20de Abril,2021

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PauloMelo

PauloMelo

Wednesday, 30 January 2019 17:00

Ásia 2017 – Dia 40 – Hsipaw a Mandalay

Foi um curto mas bom dormir, naquele quarto bem arranjado e agradável onde – não fosse o barulho que chegou com o início do dia – poderia imaginar-me a ficar uns dias. Se o contexto fosse outro, com mais calma.

Não havia tempo a perder. Eram seis e meia e às 9:00 devíamos estar na estação de comboios para tratar do bilhete para a partida das 9:45. O pequeno-almoço, a ser aproveitado, começava a ser servido às sete.

Portanto, começar por uma pequena volta pela localidade que ia despertando. Estamos a alguma altitude, o clima é diferente do que até agora. Há uma névoa relativamente fria, as pessoas andam de agasalhos. Há um ambiente de montanha em Hsipaw. E para já um objectivo: encontrar o mercado, descrito no meu Rough Guides como um dos mais interessantes do país.

Foi fácil. Virar à esquerda e na estrada principal, à direita e passado umas centenas de metros lá estava ele, junto a uma curva. Pequeno e tímido mas místico. Umas dezenas de metros de estrada com vendedoras e, para o lado do rio, uma área coberta, ainda na penumbra da noite. Uma experiência inesquecível, sem dúvida um dos pontos altos de toda esta viagem pela Ásia.

Sobretudo vendem-se ali vegetais e frutas, mas também peixe, carne, flores, produtos diversos. Na outra margem do rio, cujos bancos se encontram cobertos de lixo, começa-se a levantar o sol, uma bola de fogo que se distingue por detrás da cortina cinzenta da névoa matinal, agora a começar a desfazer-se com a chegada de mais um dia. Ainda o sol acaba de se levantar e já o mercado dá sinais de chegar ao fim. A maioria das pessoas está a sair, não a entrar. Vão carregadas de bens, a pé, de bicicleta ou de mota. Os vendedores começam a arrumar as coisas, têm cada vez menos clientes interessados nos seus produtos.

Fomos ao pequeno-almoço, bem bom, estilo ocidental, para comer e atestar o depósito até não poder mais. Pagar o quarto e arranjar um transporte para ir a “little Bagan” e de lá directo para a estação de comboios.

 

Foram apenas três horas em Hsipaw, mas foi um sucesso. Adorei a cidade, se é que é uma. Mais uma vila, senão, uma grande aldeia. Como em todo o lado na Birmânia é um espectáculo observar as pessoas e as suas actividades.

 

O transporte era uma carrinha de caixa aberta, adaptada para o transporte de passageiros. São os táxis por estas paragens, versáteis, que podem fazer ligações colectivas ou serviços privados. Correu bem, foi engraçado, atravessar Hsipaw “na caixa”, depois percorrer alguma distância em espaço rural, antes de chegar a “little Bagan”, nome dado a um complexo religioso nos arredores.

Poderia ter andado, são cerca de 2 km, mas para isso precisava de tempo que não tinha. Foi um bom detalhe. Um lago, com uma ponte de madeira que leva a um Buda com uma concepção bem diferente do habitual, num estilo “realístico”. E depois os templos centenários, alguns deles, pequenos, com a vegetação a envolvê-los… devem ser ainda mais bonitos na época das chuvas.

 

Mas o melhor é o que tem uma árvore a sair-lhe do topo. Uma visão sem dúvida original. Bem, entretanto tinham-se escoado os vinte minutos de espera negociados com o taxista e estava portanto na hora de seguir para a estação.

Já não havia bilhetes de upper class, terão que ser ordinary class, bancos de pau portanto, o que teoricamente não seria a escolha para uma viagem de umas 15 horas. Num gabinete com uma mão cheia de estrangeiros o chefe de estação vai procedendo ao ritual acto da emissão de bilhetes, onde não falta o ajudante para a inscrição de nomes e números de passaporte num livro de registo. Cada coisa a seu tempo, parece ele dizer, enquanto pausadamente explica em detalhe os procedimentos de embarque a mais uns clientes estrangeiros.

 

Na estação vende-se fruta, há pessoas que esperam já pelo comboio. À hora, chega. Embarcamos. No nosso lugar um avô mal encarado e um neto irrequieto. Ficamos por perto, mas assentos mais agradáveis. Mesmo atrás, as camas do pessoal do comboio, os “engenheiros de bordo”. Debaixo dos bancos há material de reparações. É imperioso. Outro viajante diz-me que nesta viagem, seguia num comboio onde um vagão descarrilou. Nada de sério. Passado duas horas estavam de novo a caminho. O pessoal simplesmente repara tudo.

A viagem começa e como sempre é adorável. Pelas janelas desfila a Birmânia e os olhos trabalham sem cessar. Durante uns quilómetros a presença humana é intensa. Depois instala-se a ruralidade, chega a monotonia e a atenção solta-se já do mundo que corre lá fora. Vão ser muitas horas. Lê-se um bocado. Na ocasional paragem vem-se até ao exterior esticar um pouco as pernas. O comboio apita sempre antes de partir e dá um tempo para os passageiros regressarem. Há as vendedoras que acorrem aos vagões, cargas misteriosas, refrões exóticos.

