25de Junho,2019

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ValenteCruz

ValenteCruz

Sunday, 09 June 2019 17:00

Encostas do bom martírio

Por vezes surgem saudades e outras reminiscências da épica participação no Ultra Trail Serra da Freita (UTSF), aquando da minha estreia em provas do género. Foi um verdadeiro carrossel de emoções, desde o desespero latente à felicidade palpável pela conquista. Juntando a isto o prazer pela solidão da montanha, gosto de regressar a estas memórias e às paisagens suadas da Freita.

O plano passava por sair do Campismo do Merujal e fazer um percurso circular com bastante subida acumulada. Chegado à Mizarela, desci pelo PR7 e investi depois em direção às lagoas do rio Caima. Com os olhos postos na grande Frecha da Mizarela, fui subindo o rio pelas escarpas até ficar por baixo da queda de água (GC7867G). Pelas minhas contas já não passava ali por baixo há cerca de nove anos. Após as fotos, subi pelo trilho junto à rocha, que em alguns locais parece estar a ser conquistado pela vegetação, mas ainda assim é bastante percetível.

 Lá em cima encontrei o PR15 e continuei em direção à aldeia de Albergaria. Passei pela praia fluvial, onde alguns veraneantes exercitavam a procrastinação propícia de um dia de calor. Acompanhando o percurso do Caima, fui avançando pelo planalto da Freita. Na passagem pelo Serlei desci para a aldeia de Gestoso. Calcorreando as ruelas alcatroadas pelos dejetos das vacas, desci depois pelos campos na direção de Gestosinho.

A meio do caminho desci para Agualva, passei pela aldeia e fui descendo de socalco em socalco. Há muito que o arvoredo tomou conta daquelas encostas, mas subsiste o trabalho das gerações que ali criaram uma fortaleza de muros e terrenos cultiváveis. Apanhei depois o trilho que desce abruptamente para a ribeira da Agualva e aproveitei para almoçar na bucólica cascata das Porqueiras. Como o dia seguia quente, cada encontro com o ribeiro servia também para um merecido banho de energias renovadas.

Passei pela aldeia abandonada e desci depois em busca das Berlengas. Na confluência das três ribeiras aproveitei para explorar melhor a zona e fiz-me então ao caminho das famosas Escadas do Martírio. Talvez tenha demorado demasiado tempo a visitar a este percurso. De qualquer forma, a espera valeu a pena. Sempre rodeado por um arvoredo frondoso, a escadaria para a aldeia da Lomba parece realmente interminável. E pensar que num passado recente todas aquelas encostas eram cultivadas. A zona parece um troféu dedicado à persistência e engenharia humanas em resistir num recanto perdido da montanha.

Atravessei a Lomba com os olhos postos no cimo distante da serra. A meio da Vereda do Pastor sai do trilho e segui à descoberta de mais uma encosta. Não sei se o trilho já foi batizado, mas pelo que me custou a subir acho que pode ser Quebra Costas. Escada após escada, o cume surge sempre demasiado longínquo, como se fosse um sonho indelével. Porém, as vistas para os vales compensam o esforço. Lá em baixo, as Berlengas são agora uma memória distante.

A subida tornou-se depois menos penosa, mas apenas terminou no Radar Meteorológico. Já com vistas para o outro lado do vale, desci para a Castanheira emoldurada pelos campos verdes que a circundam. Passei pelas Pedras Parideira e pela aldeia no encalço do PR15. Apesar do cansaço, não queria perder a oportunidade de refazer o PR7. Desci então pela encosta escarpada até à Ribeira, relembrando a última vez que ali tinha passado, aquando do UTSF. Passados cerca de cinco anos, ainda me parece tão incrível como inacreditável ter conseguido terminar a prova. Em particular, já depois do desespero físico e psicológico inevitável, o mistério da transformação que ocorre quando percebemos que vamos conseguir terminar. Os obstáculos deixam de o ser e significam apenas um meio para lá chegar, nem que sejam as Escarpas da Mizarela. Sentado numa laje com vista para a cascata, em comunhão solitária com a montanha, senti-me verdadeiramente privilegiado. Depois, tal como no UTSF, a distância plana para o Merujal fez-se num sopro.

