Outros Artigos - Geopt.org - Portugal Geocaching and Adventure Portal - Geopt.org - Portugal Geocaching and Adventure Portal http://www.geopt.org Tue, 19 Jun 2018 21:05:06 +0100 Joomla! - Open Source Content Management en-gb Ásia 2017 – Dia 04 – De Dubai para Omã http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3975-asia-2017-dia-04-de-dubai-para-oma http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3975-asia-2017-dia-04-de-dubai-para-oma Ásia 2017 – Dia 04 – De Dubai para Omã

O despertador toca às 5:45. O primeiro autocarro, o que temos que apanhar, passa em frente de casa do Ashraf às 6:11. É uma jornada sem stress. Se perder o transporte para o Oman por alguma razão, vai-se depois. Mas correu tudo bem… autocarro às 6:11 em ponto, a corrida rápida até à estação de metro, o metro que passa pouco depois, a saída em XXXX e as centenas de metros até aos escritórios da empresa omanita. Chegamos lá às 7:10, com vinte minutos de avanço. Já o autocarro está parado, à espera de passageiros.

Não leva muita gente. Vai quase vazio. E é um pequeno autocarro. Tudo sucede como previsto… passagem da fronteira, entrada no Omã. Os quilómetros que se acumulam.

Pensava que o Omã fosse mais deserto, de pessoas. Mas ao longo da estrada sucedem-se as aldeias e pequenas cidades. Sem parar, sempre, até Muscat. E também a capital é maior do que esperava. Longas e largas vias, tráfego intenso. Mas não entro a fundo na capital. O motorista do autocarro deixa-nos perto do Muscat Grand Mall, uma gentileza agradável que dispensa complicações para chegar a casa do Majeed. Fica ali a poucas centenas de metros, uma caminhada simples.

 


A minha caminha em casa do Majeed

 

O combinado tinha sido igualmente simples: a porta de casa ficaria aberta e só teríamos que nos infiltrar no edifício para chegar ao porto seguro. Correu muito bem, vinham pessoas a chegar ao mesmo tempo que nós e logo estávamos no agradável apartamento gigante do novo amigo.

Chegaria por volta das 16 horas e ficámos horas à conversa. Boa ligação, personalidades compatíveis, boa onda. Muita cerveja gelada, um bem precioso no Omã e animação até ao fim do serão.

 

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

]]>
no-reply@geopt.org (Ricardo Ribeiro) Cruzamundos Wed, 13 Jun 2018 17:00:00 +0100
Ásia 2017 – Dia 03 – Dubai http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3971-asia-2017-dia-03-dubai http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3971-asia-2017-dia-03-dubai Ásia 2017 – Dia 03 – Dubai

Este dia foi o inverso da véspera, um dia em que não se fez quase nada e pouca coisa correu bem. Com o cansaço acumulado e a jornada bem preenchida do dia anterior, dormi mais do que devia e a meio da manhã ainda estava a tentar resolver o problema de ter perdido o contacto com o que deveria ser nosso anfitrião por duas noites em Muscat. Situação confusa, complexa, que mexia com ter onde ficar na capital do Omã mas também com arranjar material de campismo, que estava prometido pelo tal anfitrião.

Ao mesmo tempo tentava arranjar uma forma de encontrar um velho conhecido, com quem me tinha cruzado em 2010 em Berlim, quando partia para uma viagem pela Georgia e Arménia. Era o Kamran, um homem de negócios paquistanês com uma cultura extraordinária, com quem tinha gostado muito de passar uma tarde à conversa.

Ele teria supostamente tirado este dia para passar connosco, mas obrigações de trabalho fizeram com que as coisas fossem de outra maneira. De repente tinha que tomar a decisão de ir com ele até Abu Dhabi para depois regressar, podendo conhecer a famosa mesquita que existe naquela cidade, mas abdicando de qualquer outro programa. Pelo Dubai queria ainda ver a marina, talvez voltar a cruzar o canal de barco e visitar um ou dois couchsurfers com quem tinha estado em contacto.

Contra o conselho do Ashraf, que neste dia entrava no trabalho mais tarde, decidimos ficar pelo Dubai. Talvez tenha sido um erro, mas tenho a impressão que naquele dia não haveria uma solução.

Começámos por apanhar o metro para ir comprar o bilhete para o autocarro do dia seguinte. Da estação de metro mais próxima até aos escritórios da empresa de camionagem omanita, são cerca de 700 metros, e é um passeio agradável, por uma avenida que não tem muito a ver com o Dubai sumptuoso.

