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24 September 2010 Written by  prodrive

Geotalk - GreenShades

Os GreenShades são um dos teams pioneiros do Geocaching em Portugal. Graças a eles podemos descobrir alguns dos spots mais espectaculares que já tiveram caches.
Infelizmente, de momento, não estão tão activos como todos gostaríamos, mas em aberto deixam-nos a possibilidade de nos surpreenderem com o seu regresso.
Fiquem a conhecê-los melhor nesta entrevista e eventualmente descubram alguns dos segredos para a receita de uma cache de sucesso.

- Quem são afinal e o que fazem profissionalmente os GreenShades?

Somos o António, a Cristina e o Luís, amigos de longa data, trabalhamos nas tecnologias de informação e andamos pelos quarenta…
O nosso Geocaching nem sempre é feito com os três juntos, mas trazemos quase sempre família e amigos que também fazem parte das nossas aventuras.

- Como é que em 2001 descobriram o Geocaching?

Tivemos oportunidade de explorar o funcionamento do GPS logo em 1995 (um Garmin GPS 30). Por isso estávamos atentos quando em Maio de 2000 foi terminada a Selective Availability, permitindo a localização com 10x mais precisão do que anteriormente. Comprámos nesse Verão o Garmin eMap que ainda é usado hoje e começamos a explorar a geolocalização e a procurar na internet recursos interessantes relacionados com GPS. Quando descobrimos o Geocaching.com pareceu-nos logo uma forma fantástica de usar esta tecnologia e de descobrir novos locais.

- Qual foi a sensação que tiveram ao encontrar a primeira cache Uma Aventura Na Lagoa - I [Mértola] do Pedro Regalla, naquilo que foi o primeiro Found em Portugal?

A primeira cache que procuramos foi a LIS Spotter's Place, algures no verão de 2001. Na altura não ficámos muito impressionados, até porque era a única cache existente na altura.
Em Setembro foi colocada a A Praia e o Rio [Ericeira] e na primeira oportunidade fomos procura-la com alguns amigos. Foi uma experiência fabulosa pois, na verdade, não fazíamos ideia do que estávamos à procura. Foram mais de duas horas a vasculhar uns 100 m2 de terreno! O log desta cache ainda está sob outro nome, na altura ainda não nos tínhamos lembrado de usar GreenShades.
A cache Uma Aventura Na Lagoa - I [Mértola] foi mesmo uma aventura! Partimos num Sábado sem qualquer preocupação em descobrir as características do terreno e fomos surpreendidos (várias vezes) pelo contorno da albufeira. Conseguimos descobrir a 1ª parte e percorremos vários quilómetros até que tivemos que regressar ao carro já de noite sem encontrar a cache. Procuramos um hotel para passar a noite e na manhã seguinte voltámos para mais um esforço. Depois de mais uns quilómetros a caminhar à chuva lá chegámos aos zero metros e ainda precisamos de mais meia hora para a descobrir!

- Os vossos 4 primeiros Founds foram em caches do Pedro Regalla (que entretanto deu para adopção todas as suas caches), que tal como vocês, foi pioneiro do Geocaching em Portugal. Chegaram a conhecê-lo pessoalmente ou tiveram algum contacto com ele?

Trocámos vários mails com o PRegalla, mas nunca nos conhecemos pessoalmente. O Pedro Regalla é claramente o impulsionador do Geocaching em Portugal, tendo tido a grande generosidade de colocar caches sem ter nenhuma para procurar.

- Nos primeiros anos, o número de caches existentes em Portugal era muito reduzido. Chegaram a ter o objectivo de as encontrar todas?

Não. A nossa motivação sempre foi a qualidade do tempo passado na procura e o interesse dos percursos e dos locais. Quase sempre procurámos caches na companhia de família ou amigos e tentámos fazer de cada caçada uma oportunidade para passear, ver belas paisagens, aprender algo sobre um local ou um acontecimento histórico.

- Qual foi a cache que mais prazer vos deu encontrar?

É uma pergunta de resposta difícil! O Geocaching proporcionou-nos muitos momentos fantásticos. Algumas das caches que nos ficam na memória são, além da A Praia e o Rio e Uma Aventura na Lagoa - I, também o The Laying Man[Valença], em que caminhámos várias horas sob uma enorme tempestade e ficámos totalmente ensopados, o Hanging Gardens of Babylon, que fizemos em conjunto com os grandes amigos dos Corvos, a Fenda da Calcedónia em que tivemos que procurar mais do que a cache, a Nave da Mestra em que atravessámos pela primeira vez o planalto central da Estrela, o Piolho das Couves que nos levou a descobrir a Serra d’Arga (mas não encontrámos a cache!) e muitas outras!

- 14 dias depois de encontrarem a vossa primeira cache, decidiram esconder uma também, a Room with a View. O que é que vos motivou a tomar essa decisão?

O Geocaching tem dois componentes: procurar e esconder. Cedo percebemos que tudo ficaria mais interessante com mais caches e mais Geocachers! Além disso, gostámos da possibilidade de partilhar alguns dos locais especiais que conhecíamos e as actividades de planeamento da cache também nos pareciam muito divertidas. A Room with a View, em particular, está inserida numa paisagem lindíssima, e revela um geo monumento muito interessante. Já depois de a termos colocado, esta cache também nos proporcionou outras experiências pouco habituais…

- Vocês têm caches escondidas nos mais diversos distritos de Portugal, desde Viana do Castelo a Faro. São viajantes compulsivos e visitam os mesmos locais com frequência, ou esses actos de esconder caches foram meros impulsos, gerados pela vontade de partilhar determinado local que descobriram ocasionalmente?