No final, o percurso técnico estendeu-se por cerca de 28 km, que podem ser vistos/descarregados aqui. É sempre um prazer regressar às memórias mágicas da Freita!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

 

Tuesday, 28 May 2019 17:00

Love Rio de Frades

LOVE LOVE AROUCA

Aventura, Desporto, Natureza e Geocaching - Uma Experiência Mágica!

Adventure, Sport, Nature and Geocaching - A Magic Experience!

Love Rio de Frades

[PT]

"Rio de Frades é um paraíso perdido da Freita, entre as serranias de um passado dedicado à exploração mineira. Para além das encostas íngremes e esburacadas, as cascatas/lagoas cristalinas e a paisagem agreste tornaram o local num palco fantástico de exploração e aventura."

 [EN]

"Rio de Frades is a lost paradise of Freita, among the serranies of a past dedicated to mining. In addition to the steep and bumpy slopes, the cascades / crystalline lagoons and the wild landscape have made the place a fantastic stage of exploration and adventure. "


 O evento / The event

[PT]

Neste evento, o Love Love vai à redescoberta deste paraíso. Durante a manhã será percorrida parte do famoso Caminho do Carteiro, o trilho seguido pelo carteiro da zona para, durante a época de exploração mineira, entregar a correspondência entre Cabreiros e Rio de Frades. Dado o relevo acidentado, era mais rápido seguir pelo trilho escarpado a pé do que enfrentar os quilómetros da volta à serra de mota/carro.

Depois do almoço, seguiremos pelo caminho do rio, passando por algumas das cascatas/lagoas mais espetaculares da região.

[EN]

In this event, Love Love will rediscover this paradise. During the morning will be part of the famous Postman Way, the trail followed by the postman of the zone to deliver the correspondence between Cabreiros and Rio de Frades during the mining season. Given the rugged relief, it was quicker to follow the steep foot trail than to face the miles from the turn to the motorcycle saw. After lunch, we will follow the path of the river, passing some of the most spectacular waterfalls / lagoons in the region.

 

Horário / Time:

  • 09h30 - Encontro em Rio de Frades / Meeting
  • 10h00 - Início do percurso "Caminho do Carteiro" / Start of the hiking
  • 12h00 - Almoço junto à Cascata da Mina / Lunch at the waterfall
  • 14h30 - Início do percurso pelo rio, Indiana ao Abismo / Start of the hiking up the river
  • 18h00 - Fim das atividades / The end
[PT]

Em alternativa, os participantes poderão participar numa descida de canyoning do rio Frades. Para inscrição completem por favor o formulário através da seguinte ligação:

[EN] 
Alternatively, participants can participate in a canyoning descent of the river Frades. For registration please complete the form through the following link:
 
 
[PT]

Os participantes deverão levar alimentação, bebidas, roupa e calçado adequados, de forma a realizarem os percursos em autonomia.

[EN]
Attendees should bring adequate food, beverages, clothing and footwear in order to carry out the event.
 

 

LOVE LOVE AROUCA

Montanhas Mágicas / Magic Mountains!

 

Outras atividades / Other activities:

No Mega Evento / At the ground zero:

    • Concurso de recipientes criativos / Creative containers contest
    • Exposição de geocoins / Geocoin show
    • Geocaching Adventure LabCaches
    • Partilha de Travel Bug e Geocoins / Travel Bug and Geocoin exchange
    • Parabéns Geocaching! (com bolo) / Happy birthday Geocaching! (with cake)
    • Anúncio Love Love... 2020! / Announcement of Love Love... 2020!  

 Sítios a visitar / Places to visit:

[PT]

Degustação de doçaria conventual e regional: Vitela Arouquesa assada, cabrito assado, posta arouquesa e bife de alvarenga; castanhas doce e... muito mais!

[EN]

Conventual and regional sweets tasting: Roasted Arouquesa veal, roasted lamb, Arouquesa steak and Alvarenga steak; sweet nuts and... much more!