Há pequenas lojas e escritórios de aluguer de carros e escolas de condução. Até que se chega ao destino. Compramos os bilhetes sem problemas. Para o dia seguinte, com saída as 7:30. Tudo tratado com eficiência. A partida é mesmo dali defronte do escritório. Primeiro problema resolvido.

Regressar a pé ao metro. Já é hora de almoço. O dia avança sem render. Agora, para chegar à Marina, o percurso é bem mais longo do que esperava, talvez uns 30 minutos. Depois há que caminhar mais um pouco. O relógio não pára, e a marina não é nada de espantoso, que desapontamento… o dia está quase a acabar, temos talvez mais uma hora de luz dia, uma hora e meia no máximos. Vamos mas é para casa, que se lixe o Dubai! Nem vou visitar os outros. Quero encerrar o problema da dormida em Muscat e partir.

Em casa descubro que posso ficar com outro anfitrião e também que o meu suposto, original, anfitrião estava em viagem pela Ilha da Reunião, mas que tinha deixado tudo pronto para nós e a chave com o vizinho. Mas começo a preferir outra solução, sobretudo desde que vi onde ele vive… a cerca de 45 km do centro de Muscat!!

Descansamos um pouco. O Ashraf vem a casa, na sua pausa para jantar, e Kamran que não se despacha. Tenho fome. Combinámos jantar num restaurante paquistanês. Por fim chega, poucos minutos antes das nove. Um forte abraço e lá vamos, no seu carro, na companhia de um jovem colega dele. Tinham vindo directos de Abu Dhabi!

O jantar foi memorável. Excelente comida e não menos excelente companhia, grande conversa, uma boa barrigada, com o regresso a “casa” já relativamente tarde e a tempo para uma última futebolada na companhia do meu amigo do Dubai, e logo com a sua equipa de coração… um Torino 2 Milão 2 (sim, ele é adepto do AC Milan).

Assim que o jogo termina vamos todos dormir, que o dia seguinte começará cedo… daí a quatro horas.

 

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

 

]]>
no-reply@geopt.org (Ricardo Ribeiro) Cruzamundos Wed, 06 Jun 2018 17:00:00 +0100
Ásia 2017 - Dia 2: Dubai http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3967-asia-2017-dia-2-dubai http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3967-asia-2017-dia-2-dubai Ásia 2017 - Dia 2: Dubai

Este foi um daqueles dias bons de uma viagem, onde se faz muito e quase tudo sai bem. Acordar relativamente cedo e ver que lá fora está um solinho bom.

Pelas dez e meia estamos na rua. Caminhamos com calma junto ao canal, vamos tentar chegar a pé ao Dubai Mall, devem ser uns 3 km. O tempo está agradável e o passeio será uma das boas memórias destes poucos dias no Dubai. De repente estamos lá, junto ao enorme edifício, o mais alto do mundo, mesmo junto ao centro comercial.

Vou fazer hoje tudo o que o Ashraf recomendou na véspera, começando por uma vista à loja da Columbia, que está em saldos. As botas que trouxe de Portugal – Quechua – estão a matar-me os pés. Não lhes dei rodagem porque nunca precisei de o fazer com esta marca, mas com o modelo que comprei poucos dias antes da partida as coisas estão a correr mal.

Na Columbia havia alguns modelos de “ténis” a preços agradáveis e com um design bonito, mas nenhum me caía mesmo bem nos pés e acabei por sair sem nada.

Depois foi ver o aquário gigante que existe no shopping. Passear um pouco, meter o nariz em algumas lojas. Sair para a rua, passear por ali por perto, o coração da terra da ostentação.

Tempo de caminhar até ao metro, rumo ao núcleo histórico do Dubai, hoje uma espécie de cidade museu, onde todas as casas foram restauradas e modernizadas, para depois serem adaptadas a novas funções: restaurantes, pequenos museus, centros de cultura.

Para lá chegar saímos na estação de metro de Al Fahidi e deu-me fome. Como não, aquilo estava cheio de restaurantes. Não foram precisos 100 metros para me render e entrar no Mezbaan. Que maravilha de refeição. Com uns 8 EUR enchi-me de delícias da cozinha paquistanesa, empurradas por um lassi de manga delicioso. Foi uma almoçarada que me deixou satisfeito durante horas. Só comi de novo ao serão.

Depois, descer a rua até Bastakiya. É uma área interessante, genuína, afastada da floresta de enormes torres a que as pessoas geralmente associam o Dubai. Mas do tal centro histórico, onde se chega depois de uns 650 metros, não gostei. Muito pouco natural, 200% turístico, não é a minha onda.

