15de Agosto,2018

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Logs épicos


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Mensagem Post: #71 a terça 28 out 2014, 23:26 

Re: Logs épicos

Um saltinho temporal para um log épico de um geocacher reformado que anda aí a questionar o pessoal :)

Trazia o "Pulo" na orelha desde que - já não sei muito bem a que propósito, mas num daqueles usuais assomos 'engos de modéstia e desapego, qual AX - o Monstro das Bolachas ou Bolo Rei o mencionou na TV como sinónimo de "Alentejo profundo".

Esperava por isso, admito, ao arrepio das "caches", com certa antecipação do regozijo de uma profecia auto-realizada, a confirmação de um inelutavel "passeio dos tristes"; uma fava não na mas pela boca do nosso sidónio; que o confirmasse lúgubre, cinzento e sem graça.

O local é de facto concorrido mas, veio-se a ver, contudo, não só se pôde achar alguma graça como - sobretudo - inúmeras garças e cegonhas nos postes do caminho e em todas veredas daqueles 17 quilómetros; número mágico que subtraído ao ano de cuja entrada era véspera o dia produzir-se-ia - não por acaso; há nisto muito de cabalístico! – o da reconfirmação da maioritária tacanhez da nação.

O tupperware. De um puro recorte Manuel-Antunesiano, é todo em si um prodígio de equilíbrio e bate-cús – em particular para quem, mea culpa, decidiu calcar a áspide com sapato liso -; uma riqueza rócócó de se eu te puder ajudar a partir o pescoço prefiro-o mil vezes a uma qualquer palmadinha molenga e amiga no cachaço; para quê – afinal – deixar-te alcança-lo confortavelmente atrás da moita quando o podes buscar nos estratocumulos? A maior riqueza, meu amigo, deriva do esforço! Se a queres apreciar sua-a; meu grande porco! Que há muita dignidade no sujidade e no trabalho!

Depois de me admirar com a maravilha natural, de retorno, no lugar do pendura, decidi pegar no Guia de Portugal de Raúl Proenca (v. II, pp. 164-5) cortesia 50% de desconto Gulbenkian; o meu rei mago arménio! - onde encontrei o excerto que abaixo se surripia e me levantou dúvidas se não nos andaremos, afinal, todos a maravilhar com coisa pouca quando, a pouca distância, maior espanto aguarda os audazes (a verificar! podem ir começando os próximos que - ao preço a que anda o incenso, petróleo e mira - enquanto o Calouste não estender às bombas o truque que tão bem faz com os livros tão cedo não volto lá – que, e vai daí, vendo bem as coisas, não se pode ter tudo e não é incerto que seja pelo acréscimo do primeiro que anda a Fundação financiando a aparente generosidade com os segundos):

“Ao Pulo do Lobo, queda de água no Guadiana de 173 m. De alto por 100 de larg., a 2 h. de Mértola por péssimo caminho.

"Para os que tiverem visto a catadupa do Niagara - escreve numa página célebre Bulhão Pato - o Puto do Lobo deve ser uma coisa insignificante. A nós produziu-nos viva impressão. O rio chega a um ponto em que se precipita de grande altura, some-se fumegando por lima garganta de rochedos, e sai depois arredondando-se num lago, que parece estagnado, lá em baixo, entre as penedias. O estrondo em que se precipita o enorme estoque de água e a serenidade sombria ao lago adormecido fazem um contraste notável. Para se formar ideia mais clara da queda do rio, Imagine-se um arco aberto no centro; a essa abertura do arco, relativamente grande, é que se dá o nome de Pulo do Lobo."

Ficalho também se refere ao fenómeno num dos seus contos:

«Uma manhã veio ele, dando volta pelos matos dos Russins, até dar vistas ao Guadiana, por cima da pedra dos Grifos. O dia estava claro; e na luz ampla e forte o vale parecia ainda mais desolado e triste. O Guadiana ia baixo, deixando quási a descoberto o seu vasto leito de pedra, rasgado, roído, lavado pelas águas. Nas margens, nem uma árvore, nem uma nesga de várzea relvada - a corrente levara tudo. terra e areia, ficando só a rocha nua, e as manchas cinzentas dos calhaus, dos quartzos rolados, entre as quais passava a fita azulada e brilhante do rio. Pelas moitas pobres de loendro escuro e tamugem ruiva os palhiços secos, travados, marcavam o nível da última cheia.

