28de Outubro,2020

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14 May 2020 Written by 

Wish you where, Gerês

Regresso à Serra do Gerês em jeito de rememoração, saudade e homenagem, passados cinco anos desde o dia da ausência do Roberto. Chegamos à bucólica aldeia do Xertelo envoltos por uma névoa muito pitoresca e com o sol ainda escondido. Contornando a aldeia, passámos ao lado do fojo do lobo e prosseguimos pelo caminho da serra em busca dos grandes horizontes geresianos. Por entre os farrapos de nuvens e névoa era possível ter uma visão parcial do vale vertiginoso do rio Cabril, em particular para a margem granítica e inacessível do outro lado.

O caminho serpenteou pelo monte e levou-nos até ao estradão que segue para as Sete Lagoas. Entramos depois no trilho pastoril e seguimos em direção à Laje dos Infernos. Logo depois de cruzarmos o ribeiro, o trilho subiu pela encosta inclinada e cada passo levava-nos para o lado mais isolado da serra. Ao chegarmos à crista aproveitamos para subir ao pináculo da Laje do Infernos, furando pelos blocos graníticos erráticos. Já sem névoa, no topo foi possível ter uma visão inteira do enorme vale, acabado de pintar pelas cores da primavera. Do outro lado, a encosta descia abrupta desde a crista da Terra Brava. No fundo do vale, vindo das Minas dos Carris, descia a corga de Sabroso, formando a meio três cascatas sucessivas e idílicas, felizmente bem resguardadas dos efeitos turísticos pela inacessibilidade.

Prosseguindo pelo trilho, espreitamos ao longe os pináculos de outras aventuras, em particular das Montanhas Nebulosas, cruzamos a crista montanhosa e descemos para os prados verdejantes da Sesta da Lamalonga, por onde em décadas passadas corriam os detritos das Minas dos Carris. Estávamos então a meio da caminhada e aproveitamos para almoçar junto a um dos abrigos.

Continuámos depois em direção aos prados e currais do planalto de Couce e avistámos por fim o circo glaciário dos Coucões de Coucelinho, encabeçado pelos contrafortes graníticos que rodeiam o abrigo. Fomos cirandando pelos sucessivos prados e, ao invés de seguirmos para a Lagoa do Marinho, arriscamos uma abordagem mais radical na descida da corga da Pena Calva. Chegados ao limite acessível, o relevo tornou-se bastante inclinado e imprevisível, acompanhando o sulco paisagístico cavado pela ribeira. Com quatro cascatas/lagoas sucessivas de dimensão considerável, o magnífico cenário valeu por todos os esforços. Parece uma escadaria de gigantes por onde a natureza teve o bom gosto de verter água.

Como o percurso pela ribeira parecia complicado, subimos a encosta e continuamos por uma espécie de trilho à mesma cota, aparentemente usado pelas vacas. Voltando à ribeira, e alternando entre as margens, seguimos até à ponte do Porto da Laje. Cumprimentámos as Sete Lagoas do rio Cabril e subimos pelo estradão até ao trilho marcado que segue pelo canal de água para Xertelo. Para terminar, é agradável caminhar à mesma cota, enquanto se vão apalavrando as histórias de outras aventuras. Ficou também a vontade de regressar num dia de verão, percorrendo o trilho da outra encosta, que cruza o rio Cabril próximo do fatídico Poço do Mouro. O percurso, com cerca de 22 km, pode ser visto aqui.

Após um período de confinamento, por entre amigos e memórias, foi fantástico regressar à montanha e pastorear a alma pela liberdade geresiana. Wish you where, Gerês.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

 



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