Seguiu-se o souk, que estava basicamente encerrado aquela hora, com apenas algumas lojas abertas. E depois, o Museu do Dubai, instalado num antigo forte e prisão. O bilhete é simbólico. Que dizer deste museu… visita-se! A qualidade da exposição não é grande coisa, mas dá para entreter e fica a curiosidade de visitar a fortaleza por dentro.

A ideia era passar pela Heritage Village, mas depois de um passeio que nos levou pela margem do vasto canal, junto às estações de barcos usados pela multidão de trabalhadores que mantêm a cidade do Dubai a funcionar, descobrimos que a “village” estava encerrada para remodelação. Tinha chegado a hora de meter as botas no saco e calçar as Havaianas que tinha comprado no shopping por um preço fabuloso.

O dia já ia avançado mas estava pronto para mais aventuras. Vamos lá então atravessar o canal. Os barquitos são cada vez mais, agora que a hora de ponta se aproxima e os trabalhadores regressam aos seus alojamentos. São mão-de-obra barata, gente do Paquistão, do Sri Lanka, da Índia. Os barquitos chegam, enchem rapidamente com pessoas que se sentam de um lado e de outro do banco corrido e logo se dirigem para a margem oposta, para uma das diversas estações existentes. O trajecto custa apenas 1 Dirham, cerca de 0,25 Eur.

O canal fervilha de movimento, todo o tipo de embarcações sulca aquelas águas, um enxame de motores e cascos que se movimenta. É um ambiente fabuloso, cuja vivência se recomenda em qualquer viagem ao Dubai.

Do outro lado esticamos um pouco as pernas (como se já não tivessem sido bastante esticadas…) e vamos espreitar o amontoado de barcos de transporte tradicionais que se encontra no cais. Um exército de estivadores carrega-os com as mais diversas mercadorias. Vê-se de tudo e fico a matutar para onde irão aqueles bens. É um cenário pitoresco, que não deve ser perdido.

Numa das estações dos “nossos” barquitos, um par de polícias à paisana faz uma verificação de identidade aos passageiros que desembarca. Procuram certamente trabalhadores ilegais, emigrantes sem documentação em conformidade. Ficamos uns minutos a ver aquilo. Até que decidimos iniciar o regresso.

A viagem de regresso traz-nos já quase de noite. Já na margem certa do canal ainda cirandamos, até porque entretanto o mercado já funciona a todo o vapor. Aquilo é claramente uma zona de residentes indianos. Paramos para um chá masala, delicioso, barato, num café muito local. E de seguida, toca a andar rua acima, para o metro que nos há-de levar ao Dubai Shopping. Falta acertar as contas com mais uma das coisas que o Ashraf nos tinha recomendado: o espectáculo de repuxos da fonte.

Compro um cartão de memória para a câmara. 128 Gb por 30 Eur, muito bom preço. E depois, tomar posições para o espectáculo, que sendo bonito decepcionou um pouco. Que raios, afinal estamos no Dubai! A enorme multidão que se acumula em continuidade para assistir aos espectáculos que se sucedem de meia em meia hora parece ter gostado bastante.

É agora hora de regressar a casa, muito cansados, mas mesmo assim a caminhada de 3 km faz-se bem. A noite está agradável, é um passeio que até sabe bem. Para outro serão de futebol com o Ashraf.

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

]]>
no-reply@geopt.org (Ricardo Ribeiro) Cruzamundos Wed, 30 May 2018 17:00:00 +0100
Ásia 2017 - Dia 1: Dubai http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3964-asia-2017-dia-1-dubai http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3964-asia-2017-dia-1-dubai Ásia 2017 - Dia 1: Dubai

A estória inicia-se às 17:45 de um dia como outro qualquer. No Algarve. Faltam 20 minutos para o comboio Alfa para Lisboa. É mais do que suficiente para chegar à estação de Loulé. Segue-se a costumeira viagem de pouco mais de três horas, um encontro ritual com o meu amigo André para um snooker de passagem e uma noite passada no aeroporto de Lisboa.

Bem cedo, o primeiro voo, para Madrid. De lá, já depois do almoço, segue-se o segundo, desta vez para Istambul. Um atraso torna o plano apertado, mas as coisas ajustam-se e da Turquia a etapa final, com chegada ao Dubai às quatro e tal da manhã. Mais de 24 horas em movimento e muito cansaço.

Vista da minha janela no Dubai

 

Tinha autorização para chegar a casa do anfitrião pelas oito e meia, mas com a Internet disponível no terminal 2 – nota paralela: é um terminal pavoroso, não tem nada a ver com os modernos terminais 1 e 3 do aeroporto do Dubai – entretive-me e até cheguei um pouco mais tarde.