 

Informações / Informations:

 

Sunday, 26 May 2019 10:50

DraveTrail_19

Desde a primeira visita, o reencontro anual com a Drave tornou-se uma tradição obrigatória, quase como se fosse ato religioso. Nos últimos anos algumas dessas visitas foram num contexto de trail, uma modalidade que em Portugal saiu do berço nas serras da Freita e Arada. Como tem sido habitual, o evento deste ano dividia-se entre a caminhada, desde Regoufe, e a corrida, desde Póvoa das Leiras. Manhã cedo rumei à Póvoa e quando lá cheguei já o grupo estava reunido para enfrentar a serra.

Iniciámos a corrida no espetacular Trilho Inca. Apesar de despido de vegetação pelos incêndios passados, o caminho pela escarpa mantém-se impressionante e  de vistas dominantes sobre o vale. Quando passámos pelos Dois Pinheiros da Garra os céus decidiram abençoar-nos a corrida com alguma chuva. Felizmente foi passageira. Ao invés da habitual descida para o rio seguimos em frente pela crista e subimos ao monte proeminente sobre Covelo do Paivô. No pico, parecia que estávamos num trono de vistas circundantes para as encostas mágicas.

Seguiu-se uma descida abrupta pelos picos do tojo e da carqueja, que fez sobressair riscos nas pernas e a evidência de que nesta serra se deve correr de meias compridas. A descida para o rio Paivô fez-se depois num suspiro, passamos pelas poldras e investimos pelo trilho da direita. Chegados ao fim do caminho rural, e volvidos cinco anos desde que o Ultra Trail deixou de passar por ali, a subida para o PR Na Senda do Paivô fez-se a custo pela vegetação cerrada, já que o trilho desapareceu. No conforto da Senda, o trilho segue pelo lajeado forjado pela persistência humana em unir as aldeias vizinhas.

Na passagem por Regoufe ficamos a saber que os lobos têm andado a rondar as serranias próximas. A breve paragem serviu para cumprimentar alguns caminhantes que tinham vindo de longe para o evento e lá subimos para o Alto de Regoufe, onde contemplamos a Garra na sua plenitude. A corrida pelo PR – Aldeia Mágica fez-se num instante e é fantástico ver a Drave surgir por entre as linhas escondidas dos montes.

É sempre um prazer reencontrar a Aldeia Mágica e percorrer as suas ruas sinuosas de xisto. Cada pedra parece contar a história de cada habitante por ali deambulou. E, em cada história, por entre a saudade do abandono, reescreve-se o futuro de um lugar especial, onde os caminheiros do amanhã reencontrarão o refúgio natural para escapar ao bulício da vida moderna.

Após o reencontro de todos os participantes no evento, uma rápida visita guiada a um casal suíço encantado pelo lugar e o encontro de outros caminhantes com amigos comuns (o mundo da Drave é realmente um lugar pequeno), investimos a jusante da ribeira da Drave. Este talvez seja um dos meus percursos preferidos na região. Desta vez o caudal generoso tornou-o ainda mais desafiante. Ainda assim, consegui chegar à Quinta do Pego com os pés enxutos.

Chegados à quinta, encontramos mais um personagem deste vale, o sr. António, um entrevistados do documentário “Uma montanha do tamanho do homem”. Nascido e criado naqueles montes, num intervalo do arranjo da casa, foi um prazer ouvir a sua história de vida.

Depois do Pego as dificuldades de progressão aumentaram. De uma forma ou de outra todos foram à água. Depois de passarmos a antiga ponte lá surgiu o trilho que nos haveria de levar Garra acima. A subida constante é extenuante e em cada vislumbre da linha do monte parece que nunca mais chegaremos ao cimo. Porém, olhando para trás, vamos ganhando perspetiva sobre o vale do Paivô e a esperança faz-se caminhando, um passo atrás do outro. À passagem pelos Dois Pinheiros, com o terreno menos abrupto, a certeza do fim fica apenas a uma curva pelo Trilho Inca.

Os cerca de 24 km do trail podem ser vistos/descarregados aqui.

Muito obrigado a todos pela presença em mais um evento pelas montanhas mágicas da Drave!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

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