GeoMagazine - Geopt.org - Portugal Geocaching and Adventure Portal - Geopt.org - Portugal Geocaching and Adventure Portal http://www.geopt.org Tue, 19 Jun 2018 21:01:59 +0100 Joomla! - Open Source Content Management en-gb GeoMag #fim? http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3919-geomag-fim http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3919-geomag-fim GeoMag #fim?

Foi com muito interesse que, nos idos pré-natalícios de 2012, vi o aparecimento da GeoMagazine. Na altura, o geocaching estava em alta e tudo o que se passava no mundo da “caça ao tesouro do séc. XXI” era digno de atenção. Mesmo havendo várias plataformas dedicadas ao passatempo, desde os fóruns às redes sociais, a revista veio ocupar um vazio. Creio que o sucesso foi imediato. A oportunidade de espreitar de uma forma mais profunda para alguns temas, descobrir as histórias de quando o geocaching dava os primeiros passos, espiar nas entrelinhas de algumas caches marcantes e, acima de tudo, ficar a conhecer melhor um passatempo fascinante e as pessoas que o praticavam. Muitas vezes, apesar de as pessoas não se conhecerem, o simples facto de partilharem algo em comum cria uma empatia quase imediata.  

Cada edição era esperada com curiosidade. Quem seria a entrevista da capa? Que cache estaria em destaque? Qual o percurso que nos iria surpreender? As ideias e as histórias iam desfilando com as edições, sendo que o esforço e a qualidade eram notoriamente crescentes. Nos primeiros tempos recebi o convite para escrever sobre montanhas. Escrever sobre montanhas? Para além do regozijo em participar no projeto, ora aqui estavam duas coisas para as quais ninguém precisaria de me perguntar duas vezes. Sucederam-se quatro artigos, desde a Serra da Estrela aos Picos de Europa. Anos depois, creio que ainda continuam a ser boas referências.

À decima primeira edição fomos surpreendidos com o convite para a entrevista de capa, o que nos deixou orgulhosos. Algum tempo depois surgiu um outro convite para escrever regularmente um artigo de opinião. Num primeiro momento pensei que não teria assunto para muitas edições, mas rapidamente percebi que os temas, desde os mais humorísticos aos mais opinativos, iriam suceder-se de uma forma natural. Afinal, bastava ir em busca das opiniões e fundamentá-las. Dá trabalho, mas ajuda a definir e a compreender a própria forma como vivemos o geocaching. Quando dei conta já estava a tomar conta de mais um tópico por edição, à descoberta das caches e dos recantos mais interessantes que tinha encontrado. A necessidade de ter algo interessante para escrever, ou pelo menos tentar, acabava também por ser um incentivo para deixar o desconforto do sofá e ir à descoberta.

De todas as edições e de todos os artigos há um particularmente especial. Apesar do enorme pesar pelo desaparecimento do d3vil, das diferentes sensibilidades e das dúvidas sobre o sentido da nossa ação e de como poderia ser interpretada, avançámos para uma edição de homenagem que pretendia celebrar os momentos de partilha e os sorrisos de um grupo de amigos com uma pessoa especial e inspiradora. Ao olhar para trás, vendo o resultado e analisando a forma como a comunidade sentiu a homenagem e o legado que pretendemos deixar, sinto um orgulho enorme por ter participado na sua dinamização.

A GeoMagazine foi-se reinventando ao longo da sua existência. Passou por várias fases até que um conjunto de razões acabaram por ditar o seu fim. Não sei se será um fim com ponto final. Se todo o mundo é composto de mudança (e de fases), acredito que, mais cedo ou mais tarde, com ou sem algum acontecimento marcante à mistura, a revista regressará. Há sempre alguém generoso que persiste em reavivar as boas ideias. E a GeoMagazine foi das melhores ideias que já apareceram no geocaching nacional, tão natural como um lugar fantástico que está à espera de um passatempo tecnológico para se dar a conhecer.

Nestas situações, não gosto muito de personalizar as menções e/ou os agradecimentos. Há sempre alguém que pode ficar de fora e não quero ser injusto. Assim, agradeço a todos os que contribuíram para a revista ao longo das suas 27 edições. Eles sabem quem são. Obrigado pelo esforço, partilha, teimosia e ambição de quererem fazer do geocaching luso um lugar melhor!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt.

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no-reply@geopt.org (ValenteCruz) GeoMagazine Sun, 28 Jan 2018 10:00:00 +0000
O Waymarking Ocasional http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3876-o-waymarking-ocasional http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3876-o-waymarking-ocasional O Waymarking Ocasional

Como já havia mencionado antes, o Waymarking para mim tornou-se num hobby que pratico, essencialmente, quando estou de férias. É uma outra forma de ver o que há de novo e de cruzar com aquelas categorias (e que são muitas!) em que não tenho qualquer entrada. No entanto, por vezes, há waymarks ocasionais que passam algumas semanas ou meses na pasta das fotografias até que um novo olhar as revela como candidatas. A situação fica ainda mais caricata quando numa fotografia ocasional, sem sequer ter pensado em criar uma waymark a partir dela, esta não só encaixa perfeitamente numa categoria como faz parte de uma das 39 criadas até à data! Falo da minha entrada na categoria Old World Originals – Athens – Greece:  http://www.waymarking.com/waymarks/WMCXHG_Athens_Greece

A Old World Originals é cronologicamente a 116ª categoria no waymarking.com. Tem, como já referi, apenas 39 entradas e o seu objectivo é encontrar os locais do Velho Mundo que originaram novos locais no Novo Mundo. Neste particular, Atenas, na Grécia, deu lugar a outras Atenas, como por exemplo, Atenas, no estádio norte-americano da Georgia. Ora, a foto deu-se numa visita à Grécia em 2009. Foi uma foto da praxe, daquelas meio tolas que se tiram à saída do aeroporto, aquela que mostra onde chegamos, para o caso de haver dúvidas... É uma daquelas fotos que só se tira porque o digital já chegou e não custa “nada” guardar cada momento. Assim ficou durante alguns meses valentes. Em 2011, em mais uma visita ao site, encontro esta categoria ali meio perdida, com muito poucas submissões. Dou por mim a ler os requisitos, tomei notas no excel e continuei. A dada altura, lembro-me da foto de Atenas. Raios, era mesmo aquilo. Fotos, check! História, check! Submissão, check! Feito. Do nada entramos neste restrito grupo. Um golpe de sorte, não planeado. Fica o conselho, tirem fotos ao que se mexe, mas também ao que está parado. Num dia de chuva, daqueles que nem para o geocaching dá (haverá dias assim?), aproveitam e vão ver onde encaixa.