O cartão para os transportes públicos pode ser comprado no aeroporto, mas no terminal 2 apenas o cartão prateado, que não será o mais adequado para os visitantes. Não é muito boa ideia, mas é assim. O cartão vermelho, que pode ser carregado com acessiveis títulos diários de transporte, que custam cerca de 5 Eur, não se encontra à venda ali.

De autocarro até uma estação de metro, de metro até outra estação, e finalmente de autocarro até casa, a Clayton Residence, no prestigiado bairro Business Bay. O transporte custa cerca 1,25 Eur.

A minha caminha nas três noites de Dubai

 

O Ashraf recebe-nos, conversamos um pouco, nem sei como, o meu cérebro mal funciona depois de dois dias com o sono limitado à soneca circunstancial. Ele tem que sair para o trabalho pelas 11:30 e é o sinal para uma bela soneca que dura até ao seu intervalo, a meio da tarde.

Teria preferido passar o resto do dia na moleza, mas ele insistiu para sairmos juntos porque nos daria boleia para o Dubai Mall, onde trabalha, e ali poderiamos explorar um pouco. E lá fomos, mas de facto não era o dia. Com uma enorme carga de sono, um banho de multidão era a última coisa que precisava. Não apreciei nada nem quis seguir nenhuma das indicações do anfitrião. Toldou-se-me a vista e só pensava em sair daquele shopping. Direito para casa.

O Ashraf já lá estava, ficou um pouco surpreendido por já estarmos de regresso. Um serão fraquito, com muito sono, a ver futebol, até que o anfitrião se foi deitar e eu pude fazer o mesmo, já depois da meia-noite.

 

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

 

 

]]>
no-reply@geopt.org (Ricardo Ribeiro) Cruzamundos Wed, 23 May 2018 17:00:00 +0100
Violant http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/geocaching/item/3963-violant http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/geocaching/item/3963-violant Violant

João Maurício, de nome artístico VIOLANT, nasceu em Torres Novas a 21 de Outubro de 1988. Licenciou-se em Artes Plásticas e Multimédia na Escola Superior de Educação de Santarém (ESES), vindo de um curso profissional de Técnico de Comunicação, Marketing, Relações Públicas e Publicidade, na Escola Profissional de Torres Novas, tendo ainda frequentado o Mestrado em Artes Plásticas na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha.

O jovem artista de Riachos começou a desenhar por volta dos 16 anos, mas foi no muralismo que encontrou a sua forma de expressão artística.

No portfolio do conceituado site I suppor Street Art.com dedicada ao artista, pode ler-se: “João Maurício (Violant) is a talented painter based in Portugal. He mostly creates murals on large surfaces and many of his topics are about animals. His style has a certain enlightening effect to viewers those who are lucky to pass by one of his works are most likely to be amazed. Not much more need be said, take a look”.

E de facto, vale a pena ver!

A arte de Violant não passou despercebida no mundo do Geocaching, em particular pela mão do Owner david&xana, amigo do artista, que começou por dedicar uma série de 8 caches aos murais de Violant “PT - Violant&Friends - Retratos de Falência”.

Com o surgimento de inúmeros outros trabalhos, novas caches dedicadas aos murais do artista foram publicadas, e o fenómeno VIOLANT tem suscitado grande entusiasmo por parte dos geocachers.

Com várias dezenas de pinturas expostas pelas paredes, muros e viadutos por todo o país: de Lisboa, ao Barreiro, Setúbal, Fernão Ferro, Serra da Estrela, Coimbra, Caldas da Rainha, Santarém, Vila Real, Almeirim, Golegã, Torres Novas, Entroncamento, Constância, Montalvo, Riachos e Rossio – Abrantes, como também já no estrangeiro, VIOLANT é um nome reconhecido no meio da Street Art e seguramente um artista nacional em fortíssima ascensão.

Para todos os geocachers entusiastas de Street Art, aqui fica uma amostra de caches onde poderão apreciar os trabalhos de VIOLANT:

PT - Violant&Friends - Retratos de Falência - 5/7 by david&xana - Foto: difus3

 

"Amal (أمل)" - Arte Urbana by Violant by Koimbracaches - Foto: AR^3

 

Violant - Gargantua 2017 by Ghh.ABT - Foto: Lusitana Paixão

 

"INSÓNIA" - Arte Urbana by VIOLANT by Koimbra kaches - Foto: Prodrive

 

Violant - Hawk King 2017 by david&xana - Foto: Ghh.ABT 

 

Capa: "Pan"

Fotografia de Junkyard Hounds

Maio de 2018, Praia Do Ribatejo, Santarém, Portugal.

