20de Junho,2018

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ValenteCruz

ValenteCruz

Sunday, 06 May 2018 10:00

Buçaquinho - da mata ao mar

Num dia de comemoração da nossa liberdade, fomos caminhar da mata ao mar em modo geocaching. Estacionámos no Buçaquinho e preparámo-nos para uma investida em forma de percurso circular, numa altura em que o parque ainda estava quase vazio. A primeira parte já era conhecida, de outras visitas ao parque, mas é sempre muito agradável de redescobrir. O espaço está impecavelmente recuperado e é um excelente local de lazer e descanso, de fauna, flora e lagos fotogénicos. Entrámos depois na ciclovia e fomos progredindo sem pressas, acompanhados por outros caminhantes e ciclistas. Pouco depois da rotunda para a praia de Cortegaça investimos na direção do mar e passámos a andar sozinhos pela mata. Em muitas partes do percurso, o arvoredo forma pequenos túneis de uma sombra muito agradável.

Aproximámo-nos então do mar e seguimos ao longo da linha. Nunca tínhamos andado por ali, pelo que foi bom encontrar aquele litoral onde o asfalto e as construções ainda não chegam. Descobrimos algumas ligações de caminhos que trazem muitos visitantes, em particular os surfistas. Encontrámos também alguns corredores a treinar; fica a referência para investidas futuras. Caminhar ao longo da linha de mar é excelente, mesmo para quem prefere a montanha. Por vezes, e como seria expetável, o caminho de areia dificultava um pouco a progressão, mas era apenas uma desculpa delongada para apreciar a paisagem marítima.

Mais ou menos a meio da nossa caminhada, investimos na direção do VG das dunas. Escondido do mundo pela vegetação, parece um capitão esquecido à proa da história. Aproveitámos para almoçar um pouco mais à frente e descansámos de seguida. Como temos andado arredados das lides das caminhadas, os quilómetros percorridos começavam a fazer-se sentir nas pernas. Prosseguindo a nossa viagem, aproximámo-nos outra vez da ciclovia, mas fomos quase sempre progredindo pelos caminhos da mata. Fica a promessa de regressarmos para redescobrirmos a ciclovia no modo apropriado. Inclusive, mais tarde, ficámos a saber que o aluguer das bicicletas no Buçaquinho é gratuito e cada pessoa pode andar durante duas horas.

Passámos pelas instalações militares e continuámos pelos trilhos e caminhos da mata, até que o fim do percurso se começou a anunciar. O regresso ao parque fez-se num modo um pouco mais lento, já que os cerca de 21 quilómetros começavam a pesar nas pernas. Ao chegarmos descobrimos que o Buçaquinho tinha sido tomado por centenas de pessoas. Ainda assim, fomos dar mais um curto passeio lá dentro, à procura de uma vista sobranceira sobre a envolvência. Foi um excelente passeio, de regressos anunciados e em modo de corrida de bicicleta. E o mar ali tão perto!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

 

Sunday, 28 January 2018 10:00

GeoMag #fim?

Foi com muito interesse que, nos idos pré-natalícios de 2012, vi o aparecimento da GeoMagazine. Na altura, o geocaching estava em alta e tudo o que se passava no mundo da “caça ao tesouro do séc. XXI” era digno de atenção. Mesmo havendo várias plataformas dedicadas ao passatempo, desde os fóruns às redes sociais, a revista veio ocupar um vazio. Creio que o sucesso foi imediato. A oportunidade de espreitar de uma forma mais profunda para alguns temas, descobrir as histórias de quando o geocaching dava os primeiros passos, espiar nas entrelinhas de algumas caches marcantes e, acima de tudo, ficar a conhecer melhor um passatempo fascinante e as pessoas que o praticavam. Muitas vezes, apesar de as pessoas não se conhecerem, o simples facto de partilharem algo em comum cria uma empatia quase imediata.  

Cada edição era esperada com curiosidade. Quem seria a entrevista da capa? Que cache estaria em destaque? Qual o percurso que nos iria surpreender? As ideias e as histórias iam desfilando com as edições, sendo que o esforço e a qualidade eram notoriamente crescentes. Nos primeiros tempos recebi o convite para escrever sobre montanhas. Escrever sobre montanhas? Para além do regozijo em participar no projeto, ora aqui estavam duas coisas para as quais ninguém precisaria de me perguntar duas vezes. Sucederam-se quatro artigos, desde a Serra da Estrela aos Picos de Europa. Anos depois, creio que ainda continuam a ser boas referências.

À decima primeira edição fomos surpreendidos com o convite para a entrevista de capa, o que nos deixou orgulhosos. Algum tempo depois surgiu um outro convite para escrever regularmente um artigo de opinião. Num primeiro momento pensei que não teria assunto para muitas edições, mas rapidamente percebi que os temas, desde os mais humorísticos aos mais opinativos, iriam suceder-se de uma forma natural. Afinal, bastava ir em busca das opiniões e fundamentá-las. Dá trabalho, mas ajuda a definir e a compreender a própria forma como vivemos o geocaching. Quando dei conta já estava a tomar conta de mais um tópico por edição, à descoberta das caches e dos recantos mais interessantes que tinha encontrado. A necessidade de ter algo interessante para escrever, ou pelo menos tentar, acabava também por ser um incentivo para deixar o desconforto do sofá e ir à descoberta.

De todas as edições e de todos os artigos há um particularmente especial. Apesar do enorme pesar pelo desaparecimento do d3vil, das diferentes sensibilidades e das dúvidas sobre o sentido da nossa ação e de como poderia ser interpretada, avançámos para uma edição de homenagem que pretendia celebrar os momentos de partilha e os sorrisos de um grupo de amigos com uma pessoa especial e inspiradora. Ao olhar para trás, vendo o resultado e analisando a forma como a comunidade sentiu a homenagem e o legado que pretendemos deixar, sinto um orgulho enorme por ter participado na sua dinamização.