Resta ainda dizer que em Portugal existem 4(!) Waymarks desta categoria:

California – Portugal do tmob: http://www.waymarking.com/waymarks/WMAQYZ

Melgaço – Portugal do razalas - http://www.waymarking.com/waymarks/WMB5EQ

Guimarães – Portugal do razalas - http://www.waymarking.com/waymarks/WMJCN6

Nazaré – Portugal do viperunderground - http://www.waymarking.com/waymarks/WMD03M

Ou seja, a categoria mais antiga e com menos waymarks criadas tem, para já, quatro entre nós. Continuem!

 

Texto / Fotos: Hugo Silva (SUp3rFM & Cruella)

Artigo publicado na GeoMagazine#26

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no-reply@geopt.org (SUp3rFM & Cruella) GeoMagazine Fri, 20 Oct 2017 17:00:00 +0100
Mochila de escalada http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3809-mochila-de-escalada http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3809-mochila-de-escalada Mochila de escalada

Há algumas caches, perfeitamente identificadas pelas cinco estrelas de terreno afixadas nas suas descrições, que requerem algum material específico. Há quem use o poder imaginativo desenvolvido pela observação de muita televisão ou até use a simples presença a olhar para quem vai à cache num grupo numeroso, onde a maior parte não contribui para nada, para afirmar que encontraram a cache. Efectivamente isso não aconteceu pois a cache, no local onde foi escondida e cujo dono quer proporcionar um desafio a quem lá vai, não foi realmente encontrada. Foi uma aventura observada e não vivida. É como aplaudir uma maratona, a ver os corredores a passar e efectivamente percorrer os pouco mais de 42 km. Há uma ligeira diferença tanto no objectivo alcançado como na experiência vivida.

Assim, o material que vai na mochila não são binóculos nem espírito de observador, mas sim aquilo que permite chegar, em segurança, ao esconderijo da cache e que possibilita, a quem lá vai, dizer: encontrei a cache, também tenho mais um sorriso amarelo no mapa e, mais importante, consegui superar o desafio proposto e provavelmente elevei-me a um patamar de superação pessoal que nem tinha a certeza de conseguir alcançar.

Como a grande percentagem de caches no território luso que necessitam de material deste tipo não são de escalada pura, com recurso a material ainda mais característico, a minha mochila das cordas usualmente só tem aparelhos tanto para subir como para descer com recurso a cordas e demais acessórios.

Ao longo dos anos já usei várias soluções, de várias marcas e em várias situações. Com o tempo fui fazendo as minhas escolhas consoante as minhas preferências e gostos e perfeitamente adaptadas ao que faço, e que têm resultado sem nenhum problema. Há quem use outros aparelhos, outras técnicas e até não se sinta à vontade com o meu material eleito. Para mim é uma escolha pessoal, funcional e, com os mesmos cuidados de segurança, servem para alcançar os objectivos pretendidos. Requerem técnica, adaptação e conhecimento do material a uso. Mas isso é necessário em todo o equipamento a usar: saber como se usa e qual o seu modo de funcionamento de segurança.

Para transportar este equipamento uso essencialmente duas coisas, uma mochila de 25 litros e os sacos azuis da loja sueca. Estes duram bastante, servem até de tapete e ninguém se interessa por eles. Por vezes quando vamos para o ponto zero da cache parece que estamos ali um pouco deslocados mas tudo tem um propósito: facilitar o carregamento. Se o acesso à cache for mais complicado e incluir uma caminhada maior, o material é transportado todo às costas, em mochilas, e divididos por quem faz parte desse grupo.

Carrego habitualmente duas cordas semi-estáticas: uma de 9,5 mm com 70 metros e outra de 10 mm e de 13 metros. Em muitas das ocasiões só uso a corda mais pequena. É menor a tralha a arrumar e é menos dispendiosa a sua substituição. Para amarrações, árvores, pontes de rocha ou semelhantes, uso várias cintas e bocados de corda com vários tamanhos, e, para todos esses pontos de fixação, mosquetões de segurança. Não se abrem sem querer e não há necessidade de estar sempre a olhar para as amarrações. Em alguns casos, principalmente no alto, coloco um protector de corda para que esta não se estrague nas arestas.

Para material de progressão vertical cingi a minha escolha ao “gri-gri” (a primeira versão), ao punho (por opção só tenho o modelo para a mão esquerda) com pedal acoplado e à minha medida. Servem para se chegar ao objectivo e têm uma vantagem acrescida, nunca há necessidade de se retirar o ascensor/descensor da corda. Para descer já está tudo pronto limitando ao mínimo o erro do utilizador. Para conforto, principalmente no uso de cordas mais finas, uso umas luvas de cabedal. Para as vias ferratas tenho um dispositivo com dissipador de energia, só assim é garantida a segurança em caso de queda.

Depois há o material necessário para colocar a corda no local. Ou o acesso ao ponto é por cima, sem necessidade de malabarismos, ou o ponto de acesso é por baixo, caso das árvores, onde é imperativo colocar primeiro a corda lá por cima. Tenho um peso usado nestas coisas, um rolo de 50 m de corda de 3 mm e com uma técnica apurada ao longo dos tempos, com pontaria e alguma sorte, temos conseguido o que queremos: colocar a corda de maneira a que se chegue à cache. Quando isto não acontece por vezes há a necessidade de subir por patamares e aí já requer mais tempo e mais manobras de cordas. Estas são obviamente situações a evitar pois aumentam significativamente o tempo a chegar ao alto e felizmente não acontecem tantas vezes quanto isso.

