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12 December 2014 Written by 

Fotos com História: Drave - António Cruz

Não raras vezes surgem nos logs fotografias que marcam a diferença, pelo sujeito, enquadramento, pela cor ou textura, ou simplesmente porque nos contam uma "história" para além da palavra escrita. Com esta rubrica pretendemos desvendar a história por detrás da imagem e o contexto que lhe deu vida.

E com esta foto de hoje, publicada primeiro aqui, ficamos a par do site. A periodicidade desta série paralela de fotos com histórias dentro será dependente da inspiração do António para as divulgar.

Drave

Drave é uma aldeia abandonada, esquecida pelo tempo mas lembrada pelo escutismo, que adormeceu no fundo de um vale situado entre a Serra da Arada e a Serra da Freita. Na verdade, é discutível que a aldeia esteja abandonada, já que é habitual encontrar pessoas por lá. De qualquer forma, é certo que, no passado, foi abandonada pelos seus antigos habitantes, mormente pelas dificuldades de acesso. Quase tão antiga como os montes que a guardam, é o berço maternal de todos os Martins. Em 1946, como garante uma placa da pequena igreja, foi realizada uma missa que ali reuniu mais de 500 familiares. Desde então, têm sido realizadas outras reuniões, programadas e/ou informais. Nos últimos anos, Drave tornou-se numa base nacional escutista. Em particular no verão, é habitual encontrar por lá muitos escutistas, que paulatinamente vão recuperando as casas. Drave, ou melhor, a Drave (os antigos habitantes referiam-se à aldeia no feminino) tornou-se numa senhora aldeia, envolta por uma magia e misticismo especiais!

A generalidade das casas da Drave é feita de pedra lousinha. Estamos no reino do xisto! Os arruamentos são muito irregulares, com as casas muito próximas entre si, parecendo construídas para se aquecerem entre si nos longos e rigorosos invernos. A Drave situa-se na confluência de três ribeiros: Palhais, Ribeirinho e Ribeiro da Bouça, e aí forma a Ribeira da Drave, que desagua posteriormente no Rio Paivô. Ir à Drave é sempre uma experiência inesquecível! O percurso mais requisitado para visitar esta aldeia é o PR14 – Aldeia Mágica, que parte de Regoufe, mais uma aldeia característica da região e onde se encontra um complexo mineiro abandonado. Uma outra forma de chegar à Drave é descendo a encosta da Serra da Arada, por onde se pode fazer inclusive um desvio para ir em busca de mais uma aldeia abandonada, Gourim. Apesar de esta não possuir o encanto da sua vizinha, é também uma descoberta fantástica e muito recomendável. Existem ainda outras formas de chegar à Drave e, de todas, a minha preferida talvez seja subindo pelo leito do Rio Paivô e posteriormente pela Ribeira de Drave. Obviamente, esta abordagem é mais recomendada durante o verão. Partindo de Regoufe, e depois de uma longa subida, ao invés de continuar-se pelo caminho deverá descer-se por um trilho até ao rio. A partir daí é sempre pelo leito xistoso até à Drave, com passagem por inúmeras lagoas de águas cristalinas.

Esta fotografia foi tirada em 26 de dezembro de 2013, em mais uma visita à Drave, num passeio pós-natalício. Foi tirada desde o caminho que desce pela Serra da Arada. Neste dia encontrámos por lá um descendente da família Martins que, orgulhoso, fez-nos uma pequena visita guiada pela aldeia e pela antiga casa da família. Contou-nos ainda que existiam planos, ou sonhos, de alguns descendentes regressarem à Drave, nem que seja para refazer casas para férias. Não sabemos se isso poderá levantar problemas com os escutistas. De qualquer forma, a Drave, aos poucos, vai ganhando vida!

Caches : (tradicional-)Aldeia Mágica [Drave]  Entre o céu e o inferno [Drave - Arouca]

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