16de Fevereiro,2019

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ValenteCruz

ValenteCruz

Monday, 14 January 2019 10:00

Silhas dos Ursos ao Pé de Cabril

“Há sítios do Mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este Gerês é um deles. (...) Pisava, realmente, a alta e livre terra dos pastores, dos contrabandistas e das urzes. (...) Na margem de lá, o Pé do Cabril, solene, esperava o abraço duma ascensão.”

Miguel Torga, Diário

Os excertos são conhecidos. A beleza da natureza transformada em palavras inspiradoras pela mestria de quem conhecia os seus segredos. Para quem não os conhece, parecem um lugar-comum. Mas é um lugar feliz e sobretudo um lugar onde se deve sempre regressar.

Quando, em 2011, visitámos o Pé de Cabril num dia de nevoeiro sebastiânico, ao sabor da fantástica aventura e grande desafio Mestrado no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), ficou a promessa de regressarmos num dia de vistas desafogadas. Finalmente, cumprimos esse destino e o local ganhou em definitivo um lugar especial no topo de experiências no mundo encantado do Gerês.

Ao invés de subirmos desde a Portela de Leonte apanhámos o trilho das Silhas dos Ursos. Há muito tempo que os ursos deixaram de habitar esta região, mas as estruturas arcaicas no topo de penedos para evitarem que os gulosos roubassem o mel das colmeias ainda subsistem.

Deixando a estrada que liga a Vila ao Campo do Gerês, seguimos pelo caminho de terra na direção do miradouro e casa da Junceda, que infelizmente se encontra num estado lamentável. Ainda assim conseguimos levar o carro até ao parque do miradouro. Entrámos depois no trilho e embrenhámo-nos da serra. A primeira parte oferece uma variedade de árvores muito interessante e fotogénica. Depois, as árvores dão lugar a vegetação mais rasteira e o horizonte torna-se mais acidentado.

Após a primeira subida fizemos o primeiro desvio para um pico e para a primeira visão da albufeira de Vilarinho da Furna. Ao chegarmos à bifurcação seguimos para nordeste em busca do prado de Gamil, onde a albufeira já revelou um pouco mais da sua grandiosidade. Mais à frente, fizemos mais um desvio no trilho e alcançámos a esplendorosa visão das Linhas do Redondelo, onde o espelho de água já surgiu quase inteiro.

Com os olhos postos na antiga aldeia que sucumbiu ao corropio desenfreado da modernidade, senti um misto espanto e lamento pela existência da albufeira. Acabou por sobressair o lamento, na certeza que a barragem afogou património cultural ímpar e recantos naturais de encher o olho. Porém, subsistem outros. Podemos julgar que já conhecemos o PNPG, mas existirão sempre locais fantásticos para descobrir. Este penedo sobre a albufeira é um excelente exemplo.

Continuando a viagem, voltámos ao trilho, passámos pelo prado que fica antes do Pé e resolvemos almoçar com vista para a albufeira da Caniçada. O sol oposto prateava o manto sereno, ladeado pelas encostas sobrepostas. Cantamos os parabéns à natureza e seguimos depois à conquista final do Pé de Cabril, o pêndulo geresiano.

O acesso final ao Cabril parece uma caça ao tesouro da natureza. O trilho sobre a encosta junto ao maciço e desaparece num penedo, que oferece uma passagem pelo interior para a continuação da aventura. Depois de passarmos por uma árvore moribunda com vista para a albufeira, o trilho sobe até à plataforma de acesso ao topo. Segue-se a famosa passagem da via ferrata, um pequeno Hillary Step lusitano, como a placa colocada no local indica. O desafio acaba por ser mais psicológico, dado o vazio próximo, mas a perigosidade real esfuma-se numa margem de segurança rochosa.

Depois da passagem, o caminho para o topo ainda tem mais alguns truques, em que o fundamental é recordar que se o acesso parece demasiado perigoso, então é porque não deve ser por ali. Furando por mais uma túnel da rocha, chega-se por fim ao topo, onde nos aguarda uma vista triunfante de 360º, encimada por um azulejo da alegada aparição de Fátima. É um elemento estranho naquele cenário natural, mas na verdade já vi coisas mais estranhas.

Ainda que se descortinem todas as vistas e se tirem todas as fotos, parece que falta sempre aproveitar algo. Mas o tempo não para e importa respeitar o horário de retorno da caminhada, que o sol de inverno não para em contemplações. A descida da via ferrata, de frente para o vazio, ainda provoca algum calafrio inicial, mas acaba por ser mais fácil do que parece. Tempo ainda para explorar o monólito vizinho que também teve direito à sua via ferrata e oferece vistas desafogadas para o vale do rio Gerês.

O caminho de regresso foi mais ligeiro e menos contemplativo. Pelo meio aproveitámos para fazermos o pequeno desvio para conhecer uma silha referenciada e a casa da Junceda estava quase ali. Para terminar, descemos até ao miradouro e aproveitámos para um pequeno lanche com vistas sobre a vila. E foi um aniversário fantástico, num regresso há muito esperado ao Pé do Gerês!