Sim, somos viajantes mais ou menos compulsivos! Somos também privilegiados por viver num país com uma beleza incomparável, uma enorme variedade de paisagens e uma história riquíssima. E não menos importante, com uma gastronomia fabulosa e variada! [:)]
Alguns dos locais descobrimos por acaso, como a The Nest of Jonathan Livingston Seagul, e a The Jewell of Saphire. Outras encontramo-las nos livros e fomos à sua procura no terreno, como a Half a Mountain, a Ghost Train into the Mines ou a The Lonely Lookout. Nunca escondemos uma cache por impulso. Sempre foi uma acção planeada. Mesmo nos locais que descobrimos por acaso, viemos para casa planear tudo antes de voltarmos para colocar a cache. Algumas caches precisaram de meses de preparação e várias visitas ao local.

- Têm noção que algumas das vossas caches (Stairway to Heaven, The Nest of Jonathan Livingston Seagul, Far away, so close, The Lonely Lookout ou Half a Mountain) se tornaram míticas, ou o fenómeno passou-vos ao lado?

Gostamos de pensar nisso como: há locais em Portugal, como a Serra da Peneda, a Costa Vicentina, as Portas do Ródão, o Cabo da Roca ou a Serra da Arrábida que são únicos. Acreditamos que conseguimos contagiar outras pessoas com o nosso entusiasmo por estes sítios se as conseguimos arrancar do carro por mais do que uns breves minutos. E ficamos muito satisfeitos quando vemos os logs que dizem “foi difícil mas valeu a pena”.

- Continuam a ler os logs nas vossas caches ou pura e simplesmente são ignorados?

Sim, continuamos a ler os logs. É uma grande satisfação para nós perceber que as caches que escondemos constituem motivos para boas experiências e aventuras.
Infelizmente os logs lêem-se cada vez mais rapidamente…

- Como é que surgiu a oportunidade de esconder uma cache (Bridge over Toubled Waters) no Vietname?

Nessa altura não se dava muita importância à manutenção das caches, e por isso, quando durante uma viagem descobrimos aquela paisagem, ainda por cima numa região com tão poucas caches, pareceu uma boa oportunidade para colocar uma mini cache, com o objectivo de levar alguns turistas mais aventureiros a percorrer aquele percurso.

- Continuam a acompanhar a evolução do Geocaching em Portugal, e a espreitar algumas caches novas, ou estão totalmente desligados?

Graças aos nossos amigos dos Corvos vamos ficando com uma ideia do (bom) estado do Geocaching em Portugal.
Ficamos muito satisfeitos por ver que há tanta gente a sair de casa e a descobrir Portugal por causa do Geocaching!

- Houve alguma cache que vos tivesse ficado atravessada, e que algum dia gostassem de a poder encontrar?

Bem… o The Rally of the Ruins – [Sintra] foi uma das que nos derrotou completamente… mas ficamos a conhecer muito melhor toda aquela zona, por isso, também já ganhámos!

- Há algum lugar que gostassem de partilhar, merecedor de uma cache e que ainda não tem?

Felizmente temos Geocachers muito empenhados e competentes e que já colocaram caches em muitos dos nossos sítios especiais.

- A quase totalidade das caches que encontraram e esconderam, situam-se em ambientes Natura e envolvem algumas caminhadas e ou desafios. Compreendem e aceitam o conceito de Geocaching Urbano, ou isso não se enquadra no entendimento que fazem do Geocaching?

Pensamos que o conceito de Geocaching Urbano é totalmente válido e que as caches urbanas podem constituir desafios consideráveis que exigem um conjunto de habilidades muito sofisticado. Algumas descrições de caches urbanas que temos lido causam-nos uma admiração considerável quer pelo owner quer pelos que as encontram!
Para nós, os ambientes mais rurais ou naturais sempre tiveram mais apelo e sempre procuramos centrar as experiências de procura das nossas caches no percurso e não na cache em si. O Nest of Jonathan Livingstone Seagull não seria a mesma coisa se estivesse a 10 m do carro… Esperamos que quem tenha feito essa cache tenha percorrido os últimos metros e sentido bem o vento na cara, ouvido o mar a bater nos rochedos, visto as acrobacias das gaivotas, talvez um pouco de vertigem e tenha sentido que, de facto, somos privilegiados em estar naquele recanto!
Para quem nunca o fez, recomendamos, por exemplo, procurar The Bear Treasure deixando o carro na estrada de asfalto a sudeste da cache e percorrendo o interior do pinhal. Certamente terá uma experiência muito diferente do que se deixar o 4x4 a 100m da cache.

- Ponderam a possibilidade de alguma vez retomar a actividade do Geocaching?

Claro! Como quaisquer pessoas, nós temos vários interesses e há alturas em que uns ocupam mais tempo do que outros.
Mas o Geocaching não saiu dos nossos GPS e quem sabe se não voltaremos um dia para vos surpreender!



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