«Uma solidão absoluta.

«Apenas agora, as cabras vermelhas do José Bento vinham aparecendo, uma a uma, entre o mato da encosta, com as orelhas fitas e as cabecinhas finas de animais quási selvagens. Em cima, no azul pálido, dois grifos pretos descreviam num vôo sereno as suas órbitas intermináveis.

«As cabras vieram descendo, em filas, pelos carreirinhos, e o José Bento desceu com elas. Ao dobrar um cabeço descobriu o Pulo do Lobo: todo o rio que se encerrava no canal estreito, tomando uma velocidade louca; as águas que se apertavam, atropelando-se em veios sobrepostos; depois a fenda na rocha, tragando tudo; e, por detrás, a água, pulverizada na queda, elevando-se num nevoeiro branco, que o sol irisava nos bordos, dando-lhe tons de opala.

«O José Bento foi seguindo a margem, até o sítio cm que o rio se despenhava, desaparecendo na funda bacia. Mais adiante, já para além da queda, viu, solidamente atada a uma saliência da rocha, uma corda forte de linho, que passava por cima da aresta e pendia para o abismo.

«- Olha! está cá um, pescando ao sável! disse ele consigo.

«Teve curiosidade de ver, aproximou-se, e, deitando o chapéu no chão lançou-se de bruços, passando a cabeça além da borda. A parede de xisto, irregularmente fracturado, descia a pique. Em baixo, a água espumava e fervia na queda; agitava-se, ainda sentida, em largas ondulações; e tranquilizando-se pouco a pouco, tomava os tons denegridos das rochas que a cercavam.

«Lá no fundo, na ponta da corda, um homem atado pela cintura, com os tentos da rede na mão, esperava a pancada do sável." (Conde de Ficalho).”


In: TB
Out: GC

PS: AH! E se num qualquer mapa arrancado ao fundo do porta-luvas vos aparecer a indicação de uma estrada que - descendo de Beja - comunica com a Amendoeira e permite aceder mais directamente que a N122 ao Pulo desiludam-se! Chegados à Ribeira de Terges por caminhos de terra batida a coisa é trabalho para 4x4; há que passá-la a vau e tanto a descida para o leito como a subida (a escassos quilómetros já, é certo, do Pulo) são íngremes q.b.
Fazemos votos de que a AXA Seguros trate com maior rigor a gestão dos fundos do que a forma como escolhe os fornecedor dos mapas que oferece a título de "brinde". Envenenado!

in (tradicional-) Pulo do Lobo (part1 e part2)

nota: chamar o nosso Presidente de "AX - o Monstro da Bolacha ou Bolo Rei" é coisa para dar um processo [:D]
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Mensagem Post: #72 a quinta 06 nov 2014, 02:07 

Re: Logs épicos

Sagitario Attended (evento-) GeoMagusto 2009

No primeiro parágrafo a história do 1º GeoMagusto em 2006 (mas que não foi evento publicado).
2ª feira em Fotos com História a foto de grupo do evento que não existiu.

Boas

Meus caros, este evento começou à 4 anos em Barcelos, 14 de nós juntamo-nos á volta de uns bifes e de umas picanhas num restaurante de família, o “Olha’i”, as castanhas foram o pretexto para 4 grandes Geocacher’s do Sul terem vinde até ao Norte. MAntunes e a Mila, ClCortez e Touperdido, conheci tb nesse dia a Silvana e o Tiago (só depois este mudou de nick, que mau …!).

Os restantes participantes já os conhecia dos GeoMitupes.

Bem, tudo isto para dizer que foi com enorme expectativa que aceitei a imposição err… o convite da Silvana e do Drager para que este ano eu fosse tb co-organizador.

Poderia eu agora gabar-me que tb participei na organização dos 2 anteriores eventos em carvalhelhos, que foi de forma anónima e desinteressada, que não quis que se soubesse, tretas… sim, estive sempre a par das coisas, da forma como se desenrolavam os preparativos, mas participar não, não participei. Apenas como tantos outros usufrui do trabalho deles.

