08de Agosto,2020

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ValenteCruz

ValenteCruz

Saturday, 18 May 2019 17:00

Ancestral Ansiães

No regresso de um passeio pelas arribas do Douro, e depois de um dia com os pés na Ruta de los Túneles, passamos por Carrazeda de Ansiães para visitarmos dois locais de interesse inadiável. A curiosidade sobre a Cascata da Ola, na fraga da Pena Amarela, surgiu precisamente pelo nome da fraga, descoberto por acaso quando andava às voltas com uma Pena Amarela mais a sul, na serra da Freita.

Um pouco ao arrepio das indicações, fomos estacionar um pouco mais abaixo do indicado e fomos espreitar um outro miradouro, mais próximo da cascata, onde aproveitamos para registar a nossa passagem. No regresso, paramos então no lugar recomendado e descemos pelo trilho até ao miradouro, onde encontramos uma vista vertiginosa sobre a cascata e o vale. A placa informativa sobre o número de pessoas permitidas sobre a plataforma não alvitra muita segurança, mas na verdade e estrutura parece bem firme. Ficou também a curiosidade em chegar mais próximo da cascata e eventualmente descer em canyoning. Certamente será uma experiência marcante, tendo um vazio no chão e as vistas no vale do Douro.

Continuando a viagem, seguimos à descoberta do ancestral Castelo de Ansiães. Logo que entramos no espaço muralhado percebemos a importância e imponência que deve ter tido nos séculos passados, sendo inclusive anterior à nacionalidade. É uma pena que o espaço tenha sido abandonado, mas tal também lhe conferiu um certo encanto. Subindo a encosta chegamos à impressionante antiga igreja, junto às portas derradeiras.

Entrámos e continuamos a subir. Passamos pela cisterna e terminamos junto ao VG, de onde se vistas plenas sobre o castelo e o vale circundante. Ao longe, por entre as nuvens, o sol preparava-se para a despedida. Antes de deixarmos Ansiães ainda fizemos mais uma paragem junto ao posto turístico mais abaixo. Por uma série de casualidades acabamos por dedicar menos tempo de visita a este castelo, mas tal também pode ser um ótimo motivo para regressarmos.

Como já era hora de jantar, achamos que seria boa ideia irmos à descoberta da gastronomia local. A escolha acabou por recair no Convívio e ficamos deliciados com a experiência. Foi a forma perfeita de terminamos as mini-férias pascais!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Saturday, 11 May 2019 17:00

La Ruta!

O regresso, cerca de nove anos depois. A nossa primeira grande aventura! Na altura, ainda iniciantes no geocaching e com muita vontade de descobrir os melhores percursos e locais, La Ruta de los Túneles surgiu como uma obrigatoriedade inadiável. A experiência foi tão incrível como inspiradora e o percurso é absolutamente fantástico! Com o passar do tempo surgiu a vontade de regressar, mas a Valente ia adiando as vertigens. Quando soubemos que a antiga linha ferroviária estava a ser recuperada percebemos que era a oportunidade perfeita.

Depois de no dia anterior andarmos pela arribas do Douro, seguimos manhã cedo de táxi para a estação de La Fregeneda. Desta vez iríamos em sentido contrário. Depois das fotos da praxe, iniciámos a caminhada, que viria a revelar-se de surpresa em surpresa. A primeira foi descobrir que o famoso e longo primeiro túnel estava encerrado. Como alguma imaginação lá conseguimos encontrar uma alternativa.

As obras decorrem céleres, com a colocação de passadiços de madeira sobre as pontes, proteções laterais e placas informativas. A paisagem mantém-se fantástica e cada vislumbre é um motivo de paragem e registo. Mais à frente encontrámos o também famoso túnel dos morcegos encerrado, com um percurso alternativo já referenciado oficialmente. Estávamos então prestes a entrar na zona mais impressionante, com pontes curvas que entram em túneis por penedos adentro. Naturalmente, o facto de as pontes já terem passadiços seguros faz com a experiência seja menos impactante. Na primeira travessia tínhamos pouco espaço para testar as vertigens. Assim ganha-se em segurança e isso talvez valha por todas as sensações.

Já perto do final encontrámos alguns trabalhadores e descobrimos que não era boa ideia prosseguirmos pela linha, por estar interdita enquanto decorrem as obras de recuperação, algo que por vontade inadiável ou desatenção não nos tínhamos apercebido. Resolvemos então fazer um desvio e fomos apanhar o GR 14 - Arribas del Duero, que nos devolveu a Portugal. Felizmente já tínhamos passado a parte mais fantástica da rota e o percurso, ao aproximar-se do Douro, também se torna muito interessante. Terminamos encantados pelo regresso a este monumento natural, redesenhado pela engenharia humana. Foi ótimo voltar a este lugar onde já tínhamos sido felizes e que tão boas recordações nos traz!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Sunday, 05 May 2019 17:00

Douro das Arribas

Em busca das melhores vistas das arribas sobre o Douro, ainda do lado português, arrepiamos caminho até ao miradouro do Carrascalinho. Desde a aldeia de Fornos, seguimos pela estrada, que inicialmente parecia suspeita, mas que nos levou a bom porto. Neste caso, literalmente, a bom miradouro. Estacionamos na rotunda improvisada e prosseguimos a pé. Rapidamente chegamos à arriba e ficamos impressionados com a magnificência da paisagem. Este Douro faz-nos sentir muito pequeninos, com as encostas escarpadas e uma linha de água que forjou o seu caminho por entre a rocha ao longo de milhões de anos. Como o céu estava a ameaçar, as fotos e as vistas foram-se precipitando e não pudemos aproveitar o local quanto desejaríamos. Ficamos curiosos com a existência de uma casa em ruínas perto do local. Apesar do acesso condicionado, a paisagem convida a ter um domicílio por ali.

Seguindo no trilho das arribas do Douro, fizemos mais uma paragem no miradouro do Salto de Saucelle. Findos os trabalhos da construção da barragem, o local parece ter-se revitalizado pelo visível interesse turístico. Continuamos depois para o Mirador del Fraile. As imagens que tínhamos visto eram suficientemente promissoras, mas ainda assim ficamos assoberbados com a imponência do local. Provavelmente, é o lugar mais impressionante do Douro, tanto pelos rochedos íngremes que sobem desde o leito do rio para os céus, como pela engenharia humana em ali criar uma barragem entre os contrafortes ibéricos. Estando no miradouro, a vertigem embrenha-se na alma de tal maneira que começam a faltar palavras para descrever o abismo. Entre fotos e contemplações, regressamos ao carro e prosseguimos para o Salto de Aldeadávila, ansiosos pelas vistas a jusante da barragem. Apesar de estar ali a 200 metros, a volta de carro ainda demora uns minutos, até porque a subida final parece serpentar até às nuvens. Chegados ao promontório, continuamos a pé em direção aos miradouros. Foi então que o vale surgiu inteiro, com um enorme espelho de água sustido pela barragem. Ficámos ainda intrigados com uma construção abandonada situada a meio da encosta escarpada que existe do lado português. O acesso parece muito difícil, mas as vistas devem compensar.

Para terminar o périplo pelas arribas, saímos do Douro e fomos até ao Pozo de los Humus, onde as águas do rio Uces se despenham numa cascata com cerca de 50 metros e criam um poço com quase outros tantos metros profundidade. A visita no inverno deve ser mais impressionante pela quantidade de água e pela névoa, mas na primavera também tem o seu encanto. Qualquer que seja a altura, é imperativo ir à estrutura suspensa sobre a lagoa, tanto pela visão da cascata como pelas sensações vertiginosas.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

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