18de Novembro,2018

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ValenteCruz

ValenteCruz

Saturday, 06 October 2018 17:00

Desfiladeiro das Xanas

Encantados com a região asturiana, num dia adicional por Somiedo fomos visitar o espetacular desfiladeiro das Xanas (GC75T22), um percurso esculpido na rocha e inserido numa paisagem verdejante, entre as aldeias de Villanueva e Pedroveya. Apesar das dúvidas na véspera, a previsão de chuva evaporou-se na neblina e decidimos ficar mais um dia do que o previsto para conhecermos este monumento natural.

Na ida descobrimos outro motivo para regressarmos à cordilheira, ao percorremos o vale da Senda del Oso. O longo percurso, convertido em ciclovia, acompanha algumas linhas de água no sopé da cadeia montanhosa e veio substituir uma antiga linha ferroviária de escoamento de minério.

Curva após curva, lá chegamos às Xanas. Depois de estacionarmos subimos pela estrada e entrámos então na desejada rota pela garganta do rio Xanas, reconhecido como uma pequena rota de Cares. Há alguns anos também descobrimos a rota original, mas em boa hora não descuramos esta. A dimensão e as distâncias podem ser distintas, mas a beleza e a vertigem do desfiladeiro tem pormenores semelhantes.

Fomos avançando no trilho, alternando o olhar entre as encostas escarpadas, os túneis escavados e os raros vislumbres do rio, do qual nos fomos aproximando aos poucos. Em algumas passagens, ao espreitar-se o fundo vazio, sente-se um certo arrepio pela altura, mas o trilho é tão seguro quão espetacular.

Quando encontramos o rio o percurso transformou-se; deixamos de caminhar pelas ravinas e fomos envolvidos por uma floresta muita densa, húmida e luxuriante, onde o sol raramente entra. Passámos depois pelas ruínas do antigo moinho (GLWV13P1) e pela ponte, contornando o caminho pelo ribeiro da Boya.

Ao chegarmos ao prado que fica antes de Pedroveya, e já com as vistas desafogadas sobre o vale, aproveitámos para almoçar. Continuámos depois pela aldeia e cruzámos ainda Dosango, que parecem ter parado no tempo. Apanhámos então a descida pela outra encosta, onde tivemos a oportunidade de ver alguns cavalos, e chegámos por fim ao nosso destino.

Inicialmente havíamos decidido realizar o percurso circular, para não voltarmos a passar nos mesmos sítios, mas se fosse agora teríamos voltado pelo desfiladeiro, pois a sua magnificência merece qualquer regresso!

O percurso pode ser visto/descarregado aqui.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Sunday, 02 September 2018 17:00

Lagos de Somiedo

Quem vai a Somiedo inevitavelmente acaba por visitar o Lago del Valle (GC2E8GK). Parece haver uma força mística que nos leva a subir o vale e descobrir aquele local recôndito na base de um circo montanhoso de picos encantadores. Manhã cedo, seguimos de carro para Valle del Lago e estacionamos logo depois da aldeia pitoresca, encravada no leito de um vale talhado pelo tempo.

Ladeados por penhascos que nos roubam a atenção a cada vislumbre, lá iniciámos a caminhada. Um pouco mais acima o trilho divide-se entre o sol e sombra. Nós fomos pela sombra, que oferece vistas generosas sobre o vale, e regressamos pelo sol, mais suportável a descer. Ao longe, a vida dos cowboys seguia com a mesma cadência de calmaria secular.

Na chegada, cerca de 6 km depois, o lago surge como um encantador cálice natural, rodeado por encostas íngremes e penhascos sobrepostos. Decidimos então contornar o manto sereno de água. A meio da travessia fizemos uma paragem para um almoço especial, tendo sobre mesa a natureza.

Para além da imagem emoldurada do lago é ainda possível visitar uma casa típica das brañas de Somiedo, o teito. No regresso optámos por fazer um desvio do trilho oficial e descemos por um percurso pelos campos, onde tivemos a oportunidade de estar com dois cavalos muito curiosos.

Os lagos de Somiedo não se esgotam no Valle. Inicialmente tínhamos definido que juntaríamos este lago com os de Saliencia num percurso conjunto. Porém, bastou um pequeno vislumbre do quão espetacular é região para percebermos que valia a pena aproveitarmos os trilhos e os percursos com calma e em dias distintos.

A visita aos lagos de Saliencia acabou por coincidir com nossa despedida do parque, pelo que foi em grande e inesquecível. Após uma ascensão matinal à Peña Ubiña de contornos memoráveis, chegámos ao Alto de Farrapona, local mítico das Vueltas, por volta das 16h. Inicialmente ainda tivemos dúvidas se conseguiríamos fazer o percurso circular pretendido, mas tal acabou por ser viável.

O trilho inicial faz adivinhar que algo espetacular está prestes a acontecer e quando alcançamos o lago La Cueva ficamos cheios de certezas sobre a beleza do trilho. As vistas do caminho sobre o lago são fantásticas! No seguimento da caminhada fizemos uma paragem na placa informativa para um momento de geocaching (GC613EM) e ficarmos a conhecer mais alguns pormenores sobre os lagos.