Para complementar levo um capacete, mais uns mosquetões, alguns com segurança e um descensor (o vulgar oito) a usar com segurança (ou um simples prusik, que é uma corda mais fina e com um nó que trava, ou alguém a ajudar em baixo).

Para as caches de sobe e desce, este conjunto de material tem-me servido adequadamente, sem problemas, sem sustos e com bons resultados.

1 - Sacos azuis loja sueca

2 - Mochila

3 - Corda 70 m

4 - Corda 13 m

5 - Capacete e luvas

6 - Protector de corda

7 - Arnês

8 - Pedaços de corda e fitas

9 - Peso e corda para atirar

10 - 8, gri-gri, mosquetões e roldanas

11 - Longe via ferrata

12 - Punhos com pedal acoplado

13 - Mais fitas

Artigo publicado na GeoMagazine #26.

 

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no-reply@geopt.org (joom) GeoMagazine Sun, 13 Aug 2017 10:00:00 +0100
Uma Lackey nos Açores… http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3808-uma-lackey-nos-acores http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3808-uma-lackey-nos-acores Uma Lackey nos Açores…

No passado mês de Março os geocachers açorianos tiveram a oportunidade de conhecer e conviver com uma lackey! Foi um enorme privilégio ter entre nós a Cindy Potter (lackey Frau Potter), e durante três dias alguns geocachers micaelenses tiveram a oportunidade de a acompanhar em vários passeios, quer em ambiente urbano, quer em ambiente rural, na “busca” de várias caches (algumas pertencentes à GeoTour Azores).

A Cindy visitou a sede da GeoTour Azores, localizada no Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA) – Casa dos Vulcões. Local onde também se realizou o evento “A Lackey at Azores”, com a presença de mais de cinquenta pessoas, entre as quais várias entidades ligadas a esta GeoTour, nomeadamente o Dr. Rui Apresentação (adjunto da Sra. Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo), o Dr. Filipe Frias (Delegado de Turismo de S. Miguel) e a Dra. Verónica Almeida (chefe de Gabinete da Sra. Presidente da Câmara Municipal de Lagoa), entre outras entidades e autoridades.

Neste evento Frau Potter teve também a oportunidade de ver uma das maiores colecções, a nível mundial, de trackables (geocoins e TBs) das ditas geotours. De registar que, no evento, estiveram presentes geocachers de seis países, incluindo um casal de geocachers alemães que se deslocou propositadamente das Flores para S. Miguel, por forma a poderem participar no evento. Durante o evento aproveitou-se, claro, para se trocarem impressões sobre a GeoTour açoriana.

No dia seguinte a Cindy foi recebida pela Sra. Secretária Regional, Dra. Marta Guerreiro, em representação do Governo Regional dos Açores. Foi uma boa oportunidade para ambas as partes, o Governo Regional dos Açores e a Groundspeak, ficarem a conhecer um pouco melhor o Geocaching nos Açores e a sua GeoTour residente – única existente, até à data, em Portugal.

Para assinalar a passagem da lackey Frau Potter no arquipélago foi lançada uma cache tradicional (A LACKEY AT AZORES - https://coord.info/GC73CQ7), cache esta produzida em conjunto pelo própria Cindy e pelos elementos responsáveis pela GeoTour Azores, e que se encontra colocada junto à maravilhosa Lagoa do Fogo!

 

“Encontro entre o Geocaching HQ e a GeoTour Azores

A ilha de São Miguel é um destino perfeito para geocachers…

Conhecido como o "Hawaii do Atlântico", os Açores estão cheios de surpresas geológicas e de belas e tranquilas paisagens.

Em março de 2017, visitei a ilha com duas das minhas melhores amigas muggles. Imaginem o choque delas quando lhes disse que existem mais de 1.300 caches só em São Miguel, apenas uma das nove ilhas!

Utilizo no geocaching o nick Frau Potter e trabalho como o Diretora de Comunidade no  Geocaching HQ em Seattle, Washington, EUA. Viajo para trabalhar ou para jogar, gosto de conhecer a comunidade geocaching local e de explorar o território através de geocaching.

Tive a sorte de fazer geocaching em 16 países diferentes, incluindo uma viagem maravilhosa a Portugal continental no ano passado (graças aos revisores portugueses!). Portugal e os Açores estarão sempre entre os meus destinos favoritos para o geocaching. É a paisagem, a geologia única, mas também as pessoas!

Antes da minha viagem aos Açores, contatei a equipa da GeoTour Azores, Palhocosmachado (Luís) e pedro.b.almeida (Pedro). O Luís e o Pedro foram anfitriões muito calorosos e até organizaram um evento para mim, “A Lackey in the Azores” que se realizou num local muito interessante, o Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

Tivemos oportunidade de fazer geocaching juntos, e de reunir com vários representantes do governo que apoiam geocaching, incluindo a Dra. Marta Guerreiro, Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo. Esta secretaria financia a GeoTour e são grandes apoiantes do geocaching. Disseram-me inclusive que querem expandir o turismo nas ilhas, mas principalmente o turismo que se concentra na natureza. Que excelente combinação com o geocaching!

Um dos pontos altos da nossa viagem foi o dia completo de caminhada e aventura na Lagoa do Fogo com o Luís, seus amigos e a família. Depois de encontrar a EarthCache local, descemos até à lagoa e caminhamos com água pelos joelhos, encontrando caches ao longo da margem, até chegarmos ao lado oposto onde seguimos um trilho de uma reserva natural.

Agora que explorei a ilha de São Miguel, gostaria de voltar e visitar as outras ilhas dos Açores para mais aventuras geocaching!”