O percurso, com cerca de 12 km, pode ser visto/descarregado aqui.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

Tuesday, 08 January 2019 17:00

BioRia - Percurso de Salreu

Descrição: O percurso de Salreu é de natureza circular, tendo o seu início e término junto ao Centro de Interpretação Ambiental do Bioria. É um percurso de 8 km, que atravessa áreas de enorme beleza paisagística, como campos de arroz, sapais, juncais e caniçais.

A presença do Rio Antuã e do Esteiro de Salreu, ligados por uma rede de valas, permite a comunicação entre todos os habitats, justificando os elevados índices de biodiversidade existentes.

Distância a percorrer: Cerca de 8 Km.

Duração do percurso: 2h30

Âmbito do percurso: Ambiental, paisagístico, cultural e desportivo

Grau de dificuldade: Fácil

Época aconselhada: Todo o ano

Percurso: Trilho

Brochura:Salreu

Numa tarde a cheirar a sol fomos, finalmente, calcorrear o percurso BioRia de Salreu. A facilidade do percurso e a paisagem promissora eram motivos suficientes para não adiarmos mais o trilho. Saindo do Centro de Interpretação (GC2DJP1), o plano estende-se em planura pelos caniçais e esteiros que desembocam na ria. Mesmo para quem aprendeu a baloiçar o fascínio natural pelos penhascos, a sucessão de motivos de interesse pelos espelhos de água faz com que o percurso seja de visita obrigatória.

Sendo um percurso circular, optámos por seguir pela direita, indo ao encontro do rio Antuã, e regressámos pelas curvas do esteiro de Salreu. O caminho foi-nos presenteando com campos que se estendiam pelo horizonte, lembrando o trabalho da terra e as dificuldades da vida de sol a sol. Ao chegarmos o rio Antuã, depois de passarmos por um moinho abandonado, prosseguimos sobranceiros pela sua margem. O delta do Vouga parecia estar já ali do outro lado, trazendo à memória outros trilhos.

Avistámos então a casa de paredes artísticas e a vizinha propriedade bucólica, ideal para um retido demorado à beira-ria, naquela que é porventura a parte mais fotogénica do percurso (GC11YA3). O istmo estende-se pelo caminho, rodeado por uma lagoa e pelo esteiro que desce desde Salreu. Mantendo a planura, o trilho regressa ao Centro. Fica a curiosidade de regressar na primavera para ver a BioRia florida.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

Saturday, 06 October 2018 17:00

Desfiladeiro das Xanas

Encantados com a região asturiana, num dia adicional por Somiedo fomos visitar o espetacular desfiladeiro das Xanas (GC75T22), um percurso esculpido na rocha e inserido numa paisagem verdejante, entre as aldeias de Villanueva e Pedroveya. Apesar das dúvidas na véspera, a previsão de chuva evaporou-se na neblina e decidimos ficar mais um dia do que o previsto para conhecermos este monumento natural.

Na ida descobrimos outro motivo para regressarmos à cordilheira, ao percorremos o vale da Senda del Oso. O longo percurso, convertido em ciclovia, acompanha algumas linhas de água no sopé da cadeia montanhosa e veio substituir uma antiga linha ferroviária de escoamento de minério.

Curva após curva, lá chegamos às Xanas. Depois de estacionarmos subimos pela estrada e entrámos então na desejada rota pela garganta do rio Xanas, reconhecido como uma pequena rota de Cares. Há alguns anos também descobrimos a rota original, mas em boa hora não descuramos esta. A dimensão e as distâncias podem ser distintas, mas a beleza e a vertigem do desfiladeiro tem pormenores semelhantes.

Fomos avançando no trilho, alternando o olhar entre as encostas escarpadas, os túneis escavados e os raros vislumbres do rio, do qual nos fomos aproximando aos poucos. Em algumas passagens, ao espreitar-se o fundo vazio, sente-se um certo arrepio pela altura, mas o trilho é tão seguro quão espetacular.

Quando encontramos o rio o percurso transformou-se; deixamos de caminhar pelas ravinas e fomos envolvidos por uma floresta muita densa, húmida e luxuriante, onde o sol raramente entra. Passámos depois pelas ruínas do antigo moinho (GLWV13P1) e pela ponte, contornando o caminho pelo ribeiro da Boya.

Ao chegarmos ao prado que fica antes de Pedroveya, e já com as vistas desafogadas sobre o vale, aproveitámos para almoçar. Continuámos depois pela aldeia e cruzámos ainda Dosango, que parecem ter parado no tempo. Apanhámos então a descida pela outra encosta, onde tivemos a oportunidade de ver alguns cavalos, e chegámos por fim ao nosso destino.

Inicialmente havíamos decidido realizar o percurso circular, para não voltarmos a passar nos mesmos sítios, mas se fosse agora teríamos voltado pelo desfiladeiro, pois a sua magnificência merece qualquer regresso!

O percurso pode ser visto/descarregado aqui.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

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