Resides em Coimbra; qual é a tua ligação ao concelho de Arganil e ao Piódão em particular? Que memórias guardas deste lugar?
Desde jovem que vim para Coimbra, no entanto nasci no concelho de Arganil e vivi numa pequena aldeia durante 13 anos, embora as características não fossem em nada semelhantes ao Piódão.
Desde cedo que o Piódão era um fascínio, isto porque, apesar de ser tão falado, especialmente pelas suas características, e de estar situada no nosso concelho, acabava por estar também muito distante… as estradas, os meios de transporte, não eram os mais adequados.
Ainda me lembro da primeira vez que visitei esta aldeia, na minha adolescência, com um grupo de amigos, em que decidimos subir a Serra do Açor, de bicicleta, fazendo mais de 25Km para cada lado. Passando em primeiro lugar pela Fraga da Pena, subindo depois para a Mata da Margaraça, e já no cimo das montanhas, fomos percorrendo as estradas até chegarmos à descida final para aldeia. O primeiro impacto foi fantástico, mas ao mesmo tempo um pouco esmagador… é mesmo lá em baixo?! Mas ao aproximar as vistas iam deslumbrando os nossos olhares.
Salienta-se ainda as fantásticas vistas que temos na estrada que percorre os montes, onde a Serra da Estrela, mesmo em frente para nós, também mostra a sua beleza e imponência.
És owner de uma série de caches escondidas ao longo da Pequena Rota Circular que liga o Piódão a Fóz d'Egua. Em que circunstâncias nasceu a ideia de criar esta "Aventura no Piódão"?
Sempre que visitava o Piódão deparava-me com uns painéis informativos, de xisto, que nos indicavam 2 caminhos para Foz d’Égua, percorrendo as margens da ribeira, mas nunca tinha procurado explorar estes percursos.
No ano passado fui com um grupo de amigos ao Piódão, e como tínhamos em mente realizar esta caminhada, estudei o percurso e pensei que se colocasse lá uns “incentivos” (caches), poderia partilhar este local com muito mais visitantes. No dia agendado para a caminhada as coisas não correram como o esperado, os meus amigos resolveram ficar no Piódão na Praia fluvial, pelo que fui com a minha filha mais velha, de 12 anos, fazer este percurso e colocar as caches… e no final, depois de regressarmos ao Piódão, ainda fomos com eles visitar Foz d’Égua.
A criação da “Aventura…”, foi uma pequena, mesmo muito pequena história, que penso que se pode enquadrar bem no cenário natural que temos presente.
Qual o feedback que tens recebido por parte dos geocachers que já se aventuraram nesta caminhada? Este percurso tem proporcionado bons logs e belas fotografias? Como owner, esta é uma série que te orgulha particularmente?
Digamos que colocar uma série, ou um PowerTrail de caches, era algo que não me imaginava a fazer. Porque normalmente cada uma das caches que tenho colocado têm algo específico, que passa por mostrar algo ou um local. Tanto no Piódão como em Foz d'Égua já existiam 2 caches muito boas, pelo que só me restava mesmo fazer a ligação.
Os logs têm sido fantásticos, não imaginava uma receção tão boa logo no início, o que me deixou muito satisfeito. Especialmente porque se trata de uma zona bastante afastada de qualquer centro urbano.
Como também valorizo muito as fotos, é com enorme alegria que vejo que os geocachers têm aproveitado bem as fantásticas vistas e pormenores da natureza, para valorizarem estas caches, mas acima de tudo, para desfrutarem do percurso.
Falemos agora do evento que preparaste para a comunidade. Em termos de altimetria e duração do percurso, classificas esta caminhada como fácil e acessível a toda a família?
O percurso é simples, não muito extenso, cerca de 7Km na totalidade, e está bem marcado, não se passa por estradas asfaltadas, o que torna uma caminhada muito agradável para todos os intervenientes e sem perigos.
Começa numa altitude de cerca de 700m, na aldeia do Piódão, e vai descendo até aos 480m em Foz d’Égua. O mesmo pode ser abordado pela margem esquerda, ou pela margem direita, da ribeira que liga estas duas aldeias.
Existe um ponto mais complicado (subida mais acentuada), que vai da cache nr. 6 até à nr. 7, mas se fizermos o percurso ao contrário, será uma descida… e aí não custa nada.
Como já fiz a caminhada com a minha filha, e como não temos limites temporais a cumprir, será uma boa oportunidade para partilhar um dia com a família, e os mais rápidos descansam um bocadinho quando se adiantam muito, para ninguém ficar para trás. Se fossem só adultos, e sem preocupações adicionais, ou qualquer tipo de paragens, em menos de 2 horas o percurso estava terminado, mas o objetivo não é esse.
Que recomendações queres deixar aos geocachers que tencionam participar, ao nível da roupa, do farnel e da preparação da mochila?
Ainda não estamos no verão, pelo que há sempre a necessidade de ter em atenção que pode chover, ou que pode estar frio, uma vez que estamos numa zona de montanha, num vale, onde por vezes o sol não brilha tanto… assim, deve levar-se uma roupa que nos permita, em caso de necessidade, proteger do frio e da chuva.
Como iremos em ritmo de passeio calmo, e começamos a meio da manhã, o almoço deverá ser em forma de um pic-nic, em Foz d’Égua, pelo que cada um deverá levar o seu farnel, fácil de transportar, mas que permita ganhar as devidas energias para o regresso.
O ponto de encontro está marcado para as 10h00 no centro da aldeia. Para os geocachers que venham a deslocar-se de longe, digamos a partir de Lisboa, Coimbra ou Porto, quanto tempo de trajecto estimas que devam contar para chegarem dentro do horário previsto? Existem alternativas de alojamento simpáticas e em conta, nas proximidades?
Começando por aqueles que estão mais próximos, vindos de Coimbra ou de Viseu, a distância é de cerca de 100Km, demorando 1h 30 m, logo, para estarem às 10h no local de partida, eu diria para não saírem depois das 8h.
Para o Porto, ou para Lisboa, o primeiro destino será Coimbra, e a partir daí seguir para o IP3, em que os tempos de viagem são os anteriores. Nestes casos já não posso indicar estimativas, pois cada um poderá optar por vias mais rápidas, ou pelas estradas “normais”… mas vindo no próprio dia, será necessário sair de casa bem cedo.
No que respeita a alojamento, no Piódão temos um hotel do Inatel, do qual tenho muito boas referências.
Por fim, quais são as tuas expectativas em relação a este dia de aventura do Piódão? Para ti é sempre um prazer este "regresso às origens"? Sentes-te preparado para servir de guia aos geocachers que se inscrevam, cheios de energia para esta jornada?
Espero contar com alguns participantes mais ligados ao Piódão, nomeadamente os Copje, que me ajudaram a preencher algumas lacunas iniciais nas caches, especialmente em termos de informação, para também eles mostrarem a sua terra.
É o meu primeiro evento, as expectativas vão no sentido de que todos tenham um dia agradável, e que possam apreciar os locais por onde iremos passar, tirando muitas fotografias, e respirando o ar puro da Serra do Açor.