Tudo corria bem até à fatal notícia vinda de Carvalhelhos, a estalagem não estava em condições para nos receber, algumas infrutíferas tentativas para que a Empresa gestora da estalagem cumprisse com o pré-acordo, mas mesmo assim nada feito, tivemos mesmo que mudar de local.

Dos locais propostos, o Gerês foi o escolhido, pelo ambiente, pela Água da Albufeira da Caniçada e pelas gentes acolhedoras, o alojamento estava meio resolvido, desde antes do meu inicio, em 2005, nestas lides de Geocacher, que conheço a D Adelina e o Sr. Manuel, proprietários da casa da Barca, que ao saberem das nossas intenções logo se prontificaram a ajudar e forneceram os contactos necessários para que eu conseguisse alojar bem perto de 40 geocachers nas casas da zona.

Posto isto, faltava saber se o tempo iria condicionar a realização destes eventos, as previsões eram, e foram negras, mas “alguém” velou por nós, choveu a cântaros na véspera, no Sábado esteve soalheiro lol, saí de casa com Sol e cheguei com sem chuva a Rio Caldo. Muito bom mesmo, mau, só mesmo as ameaças de temporal, é que as nuvens estavam lá e mais foram chegando e avolumando-se à medida que a tarde avançava.

Muito que fazer, eu fui tratar de uma questão mal resolvida na véspera e conhecer todos os locais contactados para as dormidas, já que só conhecia 2 das 6 casas reservadas. As meninas atarefaram-se com as indicações e demais logística.

Numa passagem pelo restaurante S João, aproveitamos para almoçar aquela que foi a primeira pratada de carne barrosã destes dois dias, podem crer, somos sempre bem servidos e os preços são bastantes económicos. Aqui juntou-se a nós a Rita, Xinderella, que nos deu uma preciosa ajuda nos nossos afazeres.

Visita aos locais do evento para nos certificarmos que tudo corria bem e descansar… bem, isto queria eu, mas a noite aproximava-se a olhos vistos, o tempo aguentou-se e dei por mim a fazer de sinaleiro nas indicações para os participantes estacionarem, algum fumo nas rodas e uns piões no “ervado” do vizinho e todos os cachemobiles estavam devidamente estacionados.

Castanhas aos magotes, néctar dos Deuses aos litros, não era chuva, essa só chegou no dia seguinte, tudo acomodado e bem guardado nos respectivos caixotes decorados a preceito.

Primeiras castanhas a sair da primeira fogueira… eu parecia uma barata tonta, por muito que quisesse, não consegui estar parado, existia sempre alguma coisa para fazer ou ultimar… a minha Sagitária é que tratou do lume, entreteve os participantes até á hora de sair para o repasto.

Lembro-me de conduzir em silêncio até ser interrompido pela minha Sagitária, estava preocupada eu ia muito calado.

Dos 80 lugares postos à nossa disposição, poucos ficaram por sentar, todos colocaram os seus monos (ainda não entendi o trocadilho do mono vs Monho, será por ter uma fonética muito parecida ou porque as piadas do Monho são mesmo monos daqueles! Será…), todos se sentaram e daqui para a frente foi um fartar de comedoria, postas a querer sair do prato, vinho do bom, castanhas ainda melhores. Musica… parece que o RMatosinhos afinou valente, deu música a todos.

Houve até quem literalmente tenha apanhado o Avião para estar connosco… Meus caros, chegaram a horas, tudo dentro do acordado, até mais cedo que o previsto, com aquelas condições meteorológicas e de piso, vocês voaram rasteirinho desde o Porto até aqui.

Um compasso de espera da servente com o prato da sopa para o Kinder… já decorria o jogo do mono… muito giro mesmo… despachar o que não queremos ou que está a mais em casa, em forma de presente, é sempre a melhor forma de nos rirmos dos outros… hehehe!

Seguia a música e eu fui montar a cache criada e dedicada exclusivamente para este evento… e esperei, dei por mim a pensar como seria viver sem as nossas “bugigangas” os nossos aparelhometros cheios de luzinhas e setinhas a indicar tudo… pensamentos!