 

Cindy / Frau Potter

Geocaching HQ

Seattle, WA, USA

 Artigo publicado na GeoMagazine #26.

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no-reply@geopt.org (Cindy Potter/Luis Filipe Machado e Pedro Almeida) GeoMagazine Sun, 06 Aug 2017 10:00:00 +0100
Castelo do Rei Wamba http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3800-castelo-do-rei-wamba http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3800-castelo-do-rei-wamba Castelo do Rei Wamba

Nesta edição visitamos a lindíssima região de Vila Velha de Rodão para trazer para as páginas da revista um singelo castelo, um com uma vista privilegiada sobre o Monumento Natural das Portas de Ródão, ex-libris natural da zona. Acaba por ser interessante que, numa zona tão conhecida como esta do Rio Tejo, o castelo em si seja relativamente desconhecido.

O castelo, composto por pouco mais que uma torre-atalaia, normalmente conhecida como torre de menagem, pelas muralhas e por um templo religioso, o da Nossa Senhora do Castelo.

Sobre a fortificação pouco se sabe e como usualmente acontece nestes casos, há várias "teses". A mais disseminada é a de que o local foi habitado por um rei visigodo chamado Wamba, nome pelo qual é conhecido o castelo. 

Outros historiadores sugerem que a ocupação da zona remonte às invasões muçulmanas da Península Ibérica... nem sequer é consensual que a torre tenha sido erguida já no sec. XII ou XIII pelos Templários.

A única coisa que se pode apurar em todas as fontes que se consultem é a existência de uma lenda relacionada com o Castelo e o último grande rei dos Visigodos. A Lenda do Rei Wamba.

"Nas portas de Ródão do lodo do Beira Baixa (Norte do Tejo) vivia um Rei que tinha lá um Castelo que se chamava Rei Wamba e que dominava este lado. Este era um guarda avançado da Egitânia (Idanha-a-Velha). O lado de lá era dominado por um Rei Mouro.

A mulher do Rei Wamba perdeu-se de amores pelo Rei Mouro e este para a raptar tentou fazer um túnel que passaria por baixo do Tejo para a poder ir buscar.

Os cálculos do Rei Mouro foram mal feitos e o buraco saiu acima do nível das águas (conforme ainda se pode ver). A mulher do Rei Wamba entrou em pânico e o Rei Wamba descobriu a finalidade do buraco.

O Rei Wamba vendo a paixão que ela manifestava pelo outro, ofereceu-a então ao outro Rei como presente, mas sendo atada à mó de um moinho, rolando pelas encostas até ao rio Tejo. Pelo sítio onde passou a mó com a mulher do Rei Wamba atada nunca mais nasceu qualquer vegetação, conforme hoje ainda se pode verificar no local."

Fonte - http://www.lendarium.org/narrative/lenda-do-rei-wamba/?tag=775

Bem, há algo mais que se pode apurar com alguma facilidade, é a existência no local de um par de excelentes caches que, caso fosse necessário algo mais que a fabulosa paisagem e as suas enormes aves de rapina residentes, Abutres e Grifos, clamam pela nossa visita. A velhinha Far away, so close [GCF508] dos também míticos Greenshades e a Castelo de Ródão, Castelo do Rei Wamba [GC1NRAR] dos Candeia.

Gostava muito, mesmo muito, de poder falar um pouco destas duas caches mas a verdade é que não encontrei nenhuma delas aquando da minha visita ao local. A mais acessível estava interdita devido à presença de muglles, que não arredaram pé, e a dos Greenshades era demasiado desafiante para a ocasião. Lanço aqui o repto aos nossos leitores: que tal um pequeno artigo em nome próprio para uma próxima edição!? ;)

Artigo publicado na GeoMagazine#26.

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no-reply@geopt.org (Rui Duarte) GeoMagazine Sun, 23 Jul 2017 10:00:00 +0100
A vida ainda mais secreta das caches http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3795-a-vida-ainda-mais-secreta-das-caches http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3795-a-vida-ainda-mais-secreta-das-caches A vida ainda mais secreta das caches

Após as revelações adiantadas no último artigo sobre a vida secreta das caches, tornou-se notório que tinham ficado alguns casos por explorar. No enigmático mundo das caches que, depois de colocadas, ganham vida, este é um tema novo e ainda com muito para divagar. Porém, antes de retomar a explanação, gostaria de reforçar a advertência que caso qualquer geocacher venha a encontrar alguma cache desprevenida, com os plásticos nas mãos, deverá ter muito cuidado e agir como se não tivesse visto nada de anormal. Afinal, depois de ganharem vida, as caches também adquirem sensibilidade e desconhecem-se as consequências deste vislumbre imaginário. Feita a ressalva, esta é a vida ainda mais secreta das caches, com alguns dos tipos mais inquietantes.

Cache Acumuladora – Por vezes, ao abrirmos o recipiente de uma cache, notamos a existência de algum lixo no seu interior. Poderíamos pensar que se trata de uma má prática de alguns geocachers, que trocam itens por lixo. Sabe-se agora que algumas caches sofrem da síndrome de acumulação compulsiva. Quando notam alguma peça nas redondezas, mesmo que pareça ou seja lixo, arrebanham-na de imediato para si, julgando que mais tarde haverá de dar jeito para algo. Nem que seja um plástico de rebuçado para tapar um buraco. Por coincidência, estas caches estão a contribuir para o CITO. Depois da descoberta, apenas caberá aos geocachers levarem o lixo para o seu devido lugar.

Cache Incendiária – À primeira vista, a cache incendiária apresenta semelhanças com a cache acumuladora. Todavia, a sua natureza é bastante mais negra e terrificante. Estas caches têm a capacidade de gerar uma caixa de fósforos dentro de si. Uma vertente mais tecnológica deste tipo, designadas por icaches, são mesmo capazes de gerar um isqueiro. Tipicamente, estas caches encontram-se em ambientes naturais e possuem um distúrbio mental que as levam a tentar provocar incêndios. Contudo, não sabemos se alguma já terá sido bem-sucedida. Suspeita-se que este desequilíbrio poderá estar relacionado com a vontade de presenciar os helicópteros e aviões em ação. Cai então por terra a ideia descabida que alguns geocachers, irresponsavelmente, deixavam estes itens nos recipientes. 

