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Cantos & Recantos #1 Fonte da Margarida
05 February 2016 Written by 

Cantos & Recantos #1 Fonte da Margarida

Cantos & Recantos #1 

Na minha opinião um dos bens do GeoCaching é  levar-nos a saber, descobrir e conhecer Cantos & Recantos por este Mundo Fora, tanto que muitos de nós quando efectuamos o registo online usamos  a expressão “ ...se não fosse o GeoCaching nunca vinha a este local...”.

Com base neste pressuposto esta rubrica mensal com publicação na primeira sexta-feira de cada mês pretende dar-te a saber/conhecer ou relembrar alguns desses Cantos & Recantos.

Para primeira rubrica, habitando eu por terras de D. João V (Mafra) não podia deixar de iniciar esta rubrica com um Recanto do Concelho de Mafra mais precisamente na freguesia da Ericeira a Fonte da Margarida GC4JFHJ.

É mais um daqueles tesouros recondidos e que infelizmente tendem a desaparecer devido ao seu estado de degradação! 

O Recanto que hoje vos dou a saber situa-se na Serra das Lombas no sítio da Carrasqueira, a sul da vila da Ericeira, junto à Estrada Nacional Nº 9. No lado oposto temos um parque de estacionamento e o acesso sul para a Praia do Sul.

Depois de estacionado o CacheMobil, coordenadas no GPS, atravessamos a estrada em direcção aos arbustos, entre estes é visível uma pequena abertura que permite que entremos, conseguimos então ver um carreiro que nos levará até ao nosso Recanto. Vamos caminhar por este carreiro cerca de 400 metros entre arbustos e algumas silvas.

Hoje

Chegando perto das coordenadas deparamos com um edifício de cerca de 6 metros de altura que nos faz lembrar uma torre de Menagem de algum Castelo mas na verdade é uma Fonte, a Fonte da Margarida, encontrando-se o seu exterior praticamente coberto pela vegetação.

Esta "torre" alberga a nascente e está completamente desfigurada, tendo perdido as ameias, portas e janelas.

A fachada muito decrepita, ainda ostenta, em alto-relevo, a imagem de uma bilha, numa alusão a um dos modos como foi comercializada a água.

Uma das metades do que foi a porta principal apodrece no chão da entrada para o piso térreo onde possui duas bicas e um tanque de receptação das águas. Durante o Inverno ainda se vê correr um fio de água, no Verão seca completamente. 

As paredes no seu interior estão decoradas com bonitos motivos florais em rosácea, resultantes da incrustação de cascas de mexilhão. Na parede este ainda se pode observar uma moldura rectangular que nos informa que o edifício foi ‘Construído em 1933’. 

Na parede oeste a moldura anuncia o responsável pela sua construção e concessionário, ‘Martinho Lopes Ferreira’.

Ainda se  observa, na vertente este, o que resta das escadas de pedra que dão acesso ao piso superior e ao telhado em bastante estado de degradação.

Na década de 30 do século XX, as suas águas chegaram a ser exploradas comercialmente.

A água, que foi analisada pelo Professor Charles Lepierre no Laboratório de Química Analítica do Instituto Superior Técnico de Lisboa, era ‘cloretada sódica, muito bicarbonatada, cálcica e sulfatada magnésica e estava "isenta de contaminação" como nos informa um dos dois anúncios publicitários existentes no Arquivo Museu da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira.

A água desta fonte era comercializada em bilhas de barro de 10 a 11L ao preço de 2$50 escudos (Dois escudos e cinquenta centavos, hoje equivalente a cerca de um Cêntimo do euro), um preço exorbitante para a época e só acessível a bolsos endinheirados.

Ora já diziam os anciãos que já no tempo dos seus avós essa fonte era usada, desconhecendo de que época era a sua construção. Diziam ainda que na parede então existente, que ficaria encostada à vertente e que serviria para suster as terras, chegaram a ver gravadas na pedra, imagens de mulheres vestidas de finos véus, enchendo bilhas na fonte. 

Por baixo, inscritos numa lage rectangular, podiam ver-se caracteres desconhecidos. 

Talvez esta fonte seja até de origem pré-romana. A ser assim terá mais de dois mil anos certamente. Esses vestígios primitivos, desapareceram e/ou foram destruídos.

A pressão urbanística envolvente tem vindo a ditar a morte da nascente, pois os terrenos em redor foram "impermeabilizados" por betão. a quando das construções na década de 90 do século XX, obras autorizadas na vertente oposta à fonte uma urbanização mesmo em cima da ribeira, mais próximo só mesmo dentro do ribeiro! 

A Fonte da Margarida e a urbanização são, hoje, vizinhos inseparáveis mas até quando?...

Em suma esta GeoCache faz parte da minha lista de Favoritos e Não Só!

Desejo a todos Boas Cachadas e até já com um outro Canto & Recanto perto de ti,

javs&family

Algumas citações deste texto foram retirados do Arquivo Museu Da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira.

 



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