Vejo chegar, qual procissão, ao miradouro, a primeira comitiva de geocacher’s, todos atarefados à procura… umas recomendações de última hora e, as minhas desculpas, mas eu tinha de alterar em cima da hora as regras do jogo, nem a Silvana sabia que a dica que deu estava errada… eu tinha de vos ver a todos de rabo para o Ar, salvo seja.

O SMF deu com a primeira parte da cache quando ouviu dizer que bastava saber de geometria para se elevar ao eixo Z, o WolfRider fez questão de não ter medo a Abelhas e destemidamente destapou o cortiço… enfiou lá a mão e recebeu o primeiro brinde, disse que se o Monho lá estivesse ele não tinha hipóteses.

Mais uma alteração nos planos e tive de sair mais cedo do convívio, a descendência do Ed10 estava a pedir descanso, e lá fui, leva-los aos seus aposentos para depois voltar para a Barca.

Já de novo na Barca, tudo estava a postos para o nosso Druida Sigla desmistificar as pragas e maus agoiros e manias de perseguições existentes, tudo foi queimado, tudo se esfumou, tudo passou, menos a chuva que começou timidamente a tentar marcar posição, ganhou pela insistência.

Terra, Água, Ar e Lume, nunca em outra ocasião os 4 elementos estão tão bem conjugados…

O Monho que muito falou, quando chegou a vez de falar à séria… calou-se, apagou-se o pavio, como não estava em casa não tinha as famosas latinhas de “tudo-feito” onde só se puxa pela argola e prontes saem coisas, a existir, neste caso faltou a lata da “fala-pronta”… outros falaram outros encantaram… (meu caro Monho, tinha de te chibar!!!)

A “poção” deste ano foi das fortes, até ardia nas narinas, tal a potência… Oremos!

Este evento não acabou sem mais uma fogueira, sem mais umas castanhas a estalar e a enfarruscar mãos e caras, sem mais uns goles de jeropiga, a Graça, mesmo acordada já à 40h, manteve os resistentes e persistentes de mãos cheias… Adoro esta Mulher…

A Dona Adelina e o Sr Manuel tb participaram, deram uma ajuda na distribuição das castanhas…

A partir daqui, despedidas de quem se foi e um até logo para quem ficava e ir até onde os lençóis nos esperavam para o merecido descanso.

Agradeço a quem do fundo do coração esteve connosco em presença e em espírito, a quem desejou e velou para que tudo corresse bem, à Silvana e ao Drager, à Xinderella, ao MightyReek, à menina que nos serviu no S. João, às serventes e demais staff do Restaurante das Cerdeiras, aqueles que fizeram muitos quilómetros, por terra e por Ar para estarem connosco, à Dona Adelina e a Sr Manuel, por nos terem recebido com aquela gentileza de quem sabe bem receber, à Dona Júlia de Fátima, à Dona Glória e à “outra” Dona Adelina (dona da casa onde eu pernoitei) por ter confiado em alguém que não conheciam e terem disponibilizado assim a modos que em cima da hora as suas casas para eu conseguir acomodar estes Grandiosos Geocacher’s.

Agradeço tb a quem, na profundeza das suas mentes quis que este evento corresse mal, foi contra este mau agoiro que eu corri, foi contra esta energia negativa que eu andei stressado, que eu retirei tempo aos meus estudos e ao meu trabalho, foi por correr contra quem quis denegrir este evento e quem o Organizou que por vezes não vi o Meu Grande Amor, sim, esta parte é para ti minha querida Graça… não merecias estar tantas horas acordada, não merecias uma ou outra resposta torta… Obrigado por me aturares… Obrigado por me entenderes… Obrigado, afinal já me conheces, em nove anos já passamos por muito.

A todos sem excepção… Muito Agradecido, todos foram precisos, todos foram os Mais Importantes, todos merecem a minha estima e consideração.

Amigos como vocês, não há…

Uma última nota, o local da queimada estava às 16h da tarde de Domingo com um metro de água…

Jorge “Sagitário”

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Mensagem Post: #73 a segunda 10 nov 2014, 02:11 

Re: Logs épicos

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Mensagem Post: #74 a terça 11 nov 2014, 00:07 

Re: Logs épicos

Tenho 3 câmaras de ar e uma bomba [:D]

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