Cache Transformista – É sabido que nem todas as caches ficam satisfeitas com os locais onde são criadas. O que poucos sabem é que algumas também não se identificam com o género com que vieram ao mundo. Numa época em que a sociedade geocachiana já está mais atreita a aceitar esta mudança, depois de terem saído do armário da cozinha pelas mãos dos seus donos, após ganharem vida, alguns recipientes decidem sair do armário dos preconceitos por si. As mudanças físicas podem ser mais ou menos drásticas, com mais ou menos silicone, tirando uma parte aqui ou acrescentando algo ali. À luz deste desenvolvimento, entendem-se agora certas transformações nos recipientes.

Cache Parideira – Muitos geocachers já encontraram mais do que um recipiente em algumas caches. Poderíamos pensar que tal estaria relacionado com o facto de alguns geocachers andarem sempre com um recipiente extra para reverter qualquer ameaça de DNF. Todavia, à semelhança do fenómeno geológico das pedras parideiras da serra da Freita, descobriu-se recentemente que certas caches têm a capacidade de dar à luz. Inclusive, e por incrível que pareça, algumas das caches-filhas nascem maiores do que as progenitoras. Após esta descoberta, alguns geocachers já iniciaram projetos de investigação sobre como poderão introduzir as caches parideiras na criação automática de powertrails.

Cache Cobradora – Já todos encontrámos moedas nas caches e pensámos: “Mas afinal, como é que este dinheiro aqui veio parar? Nem sequer existem pastelarias por perto para comprar um bolo!” Pois bem, ao ganhar vida, esta cache imagina que tem a profissão de cobradora. Algumas especializam-se em cobranças de impostos e trabalham para o governo do geocaching, outras trabalham para o governo dos seus donos, ajudando a pagar certas despesas do dia-a-dia, e existem ainda outras foram seduzidas pelo setor privado. Adverte-se ainda que algumas caches, mais agressivas, trabalham nas cobranças difíceis. Existem inclusive relatos de alguns geocachers que ficaram sem dinheiro depois de uma caçada que se transformou num encontro imediato com o fraque.

Cache Naturista – É fácil topar uma cache naturista. Enquanto a maioria das caches gosta de se manter dentro de plásticos bem reforçados, temendo o flagelo da humidade, as caches naturistas gostam de se libertar de preconceitos. À primeira vista poderia parecer falta de manutenção dos donos, mas percebe-se agora que são as próprias caches que dispensam os recipientes depois de ganharem vida. Algumas, um pouco mais comedidas, encontram-se envoltas por pequenos sacos plásticos. Outras, mais naturistas, apenas precisam de encontrar um buraquinho para guardarem o livro de registos, que por vezes é apenas uma única de papel ou um recibo que não interessa guardar. Poderíamos pensar que as caches naturistas prefeririam as zonas das praias, mas curiosamente o seu aparecimento ocorre mais em meios citadinos.

Cache Mágica – À semelhança da cache agente secreto, a cache mágica pode ser bastante difícil de encontrar. Para além de possuir capacidades ilusionistas que apenas os olhos mais treinados podem discernir, a cache mágica detém poderes que lhe permitem, entre outras habilidades, controlar o meio envolvente, como por exemplo a meteorologia. Sim, a meteorologia. Quem é que nunca fez planos para visitar uma determinada cache e sofreu na pele uma intempérie ou teve de alterar os planos? Quem é que nunca foi perseguido por uma série de azares que redundaram numa desistência? Pois bem, desconhecendo os limites dos poderes de uma cache mágica, o melhor é manter a tenacidade com um sorriso. É também por isso que certas caches são mágicas e persistem vivas nas nossas memórias.

Artigo publicado na GeoMagazine #26 e em Cruzilhadas.pt.

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no-reply@geopt.org (ValenteCruz) GeoMagazine Sun, 16 Jul 2017 10:00:00 +0100
Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3788-aldeia-historica-de-castelo-rodrigo http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3788-aldeia-historica-de-castelo-rodrigo Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo

Esta é uma crónica que remonta a 2015. A DEXcobertas ainda estava a dar os seus primeiros passos, e nunca nada foi escrito sobre esta aventura. É então um recordar de memórias há já muito “arrumadas”, mas que sabem sempre bem recordar de tão boas que são.

 

A visita a Castelo Rodrigo surgiu como complemento a uma passagem pela “Recriação histórica do cerco de Almeida”. Esta, uma espécie de feira anual onde todos se vestem com trajes do séc. XIX, tem o seu ponto alto na recriação do cenário de guerra que se viveu em Almeida a quando das invasões francesas, e que terminou com a rendição dos ingleses e portugueses às mãos dos invasores franceses.

Porém, se esta foi uma recriação engraçada de se ver, a meu ver a visita a Castelo Rodrigo foi muito superior. Não por apenas ter um certo fascínio por castelos e aldeias históricas, mas também porque encontrei em Castelo Rodrigo uma pequena aldeia que ao longo dos tempos infelizmente se foi degradando, muito fruto da sua progressiva falta de importância ao longo dos séculos.
Felizmente a situação está a mudar, fruto da sua classificação como Aldeia Histórica de Portugal.

Mas comecemos pelo início da visita. Não em Castelo Rodrigo, mas a uns 2 Km’s da aldeia, no antigo mosteiro de Santa Maria de Aguiar. Também este praticamente abandonado, foi residência de monges beneditinos nos seus primórdios. No entanto com o passar do tempo foi também ele perdendo importância até ser abandonado por volta do séc. XIX. Mas pelas suas dimensões e arquitectura gótica, é um ponto de visita a não descorar numa passagem pela zona.