 

Aproxima-me a ponte. Famosa, arrepiante. Via-a num documentário sobre admiráveis viagens de comboio, uma produção francesa. E esta é mesmo uma grande viagem ferroviária. Esta ponte é um atractivo, há pessoas que fazem este percurso só pela travessia. Foi construída por um consórcio norte-americano no início do século XX e hoje a sua estrutura começa a levantar preocupações. O comboio passa a uma velocidade reduzida. A passo humano. O aço range. E depois fica para trás. Veremos de novo a ponte à medida que a composição evolui num ziguezague montanha acima.

Eventualmente o nosso vizinho de viagem desperta de uma soneca que lhe levou toda a manhã e boa parte da tarde e começa a falar. E começando não há como o parar. Cidadão do mundo, vagamente inglês, está em viagem perpétua, financiada pela renda do seu apartamento londrino. Já esteve m todo o lado, sempre mais de uma vez? Síria? Visitada cinco vezes, sim senhora. E isto, e aquilo. Tudo menos a Europa, como se estivesse a ser deixada para o fim.

 

O tipo tinha um aspecto um bocado macabro, é o que me ficará na memória, para além das estórias. Como se fosse um assassino profissional. Um Dia Hard genuíno, que entre as 9 e as 4 não tocou em comida nem bebida. Quando o revisor veio – esse bonacheirão de riso faro e sorriso permanente, nem se atreveu a interromper o sono daquele estrangeiro… bem que me ofereci para o acordar, mas não… que deixasse o estrangeiro repousar…

 

E com isto o dia começa a chegar ao fim, a luz chega já mais dourada. Os camponeses regam os campos. Já vamos chegando a Pyin Oo Lwin. O nosso companheiro de viagem fica aqui. Mas para chegar a Mandalay teremos que esperar quase duas horas pelo comboio de ligação.

 

Tempo aproveitado para caminhar um pouco, que a temperatura está excelente. Corte de cabelo e barba por 0,70 Eur. Uma visiat ao mercado, uma mão cheia de tangerinas para o saco. Agora está na hora de um Myanmar Tea e tomado em estilo, num café muito hard core, onde na TV passam combates de algo que será talvez boxe tailandês, e rodeado de “colegas” que poderiam perfeitamente ser parte do espectáculo televisionado. Um daqueles tesourinhos de viagem.

 

À porta da estação um círculo de graúdos faz malabarismos com uma “bola” (é esférica, oca e feita de vime ou bambu). Um final de tarde em grande antes da última tirada de comboio. Serão cerca de quatro horas para ultrapassar 23 km em linha recta.

 

Na carruagem quase vazia onde vínhamos não havia luz e o piquete, constituído pelo polícia do comboio e pelo picas de sorriso perpétuo veio desalojar-nos com todas as reverências, para uma outra onde teríamos segurança.

Com a noite começa a tosse e sinto-me mal e doente. Tosse e mais tosse, cansaço, desconforto, só quero chegar. E chego, claro. Até mais cedo do que o previsto no horário. Mas muito mal tratadinho. Que bom que o hotel é pertinho da estação e já conhecido.
O quarto é melhor que o anterior, mas no estado em que estou nem consigo apreciar. Adormeço rapidamente, pelo menos isso.

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

 

Wednesday, 23 January 2019 17:00

Ásia 2017 – Dia 39 – Mandalay

Um dia de trânsito e sem fazer nada de relevante. Mandalay não é propriamente um poço de actividades interessantes. Aquilo foi acordar de uma noite mal dormida, passada entre o frio do ar condicionado e o calor da sua ausência, tomar um pequeno-almoço na pastelaria do lado e caminhar até a estação para uma bela notícia: bilhetes para Rangoon em carruagem-cama disponíveis! Magnífico!

Ao chegar ao hotelzinho o manager já tinha na mão outros bilhetes: do autocarro das duas horas para Hsipaw. Vão ser uns dias loucos, mas as 48 horas de KO devido à gripe & etc assim o ditaram. Era isso ou ficar na parvónia em Mandalay, porque de facto a segunda cidade da Birmânia padece de atractivos.

Nestes dias por lá não fiz nada mas fui estudando a lição: tudo é pago, e não é por menos, com bilhetes conjugados, mais caros, que induzem o visitante a ir a mais locais, mas pagando-os mesmo que não queira. Há o Palácio Imperial, bem no meio de uma base militar que tem que se atravessar a pé… mais de um quilómetro sob calor, para chegar lá e ficar desencantado, a acreditar na impressão maioritária dos testemunhos. E o Monte de Mandalay, talvez apelativo, mas a pagantes e, lá está, como o nome indica, é um monte e as temperaturas são elevadas… teria lá ido se o timing fosse certo, mas perante todo o cenário o plano foi traçado de outra forma.