Prosseguimos depois pelo trilho oficial e encontramos de seguida o seco e tristonho lago Almagrena seco, mas ainda assim verde. Contornámos depois o lago Cerveriz e chegámos por fim ao encantador lago Calabazosa. No penhasco, as vistas do ponto de chegada são incríveis! Possivelmente, é o mais fantástico da zona.

Contornámos o lago pela direita e prosseguimos depois até chegarmos à encosta sobre o lago La Cueva. Esta parte do trilho, sobranceira sobre o lago, é também fantástica. Parece tendencioso usar tantos adjetivos positivos, mas a verdade é que o trilho circular dos lagos é verdadeiramente espetacular. Quase a reencontramos o acesso ao Alto de Farrapona ainda tivemos tempo para apreciarmos mais um teito asturiano.

É possível juntar os dois percursos num único, mas Somiedo merece o nosso tempo e a nossa atenção. Eis os possíveis tracks dos percursos:

 Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Saturday, 21 July 2018 17:00

Lameirinha e Nariz do Mundo

Numa altura em que o país parece ter despertado de um tempo de abandono assumido do interior, seguimos rumo a Norte em busca de uma portugalidade interior que se vai reinventando para escapar a um certo destino litoral. Pretendíamos visitar a mítica Casa do Penedo, no salto da Lameirinha, e o não menos conhecido Nariz do Mundo, em Cabeceiras de Basto.

Passámos por Fafe e seguimos na direção da serra. Logo depois chegámos à Lameirinha (GC16670), local do famoso salto do rally. No alto da colina avistámos a Casa do Penedo, cujo terreno estava rodeado por uma vedação. Passámos suavemente pela rampa e estacionámos logo depois. Aproximou-se então um senhor, que viemos a descobrir ser vigilante, e ficámos a saber que era possível visitar o interior do terreno. Após fotos e mais fotos da casa, descemos um pouco a colina e estacionámos na pequena piscina cravada no granito. Ainda nos sentimos tentados a perguntar se poderíamos aproveitar o verão, mas acabámos apenas tirar mais algumas fotos. Entretanto, ficámos a conhecer melhor a história da casa, exemplo de comunhão de construção humana e natureza. Mais além, a paisagem estendia-se por colinas sobrepostas até ao horizonte.

Da Casa do Penedo seguimos para Moscoso em busca do Nariz do Mundo. Com a aproximação da hora do almoço resolvemos repensar os planos. Já tínhamos ouvido falar do restaurante homónimo, bastante famoso no Norte, mas desconhecíamos o que iríamos encontrar. Percebemos de imediato que deveríamos ter reservado a presença, mas ainda conseguimos arranjar um cantinho. Seguiu-se uma das melhores e mais peculiares experiências gastronómicas que já tivemos. Quando chegámos à mesa já lá estava uma garrafa de vinho a convidar a escolha imediata; o generoso bife grelhado de vitela estava fantástico e já nem considerámos a oferta para provarmos a chanfana; “sobremesa? não é preciso ementa, tomem lá esta travessa de doces tracionais e sirvam-se à vontade”. Pelo meio, fomos misturados na festa/encontro anual da família Leite e quando nos apercebemos já andávamos a celebrar com desconhecidos. E tudo por menos do que pensávamos. Enquanto uns se entretêm com estrelas Michelin a saber a pouco, ali cultiva-se a arte de cozinhar e encantar com sabores que o tempo apurou.

Finda a refeição, seguimos ao encontro do Nariz do Mundo, o original (GC4HTX1). Trata-se de um cabeço proeminente sobre o vale de Moscoso. Porém, para lá chegar é preciso caminhar e desgastar. Seguimos pelo caminho mais longo e fomos descendo a encosta do lado direito do rio. À medida que fomos descendo, a vegetação envolvente foi crescendo. Mais abaixo fomos envolvidos por um arvoredo de faias, cedros e carvalhos que a tudo resiste, desde o tempo aos incêndios. Ao chegarmos ao rio aproveitámos para tomarmos um banho reconfortante e seguimos depois pela subida da outra encosta. Sempre com os olhos no vale, contornámos o monte e iniciámos a subida pela outra vertente que nos haveria de levar à antiga casa florestal, que vai mantendo as janelas e as portas emparedadas à espera de melhores dias.

Já com vistas largas para Moscoso, descemos pelo trilho que nos haveria de levar finalmente ao Nariz do Mundo. De cada lado, vales cavados que chegam ao fundo de quantas eras ali se fizeram. Em dias de nevoeiro o pico deve parecer a proa de um navio a zarpar pelo mar. Em dias de bom tempo, o lugar oferece umas vistas triunfantes sobre o horizonte. A civilização apenas ali chegou para colocar uma placa informativa e tudo o resto é natureza. Fomos guardando os vislumbres em fotos vertiginosas e retomámos depois o caminho. Mais abaixo, o rio corria de cascata em lagoa e convidava a novo banho, mas o sol já se tinha escondido do fundo do vale. Cruzámos o rio e ainda fomos espreitar a Cascata das Relvas, antes de reencontrarmos o merecido descanso em Moscoso. No total, os cerca de 10 km foram percorridos em pouco menos de 5 horas (ver track). Do Nariz do Mundo trouxemos memórias de uma paisagem grandiosa e uma experiência gastronómica para recordar. Até ali e até qualquer dia, por essa portugalidade interior reencontrada, Basto num regresso!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

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