Chegados à aldeia, o acesso ao seu interior pode ser feito por duas portas – a Nascente, ou Porta do Sol; e a Poente, ou Porta do Largo de São João. Embora exista outra entrada criada mais recentemente. A primeira, sob um bonito arco de pedra é a que mais vezes surge em postais da aldeia. Nela podemos observar um bonito efeito criado ao nascer do Sol, onde em pano de fundo podemos avistar o Mosteiro de Santa Maria de Aguiar e a fronteira com Espanha. A segunda, provida de uma abóbada de berço e arco plano, é o único registo ainda existente de uma igreja de evocação a São João Batista.

E entramos então na aldeia pela Porta do Sol. Primeira paragem - o casario. Tal como as outras aldeias históricas, preserva ainda o traço original das casas de pedra, com pequenas portas e janelas embelezadas com heras e outras pequenas plantas. Poucos deverão ser ainda os aldeões que nelas habitam. Ou pelo menos assim aparentou dado o reduzido número de aldeãos com quem me cruzei.

Segue-se o castelo. Completamente em ruinas, a sua construção data provavelmente do século XIII. Provavelmente, porque não existem dados concretos. Subimos a escadaria de acesso à porta principal, e lá dentro vamos encontrar grandes paredes de pedra. Nestas, dado o seu estado de degradação, é difícil perceber onde seriam os compartimentos do castelo.
Dali podemos ainda aproveitar para circundar o monumento e observar as paisagens em redor da aldeia para melhor compreender a escolha do local para a construção do vilarejo. É que dali podem-se avistar inúmeros Km’s de área, e ajudando na prevenção de movimentos bélicos inesperados!

Saindo então do castelo, regressamos ao casario da aldeia. Desta vez já não apenas para ver as bonitas casas, mas sim os diversos monumentos por ali espalhados. E o destaque vai claramente para a antiga cisterna. Um legado da presença judaica, que se acredita ter sido uma antiga sinagoga, onde seria em parte usada para o culto e noutra parte para banhos litúrgicos. Mais tarde aquando da expulsão dos judeus da região, acabou destruída para depois ser reconvertida num reservatório de água. A profundidade é de uns “meros” 13 metros!

Por perto, a Igreja Matriz. Não apenas uma “mais” igreja, mas construída com um intuito além do espalhar a palavra de Deus. Foi ponto de assistência aos peregrinos compostelanos que por aqui passavam (e passam) na sua jornada até Santiago de Compostela, podendo estes aqui repousar e reabastecer-se de energias para a longa jornada que ainda lhes faltava.
Também este monumento data do século XIII.

Por fim, e subindo novamente até á parte mais alta da aldeia, o antigo Palácio de Cristóvão Moura. Uma imponente obra arquitectónica, que remonta aos tempos da dinastia Filipina, e que serviu de residência a Cristóvão Moura, conselheiro predilecto de Felipe II de Espanha e mais tarde 1º Marquês de Castelo Rodrigo. Acabou incendiado e destruído após o fim da dinastia Filipina em Portugal.

E assim estava concluída a visita à aldeia. Uma visita bastante interessante, que ainda hoje está bem gravada na memória, uma vez que é talvez das mais belas aldeias históricas que já visitei.

Antes de terminar, referir o interessante facto da aldeia ser a única em Portugal que ostentou o seu brasão no sentido inverso (“com a coroa para baixo”), como forma de D. João I punir o povo de Castelo Rodrigo pelo seu apoio a D. Beatriz na Guerra da Independência.

 

João Cruz (DEXcobertas)

 

 Artigo publicado na GeoMagazine#26.

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no-reply@geopt.org (DEXcobertas) GeoMagazine Sun, 09 Jul 2017 10:00:00 +0100
Rotas do vale do rio Bestança http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3785-rotas-do-vale-do-rio-bestanca http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3785-rotas-do-vale-do-rio-bestanca Rotas do vale do rio Bestança

O rio Bestança, considerado um dos mais limpos da Europa, nasce nas Portas do Montemuro e atravessa um vale luxuriante. Ao longo das eras, o rio foi sulcando o seu leito, rompendo a aspereza da penedia, até encontrar o rio Douro em recantos mágicos (GC6FCRQ), perto de Souto do Rio.

Existem dois percursos pedestres que podem ajudar à descoberta deste vale de natureza encantada. O PR1 – Caminho do Prado (circular – 7 km) e o PR2 – Rota do Vale (linear – 18 km). Não será por acaso que a edilidade cinfanence tenha escolhido o mesmo contexto para a duas primeiras incursões pelo pedestrianimo. A possibilidade da escolha entre dificuldades distintas permite abranger mais caminhantes, assim haja vontade esticar as pernas pela beleza natural circundante, quer se vá do vale à montanha ou da montanha ao monte.

O Caminho do Prado desenvolve-se por caminhos e trilhos envolventes ao rio Bestança e passa pelas localidades de Vila de Muros, Covelas e Vale Verde. O percurso tem início no Largo da Nogueira, em Vila de Muros. Sendo um percurso circular, é possível escolher qualquer um dos sentidos. Descendo em direção ao rio e seguindo por uma calçada antiga, encontraremos a ponte românica de Covelas (GC1DRTG). Ainda que pareça de origem medieval, na realidade é mais recente, de estilo barroco e construída em granito.

Depois da aldeia de Covelas, o trilho afasta-se da civilização e segue por terrenos agrícolas que foram sendo abandonados ao longo do tempo. Um dos aspetos mais fascinantes deste percurso, para além da envolvência natural, reside no reencontro frequente com antigas casas que sucumbiram à inacessibilidade. Talvez não esteja tão afastado o tempo em que esse mesmo isolamento servirá como um motivo para o regresso de algumas pessoas, assim como para a reconstrução dos edifícios. Assim esperemos.

