26de Julho,2017

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16 July 2017 Written by 

A vida ainda mais secreta das caches

Após as revelações adiantadas no último artigo sobre a vida secreta das caches, tornou-se notório que tinham ficado alguns casos por explorar. No enigmático mundo das caches que, depois de colocadas, ganham vida, este é um tema novo e ainda com muito para divagar. Porém, antes de retomar a explanação, gostaria de reforçar a advertência que caso qualquer geocacher venha a encontrar alguma cache desprevenida, com os plásticos nas mãos, deverá ter muito cuidado e agir como se não tivesse visto nada de anormal. Afinal, depois de ganharem vida, as caches também adquirem sensibilidade e desconhecem-se as consequências deste vislumbre imaginário. Feita a ressalva, esta é a vida ainda mais secreta das caches, com alguns dos tipos mais inquietantes.

Cache Acumuladora – Por vezes, ao abrirmos o recipiente de uma cache, notamos a existência de algum lixo no seu interior. Poderíamos pensar que se trata de uma má prática de alguns geocachers, que trocam itens por lixo. Sabe-se agora que algumas caches sofrem da síndrome de acumulação compulsiva. Quando notam alguma peça nas redondezas, mesmo que pareça ou seja lixo, arrebanham-na de imediato para si, julgando que mais tarde haverá de dar jeito para algo. Nem que seja um plástico de rebuçado para tapar um buraco. Por coincidência, estas caches estão a contribuir para o CITO. Depois da descoberta, apenas caberá aos geocachers levarem o lixo para o seu devido lugar.

Cache Incendiária – À primeira vista, a cache incendiária apresenta semelhanças com a cache acumuladora. Todavia, a sua natureza é bastante mais negra e terrificante. Estas caches têm a capacidade de gerar uma caixa de fósforos dentro de si. Uma vertente mais tecnológica deste tipo, designadas por icaches, são mesmo capazes de gerar um isqueiro. Tipicamente, estas caches encontram-se em ambientes naturais e possuem um distúrbio mental que as levam a tentar provocar incêndios. Contudo, não sabemos se alguma já terá sido bem-sucedida. Suspeita-se que este desequilíbrio poderá estar relacionado com a vontade de presenciar os helicópteros e aviões em ação. Cai então por terra a ideia descabida que alguns geocachers, irresponsavelmente, deixavam estes itens nos recipientes. 

Cache Transformista – É sabido que nem todas as caches ficam satisfeitas com os locais onde são criadas. O que poucos sabem é que algumas também não se identificam com o género com que vieram ao mundo. Numa época em que a sociedade geocachiana já está mais atreita a aceitar esta mudança, depois de terem saído do armário da cozinha pelas mãos dos seus donos, após ganharem vida, alguns recipientes decidem sair do armário dos preconceitos por si. As mudanças físicas podem ser mais ou menos drásticas, com mais ou menos silicone, tirando uma parte aqui ou acrescentando algo ali. À luz deste desenvolvimento, entendem-se agora certas transformações nos recipientes.

Cache Parideira – Muitos geocachers já encontraram mais do que um recipiente em algumas caches. Poderíamos pensar que tal estaria relacionado com o facto de alguns geocachers andarem sempre com um recipiente extra para reverter qualquer ameaça de DNF. Todavia, à semelhança do fenómeno geológico das pedras parideiras da serra da Freita, descobriu-se recentemente que certas caches têm a capacidade de dar à luz. Inclusive, e por incrível que pareça, algumas das caches-filhas nascem maiores do que as progenitoras. Após esta descoberta, alguns geocachers já iniciaram projetos de investigação sobre como poderão introduzir as caches parideiras na criação automática de powertrails.

Cache Cobradora – Já todos encontrámos moedas nas caches e pensámos: “Mas afinal, como é que este dinheiro aqui veio parar? Nem sequer existem pastelarias por perto para comprar um bolo!” Pois bem, ao ganhar vida, esta cache imagina que tem a profissão de cobradora. Algumas especializam-se em cobranças de impostos e trabalham para o governo do geocaching, outras trabalham para o governo dos seus donos, ajudando a pagar certas despesas do dia-a-dia, e existem ainda outras foram seduzidas pelo setor privado. Adverte-se ainda que algumas caches, mais agressivas, trabalham nas cobranças difíceis. Existem inclusive relatos de alguns geocachers que ficaram sem dinheiro depois de uma caçada que se transformou num encontro imediato com o fraque.

Cache Naturista – É fácil topar uma cache naturista. Enquanto a maioria das caches gosta de se manter dentro de plásticos bem reforçados, temendo o flagelo da humidade, as caches naturistas gostam de se libertar de preconceitos. À primeira vista poderia parecer falta de manutenção dos donos, mas percebe-se agora que são as próprias caches que dispensam os recipientes depois de ganharem vida. Algumas, um pouco mais comedidas, encontram-se envoltas por pequenos sacos plásticos. Outras, mais naturistas, apenas precisam de encontrar um buraquinho para guardarem o livro de registos, que por vezes é apenas uma única de papel ou um recibo que não interessa guardar. Poderíamos pensar que as caches naturistas prefeririam as zonas das praias, mas curiosamente o seu aparecimento ocorre mais em meios citadinos.

Cache Mágica – À semelhança da cache agente secreto, a cache mágica pode ser bastante difícil de encontrar. Para além de possuir capacidades ilusionistas que apenas os olhos mais treinados podem discernir, a cache mágica detém poderes que lhe permitem, entre outras habilidades, controlar o meio envolvente, como por exemplo a meteorologia. Sim, a meteorologia. Quem é que nunca fez planos para visitar uma determinada cache e sofreu na pele uma intempérie ou teve de alterar os planos? Quem é que nunca foi perseguido por uma série de azares que redundaram numa desistência? Pois bem, desconhecendo os limites dos poderes de uma cache mágica, o melhor é manter a tenacidade com um sorriso. É também por isso que certas caches são mágicas e persistem vivas nas nossas memórias.

Artigo publicado na GeoMagazine #26 e em Cruzilhadas.pt.



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