A GeoMagazine foi-se reinventando ao longo da sua existência. Passou por várias fases até que um conjunto de razões acabaram por ditar o seu fim. Não sei se será um fim com ponto final. Se todo o mundo é composto de mudança (e de fases), acredito que, mais cedo ou mais tarde, com ou sem algum acontecimento marcante à mistura, a revista regressará. Há sempre alguém generoso que persiste em reavivar as boas ideias. E a GeoMagazine foi das melhores ideias que já apareceram no geocaching nacional, tão natural como um lugar fantástico que está à espera de um passatempo tecnológico para se dar a conhecer.

Nestas situações, não gosto muito de personalizar as menções e/ou os agradecimentos. Há sempre alguém que pode ficar de fora e não quero ser injusto. Assim, agradeço a todos os que contribuíram para a revista ao longo das suas 27 edições. Eles sabem quem são. Obrigado pelo esforço, partilha, teimosia e ambição de quererem fazer do geocaching luso um lugar melhor!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt.

No encalço da Estrela Polar lusitana, atalhando por Nordeste, chegamos às terras históricas de Ribacôa. Após uma passagem rápida pela Mêda (GC3RP65), seguimos para Longroiva (GC1ZM5Z) com as expetativas em alta. Passando pelas ruas apertadas, facilmente percebemos que estamos prestes a entrar num local perdido no tempo. Contornamos a história e acedemos à torre de menagem, alcançando uma vista inteira da janela sobre a aldeia. Lá em baixo, o vale pinta um abrigo da montanha. Do outro lado da encosta, nas Chãs, o vento vai esculpindo templos naturais (GC1TQWY) nas rochas.

Um pouco para Sul, Marialva (GCPKZJ) é tão encantadora como já foi importante em manter acesa a chama da portugalidade. No interior, o espaço da secular aldeia deixa-nos um misto de admiração e tristeza. Se por um lado ao vermos as pedras tombadas e as ruínas, é impressionante pensar nas vidas e na história que por ali passaram, por outro lado fica-se com um certo aperto na alma ao notar a sua decadência. Faz-nos repensar sobre a nossa pequenez, entre o espaço-tempo que habitamos.

Retomando o Norte, a passagem por Vila Nova de Foz Côa é inevitável. A vila parece viver à sombra das gravuras, mas entre as paisagens naturais e históricas, os rios e os vales, existe muito para descobrir. Sobranceiro sobre os rios Douro e Côa, à proa de um navio intemporal, o museu (GC26EBB) é como um relógio da história da região que importa conhecer.

Do outro lado do Côa, a estrada sobe para o monte de S. Gabriel (GCTN9M), um miradouro excecional sobre planalto nordestino. Chegados lá acima, fica-se com o olhar preso da imensidão da paisagem. As encostas descem em figuras geométricas pintadas pelas árvores plantadas. Parece um quadro inspirado pelo trabalho de inúmeras gerações. Mais abaixo, Castelo Melhor (GC1BH43) vai resistindo à passagem do tempo. O peso dos séculos sente-se a cada esquina. É pena que o castelo esteja um pouco ao abandono. Num curto desvio, Almendra (GC1VH0H) é também um livro de história a céu aberto.

Acompanhando a brisa do Douro, seguimos para as terras de Numão. Mas antes é necessário conhecer o legado de história do Sítio Arqueológico do Prazo (GC3720B). O espaço parece estar um pouco entregue à sua conta, já que se vai notando alguma deterioração das estruturas de apoio ao turismo, que também deve escassear. Porém, o que realmente importa é muito interessante. Descendo às ruínas, passamos por um menir e por urnas antropomórficas. À medida que vamos percorrendo o espaço imaginamos os vários povos que passaram por ali, indagando sobre como seriam o complexo nos seus tempos áureos.

Depois, Numão. O encantador castelo de Numão (GC52ZAM). Ao longe, postas em vigilância sobre a aldeia, já se avistam a torre e as muralhas. Sabemos que iremos encontrar um monumento especial, mas ainda assim somos surpreendidos. Subimos às muralhas e vamos percorrendo o espaço até à torre de menagem. Continuamos depois pelas muralhas, contornando este legado da história. A parte mais impressionante talvez seja a muralha que fica a oeste, com uma altura e largura bastante consideráveis. Subindo o caminho, passamos pela cisterna aberta na rocha. Na primavera, o caminho é enfeitado por papoilas, que tornam o panorama ainda mais fotogénico. Mais abaixo, a aldeia adormeceu no tempo a ouvir as histórias de batalhas de outras eras.

Seguindo a jusante do Douro, o vale eleva-se em pontos de interesse sucessivos. Lá no alto, S. Salvador do Mundo (GC1284Q) ergue-se como um farol de vistas desabrigadas sobre a paisagem. Sobe-se pela estrada apertada, sempre com o olhar preso nas encostas inclinadas e com o rio numa pintura de fundo. Prosseguindo a pé pelo caminho, as capelas surgem como dois pontos brancos de fé no verde envolvente. Vale muito a pena ganhar ali vários momentos de contemplação. Na outra margem, repousa uma paisagem triunfal! A fraga desce a encosta até ao rio, onde encontra o engenho do Homem, que encontrou forma de abrir um túnel pelos seus interstícios de forma a fazer passar um comboio.

Para uma experiência mais imediata, intensa e demorada com o rio e o vale, seguindo para Norte por Nordeste, perfazem-se os doze traços de história e paisagem calcorreando a antiga Linha do Douro (GC1BRPH). De regresso, pode-se deambular pelas fascinantes e geométricas paisagens vinhateiras do Douro.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

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