramento, pela cor ou textura, ou simplesmente porque nos contam uma "história" para além da palavra escrita. Com esta rubrica pretendemos desvendar a história por detrás da imagem e o contexto que lhe deu vida.

E com esta foto de hoje, publicada primeiro aqui, ficamos a par do site. A periodiciade desta série paralela de fotos com histórias dentro será dependente da inspiração do António para as divulgar.

Prado da Rocalva

Continuando pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), este foto leva-nos até um dos locais mais míticos da Serra do Gerês: o prado da Rocalva. É fácil perceber a origem do nome; a Rocalva é um enorme maciço rochoso branco, em forma de cone, que se ergue no coração desta serra maravilhosa. Sem qualquer pingo de parcialidade, todos os trilhos que levam à Rocalva são fantásticos. A minha primeira vivência neste local data de agosto de 2012. Para essas férias de verão consegui convencer a Ana Valente (ainda não sei como!) a empreender uma viagem de descoberta de 20 locais emblemáticos e de difícil acesso no PNPG, em 10 dias e cerca de 130 km de emoções, num mestrado de sentidos e intenções. Num desses dias, partimos da Cascata do Arado, subimos o Vale da Teixeira e passámos pelo Borrageiro. Rumámos depois ao Prado do Conho e daí continuámos para o Prado da Rocalva. Enquanto a Valente tirava uma sesta na base deste gigante branco, aproveitei para ir àquele que é, provavelmente, o meu lugar-tempo preferido nesta serra: estar no topo da Roca Negra, admirar a Rocalva e encontrar por lá um livro de Miguel Torga.

Desde esse dia ficou o desejo de regressar à Rocalva. A oportunidade surgiu num evento de geocaching criado pelo João Oom, em 14-04-2013. A ideia era fazer um pequeno convívio em pleno coração do PNPG. Dadas a distância e o tempo para lá chegar, a estadia não poderia ser muito prolongada e pode-se correr o risco de andar pela serra da noite, o que naturalmente pode não ser aconselhado. No fundo, a ideia é um pouco parecida ao pessoal que faz grandes viagens até ao Algarve apenas para tomar café e regressa logo de seguida. Contudo, a viagem ao Gerês é muito mais interessante! Como queria aproveitar o melhor possível esta ida à Serra do Gerês, também porque a distância ainda é significativa, acabei por optar por pernoitar no abrigo da Rocalva. De antemão tinha combinado a companhia com o Fernando Rei, um mapa vivo desta serra. Saí de madrugada de casa e comecei a caminhar, desde a Portela de Leonte, por volta da 9 horas. Passei pelos prados do Vidoal e do Conho, desviei-me do Prado da Messe e ainda subi e desci o Vale das Sombrosas, seguindo então para o Prado da Rocalva. Por sorte, e num desvio, ainda consegui encontrar o anfitrião e mais alguns amigos no topo do Coucão.

Já no Prado da Rocalva, enquanto esperava pelo Fernando Rei, que tinha iniciado a sua caminhada numa outra extremidade da serra, aproveitei para descansar e tirar algumas fotos. Nesta foto, a Rocalva aparece enquadrada com o abrigo, tendo como limites o azul-céu e o verde-prado. Este abrigo e prado continuam a ser usados pelos pastores da região. Contudo, o gado apenas chega aqui numa fase mais avançada do ano, quando os prados de altitudes inferiores já não são apropriados. Quando Fernando chegou, aproveitámos para arranjar alguma lenha para uma fogueira, visto que a noite ameaçava ser fria. Depois de cirandarmos um pouco por aquele planalto, aproveitámos para jantar. Para ajudar, tinha levado também uma garrafa de vinho. Foi, portanto, um jantar com tudo a que se tinha direito.

Pouco depois de anoitecer, caiu um nevoeiro espesso e começou a chover. Bastou menos de uma hora para o clima mudar do verão para o inverno. Felizmente não trovejou; as trovoadas desta serra são épicas! Ao contrário do que tinha imaginado, não tive frio e noite passou-se muito bem, quase como se tivesse em casa. Pela manhã, tão depressa como apareceram, a chuva e o nevoeiro desapareceram. Ficou um dia fantástico. Descemos até ao Vale das Sombrosas e seguimos depois para Fafião. A experiência e as memórias estavam criadas. E é sempre um prazer reavivá-las!

Tem cache : (tradicional-) Rocalva

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