Seguindo pelas veredas, ao cruzarmos novamente o rio encontraremos o local que dá nome ao caminho. Trata-se de um refúgio recuperado, inserido num espaço bucólico e verdejante. Passando por outros prados e continuando pelo trilho, encontra-se mais uma calçada antiga que segue para Vale Verde, continuando depois por asfalto até Vila de Muros.

Sendo um percurso linear, é possível iniciar a Rota do Vale em Vila de Mouros (subida) ou nas Portas do Montemuro (GC1223G), junto à capela das Portas (descida). Fazendo o percurso no sentido ascendente, a parte inicial coincide com o Caminho do Prado. Após o prado, a rota prossegue por trilhos e caminhos que vão caindo em desuso. O abandono vai-se fazendo notar e a Natureza, sempre verdejante, parece estar a recuperar para si o que antes tinha sido emprestado ao Homem.

Perto de Soutelo, o rio encontra um dos cenários mais fantásticos do vale, quando tem de galgar as Fragas de Penavilheira (GC561AQ). A água precipita-se em três cascatas sucessivas até voltar a encontrar alguma mansidão. No sopé crescem carvalhos alimentados pela água do rio e por levadas que contornam as fragas. Vale bem a pena explorar este recanto, ainda que esteja um pouco escondido.

Logo depois das fragas encontramos um dos pontos mais caraterísticos do vale do rio Bestança, a ponte de Soutelo, datada da época medieval. Construída em pedra, com um arco de volta perfeita, é formada por lajes de grandes dimensões e parece enquadrar-se muito bem na paisagem envolvente. Chegando a Bustelo, é possível visitar a eira comunitária da aldeia, que vai resistindo aos ritos da modernidade.

 

À medida que nos afastamos do rio, as encostas tornam-se mais escalvadas. Porém, olhando para trás, consegue-se açambarcar o vale numa visão inteira e verdejante. Mais acima, depois da aldeia de Alhões, as Portas do Montemuro marcam o final de uma caminhada com muitos motivos de interesse, num dos vales mais fantásticos do Douro.

Recomenda-se ainda uma visita à Quinta do Paço da Serrana (GC309M8), votada ao abandono e que possui uma posição privilegiada sobre o rio Douro. De um valor patrimonial e natural inestimável, pertenceu à família do famoso explorador africanista Serpa Pinto. No final, ficará certamente a vontade de regressar a este vale encantado.

Artigo publicado na GeoMagazine#26 e em cruzilhadas.pt.

 

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no-reply@geopt.org (ValenteCruz) GeoMagazine Sun, 02 Jul 2017 10:00:00 +0100
Edição 26 – GeoMag http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3781-edicao-26-geomag http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3781-edicao-26-geomag Edição 26 – GeoMag

Sim, estamos de volta! :)

Como de certo repararam, a geomag mudou a sua periodicidade de bimestral para trimestral. O maior e mais imperativo motivo para que isto tenha acontecido foi mesmo a falta de disponibilidade de toda a equipa core da geomag. Houve novos bebés na equipa, novos desafios profissionais e toda uma vida para lá do geocaching que merecia muito mais atenção. Por isso, e em nome de toda a equipa, o nosso muito obrigado por se manterem aí desse lado, sempre prontos e ansiosos por novas magazines para desfrutar.

Posto isto, a edição #26 da vossa geomag é um pouco mais curta que habitual, mas sempre com muita qualidade. Nesta edição decidimos virar o feitiço contra o feiticeiro e entrevistar o entrevistador. Falo do Rui Duarte, que faz as honras da capa desta edição. Depois eu próprio levo-vos a um destino algo invulgar mas com muitos pontos de interesse e aqui mesmo ao lado – Mérida. Aconselho! Dentro da temática da Foto-Reportagem, temos ainda uma excelente reportagem do Trilho dos Apalaches pelo ZéSampa, das Rotas do vale do rio Bestança pelos Valente Cruz e do Azorean Geotour 2016 pelo Zoeklopers. Isto tudo dentro de uma edição é obra!

Depois temos ainda os habituais castelos, cruzilhadas, waymarkings e a coluna da Annie Love. Tudo bons motivos para desfrutarem desta edição! Boas leituras!

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no-reply@geopt.org (Filipe Sena) GeoMagazine Tue, 27 Jun 2017 17:00:00 +0100
Cache em destaque: Boquilobo http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3765-cache-em-destaque-boquilobo http://www.geopt.org/index.php/geopt/iniciativas/geomagazine/item/3765-cache-em-destaque-boquilobo Cache em destaque: Boquilobo

A “época das chuvas” aproxima-se do seu final e não queria deixar passar em branco (mais um)a visita de Inverno a este belíssimo local!

O Paúl do Boquilobo é um local muito especial e com características muito próprias, mesmo tendo em conta que é uma zona alagadiça, pelo menos do que toca a incautos visitantes, menos prevenidos para os humores do local… cada vez que ouço dizer que nevou na Estrela e que o acesso à Torre está fechado, lembro-me do Boquilobo! Se não chove está muito seco, se chove muito está intransitável. J

Realmente, para que quer “apenas” passear, o “Boquilobo tem gaitas” (expressão que ouço muitas vezes na zona do Ribatejo). A razão desta minha (re)visita ao local prendia-se maioritariamente com a observação de Aves Invernantes, e aproveitada para dizer olá à Geocache homónima do local, a Paul do Boquilobo [Golegã] [GC10ZPT].

Tomemos a indicação de alguns companheiros(as) para melhores percebermos como programar a nossa visita a este belíssimo local…

Ora, em finais de Julho, pleno verão, não… que o diga o M-Rock: “Provavelmente escolhemos mal a altura do ano para fazer... não só devido ao calor que se fazia sentir, como a ausência de água no paul, como é costume ver! Contudo, isso não nos fez demover da nossa intenção! Assim que chegámos encontramos o Arqº responsável pelo paul... que nos deu uma breve explicação acerca do paul e das espécies de aves que ali existem! Foi muito interessante!