 

O hotel arranjou transporte para a estação de autocarros. Tudo bem organizado. Myanmar impressionou-me por isto. Deve ter sido uma série de acasos positivos, mas ao longo de toda a viagem só encontrei mecanismos bem afinados.

E portanto, às 14:00 o autocarro estava em marcha. Que seca! Detesto autocarros, mas perante a promessa de “apenas” seis horas de viagem embarquei resignado à sorte. Um preço reduzido a pagar pelo bom andamento do plano.

De início parecia que ia correr tudo bem. Curva e contra curva, deixando Mandalay para trás, serra acima. Mas depois veio o enorme e nunca explicado engarrafamento. Uma linha a perder de vista de trânsito, que eventualmente avançou um par de vezes, mas não mais. Foram literalmente horas parados ali. E o relógio a andar, e a impaciência… mas afinal quando é que íamos chegar a Hsipaw…?  Caiu a noite e o caos mudou de aparência. Os pormenores perderam-se mas surgiu no horizonte, a perder de vista, uma infinita serpente encarnada formada pelas luzes traseiras dos milhares de veículos ali presos.

E de repente, sem razão, tão depressa como surgiu, o engarrafamento desapareceu. Sem sinais nem vestígios. Nada de obras na estrada nem traços de um acidente grave. Tudo começou a andar, cada vez mais rápido e por fim chegámos a Hsipaw, com umas duas horas de atraso.

Na realidade o percalço não teve consequências, para além do desconforto de estar mais duas horas sentado num autocarro cheio. O nosso hotel ficava próximo da “estação” de autocarros, que na realidade nada mais é que um ponto na rua onde eles param. Foi engraçado: as ruas estavam desertas, fazia frio e havia uma certa névoa, e lá iam aqueles estrangeiros, nós e os outros, uns três ou quatro casais, andando mais ou menos na mesma direcção, em busca dos respectivos alojamentos.

O hotel era excelente, o The Northern Land Hotel. Barato, pessoal super simpático, um quarto acolhedor e bem mobilado, impecavelmente limpo. Foi retemperante, chegar ali, depois do desconforto da viagem. Fiquei a pensar que seria bom ter tempo para permanecer pelo menos mais uma noite, para  usufruir destas condições impecáveis e conhecer melhor Hsipaw. Já lá iremos, mas digo já que as memórias desta terra são das melhores que trouxe desta viagem, não só de Myanmar mas dos três meses pela Ásia.

Dormi que nem um anjinho, sem barulho, no conforto de uma cama limpa e… lá está, confortável.

 

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

 

Thursday, 10 January 2019 10:00

Nunca Mais é Sábado... #219

Este início de 2019 continua calmo. Pelos vistos nesta segunda semana de Janeiro continua a recuperação do excesso de eventos do ano novo!

> Sábado, 12 de Janeiro


Evento Geo Alentejo - 6º Aniversário [Aljustrel, Beja]
 

No dia 8 de Janeiro de 2013 nasceu o Geo Alentejo, através de um grupo de amigos, com o objectivo de promover o melhor do que há escondido pelo Alentejo. Desde então o nosso grupo tem crescido e são cada vez mais os nossos membros, amigos e simpatizantes, sendo estes os principais responsáveis pela nossa existência.

O nosso 6º Aniversário, vai ser comemorado nos dias 12 e 13 de Janeiro. O convite desta vez será a visita ao concelho de Aljustrel, onde será possível fazerem uma viagem no tempo e contemplar toda uma panóplia de património industrial inerente à actividade mineira, que marca o concelho desde o tempo dos romanos. As minas de Aljustrel são uma das mais antigas minas do mundo ainda em laboração.


> Domingo, 13 de Janeiro


Evento XXXV - GeoTertúlia [Cadaval, Lisboa]
 

Esta edição da GeoTertúlia vai ter lugar
na Sede dos 3Cês,
que pretende ser um evento onde vamos conviver
e beber um chá/café.....

Ah! … não te esqueças de trazer as tuas Geocoins e os Travelbugs para partilharem com todos os presentes.

> e ainda...

2ª feira, 14 de Janeiro

Evento Coffee and cake, please! LXXXIV - Marcus Antonius [Lisboa]

3ª feira, 15 de Janeiro

Evento Thoughts - Charles Chaplin [Lisboa]
Evento Racha a Cuca Contra-Ataca- CLXXIII [Lisboa]

4ª feira, 16 de Janeiro

Evento Geo-Tertúlia - Pastel "da" Nata XXV [Lisboa]
Evento MEETING POINT - 28ª EDIÇÃO [Viseu]
Evento GEOBREAKFAST #42 [Lagoa, Arq. Açores]
Evento Vamos beber um cafézinho.... de novo [Loulé, Faro]

5ª feira, 17 de Janeiro

Evento Meet the Swedes in Lisbon [Lisboa]

6ª feira, 18 de Janeiro

Evento Livros & Bolos [Lisboa]
Evento É SEXTA-FEIRA YEEEE!!!! - III [Paredes, Porto]
Evento Queres beijinhos?? 3ª Edição [Figueira da Foz, Coimbra]


País da da foto: Austrália

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