Mais uma vez... ele chamou-nos à atenção que não seria a melhor altura para fazer este percurso...(…) O trilho é muito interessante e certamente noutra altura do ano será muito mais bonito!”.

Ao Coatfish não lhe faz diferença ir em Agosto, é um visitante regular e a altura mais seca acaba por ter outros motivos de interesse: “(…) é uma bela cache e aconselho a visitar o local pois é óptimo para dar uma caminhada ou ir de bicicleta, para os observadores de aves como eu apesar de se ver muitas aves nos sobreiros (pica-paus malhados grandes e galegos, chapins, estorninhos, águias e peneireiros) a melhor altura para ir ao boquilobo e ir ao observatório é no inverno/primavera pois observam-se as aves que estão cá de passagem, dos países do norte da europa (…)”

O dmdias sabia ao que ia e o que pretendia encontrar mas em Outubro, regra geral, ainda não choveu o suficiente para dar aquele brilho tão especial que a zona tem: “Desconhecia o Paúl do Boquilobo, e a ideia que tinha era de um local onde se podia observar várias espécies de animais...não sei se é por ser uma época do ano em que a vegetação está bastante seca e não existem ribeiras nem lagoas, mas não vimos por lá animais nenhuns à excepção de um corvo.

Fiquei um pouco triste pois ia a contar de aproveitar para ver várias espécies de animais por ali...”

A aproximação da chegada de Novembro altera completamente a experiência… que o diga o F3P que três semanas depois da altura em que o dmdias visitou o espaço, encontrou algo já completamente transformado: “(…) o parque do boquilobo é realmente uma relíquia em termos de fauna e flora, dei um bom passeio a pé e deu para absorver essa informação, só é pena o acesso pelo menos ao ponto de consulta turística estar em muito mau estado, e agrava-se mais com as chuvas (…)”

E chegámos ao Inverno. A melhor altura para visitar a Reserva e ter um cheirinho do que a mesma é e dos valores presente e que a levara à sua condição de protegida, oiçamos o John Snow que, na segunda metade de Novembro lá foi passear: “Cache feita durante uma visita guiada ao Paul, para observação de aves, na companhia de um simpático grupo de muggles. (…) Sobre o Paul do Boquilobo, é um local que aconselho toda a gente a visitar, sendo esta altura do ano muito boa.”

Mas são as palavras do Paulo Martins que, em jeito de resumo da matéria dada (aquando de uma visita em finais de Fevereiro), melhor nos podem seguir de guia para futuras visitas: “O que aprecio mais na Reserva Natural do Paul do Boquilobo são as diferenças do local de uns meses para os outros. Por exemplo:
Hoje foi possível ver que os terrenos estão alagados (daí o nome de Paul). Quando o sol começar a aquecer (Março marçagão… manhãs de Inverno, tardes de Verão) podem-se ver as fataças a saltar nos campos, que dois meses depois servirão de pasto para animais ou terreno de cultivo (milho, girassol). No verão… fica tudo seco e no Outono, se chover… o ciclo reinicia-se ficando tudo novamente alagado. É fabuloso!
Dependendo da época do ano, o Paul do Boquilobo transforma-se e até o visitante mais distraído apercebe-se que alguma coisa mudou.

Quanto às aves, esta pode não ser a época do ano por excelência, contudo ainda pode observar algumas espécies enquanto passava de bicicleta:
Pato Real (Anas platyrhynchos), Garça Boeira (Bubulcus íbis), Cegonhas (Ciconia ciconia), Verdelhões (Carduelis chloris), Pintassilgos (Carduelis carduelis), Melros (Turdus merula), Pardais (Passer domesticus), Garça Real (Ardea cinerea) e o Galeirão Comum (Fulica atra).”

 

Confesso que a mim, que ia em busca dos nossos amigos de penas e que sabia mais ou menos o que esperar deles, o que me surpreendeu de verdade foi encontrar o logbook original desta cache… afinal, fez dez anos de existência ainda este mês e não está escondida nos confins das montanhas… é uma T1,5/D1 a mera caminhada de 15/20 minutos. Tem sabido envelhecer em grande estilo.

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“A Reserva Natural do Paul do Boquilobo (RNPB) acompanha um troço do rio Almonda, que nasce na Serra de Aire e desagua na margem direita do Tejo, constituindo uma zona húmida com características de paul, inundada sazonalmente pelo transbordo do Almonda e do Tejo.

A dinâmica hídrica do paul, num ano hidrologicamente normal, inicia-se após as primeiras chuvas, gerando a subida dos níveis, fenómeno que ocorre por norma em outubro-novembro, situação que se mantém até finais de abril, princípios de maio.

O clima caracteriza-se por constituir uma peculiar transição entre as condições mediterrânicas e atlânticas, sendo por isso húmido, de temperaturas médias e com grande deficiência de água no verão.

Destaca-se a presença de uma importante colónia de ardeídeos que depende inteiramente das zonas permanentemente alagadas, utilizadas para nidificação, repouso e alimentação. As espécies que aqui nidificam são por ordem de grandeza numérica - garça-boeira, garça-branca-pequena, goraz, garça-cinzenta, garça-vermelha e papa-ratos. O colhereiro nidifica igualmente nesta colónia e merece especial referência por ser, em Portugal, um dos seus poucos locais de nidificação. Recentemente tem-se verificado a nidificação de íbis-preta e de corvo-marinho-de-faces-brancas. Contabilizando a cegonha-branca e um ou dois casais de milhafre-preto constata-se que esta colónia tem um total de 11 espécies, o que é único em termos nacionais e raro a nível europeu.”

Fontes: Paul do Boquilobo [Golegã] - GC10ZPT // http://www.icnf.pt/portal/ap/r-nat/rnpb 

Texto/Fotos: Rui Duarte (RuiJSDuarte)

Artigo publicado na GeoMagazine #25.

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no-reply@geopt.org (RuiJSDuarte) GeoMagazine Fri, 19 May 2017 17:00:00 +0100