 

http://www.isupportstreetart.com/artist/violant/

https://www.facebook.com/j.m.violant

https://www.flickr.com/photos/violant3/

 

 

]]>
no-reply@geopt.org (Lusitana Paixão) Geocaching Mon, 21 May 2018 10:00:00 +0100
Rota Vicentina http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3959-rota-vicentina http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3959-rota-vicentina Rota Vicentina

A Rota Vicentina

A Rota Vicentina é um trilho de caminhada de média distância que se estende ao longo da costa ocidental do sul de Portugal, entre o Alentejo Litoral e o Algarve, seguindo-se à mais antiga Via Algarviana.

O projecto iniciou-se com o Caminho Histórico, que acompanha a costa a uma certa distância e que na minha opinião não tem grandes atractivos, assim como não o tem a Via Algarviana, pelas mesmas razões: paisagem a cair na monotonia, ausência de troços verdadeiramente belos, enfim, apenas um trilho. É provável que os dinamizadores do projecto tenham acabado por descobrir isto mesmo, porque a adesão do público a este primeiro trilho ficou aquém das expectativas, o que terá levado a uma opção, bem mais atractiva, o chamado Trilho dos Pescadores, que corre bem próximo das falésias e das praias que se sucedem neste segmento da costa portuguesa.

O Trilho dos Pescadores, que em alguns pontos se une ao Caminho Histórico, tem uma extensão de 120 km, distribuídos por quatro etapas, a que se juntam cinco percursos complementares. Já o Caminho Histórico tem doze etapas que totalizam 230 km.

Em Abril o Cruzamundos foi explorar um pouco deste universo maravilhoso que é a Costa Vicentina, percorrendo os 18 km do troço do Trilho dos Pescadores entre Zambujeira do Mar e Odeceixe.

Foi um fim-de-semana encurtado, que deveria ter começado logo na Sexta-feira, com uma dormida no carro algures pela costa do sudoeste, mas que a chuva obrigou a reduzir ao mínimo. Acabei por sair de casa depois do almoço de Sábado para, com grande alívio, ver as condições meteorológicas melhorarem. Mesmo assim foi quase uma tirada directa até à Zambujeira do Mar, onde ficaria alojado para no dia seguinte pela manhã arrancar até Odeceixe.

Fiz contudo uma paragem para apreciar de perto um local que já conhecia, o Moinho do Rogil, localizado junto à estrada principal que passa por Aljezur a caminho de Odeceixe. Está recuperado e os anexos parecem ser agora uma espécie de turismo rural ou algo assim, mas não se via por lá ninguém.

A Zambujeira do Mar

Pouco depois chegava à Zambujeira do Mar. Aproveitei estar ao volante e segui um pouco mais, para dar uma vista de olhos ao bonito porto de abrigo da aldeia, muito pitoresco e de visita recomendada. Desde a localidade até lá existe uma pista de caminhada e ciclismo que pode dar muito jeito a quem quer fazer o passeio de forma mais simples, sem andar pelas falésias.

Feito isto, segui para a aldeia, estacionei o carro sem problemas e fui encontrar o João, rapaz da terra que ali deu um passo no caminho certo e arriscou tudo na abertura de um hostel. Mas sobre isso, já escreverei com mais detalhe.

 

Quando acabei de visitar o Kuna Matata e de me instalar era já meio da tarde. O céu estava fantástico, imprimindo um ambiente místico à paisagem. Apesar de ser Sábado não havia muita gente na Zambujeira do Mar. Enfim, estava a viver um dia em grande.

Passeei pela povoação de mãos dadas pelo mar, essa presença constante na Zambujeira do Mar. Explorei as suas ruas. Apesar do dia algo cinzento e escuro, gostei de revisitar uma aldeia onde só tinha estado uma vez, há muitos anos atrás.

Junto ao mar é onde se está melhor. Há por ali uma série de restaurantes e cafés ideais para beber uma cerveja nos dias mais quentes e apreciar o magnífico pôr-do-sol da Costa Vicentina. Inveja. Inveja de quem tem ali uma casa, um porto de abrigo para onde escapar do bulício da grande cidade e usufruir deste espectáculo continuado.

 

Mais abaixo encontra-se a praia, que parece estar agora mais reduzida. Ou talvez seja só impressão. Mas vejo pouco areal e não era essa a memória que detinha. Do outro lado ergue-se um promontório e, dizem-me, se caminharmos por ali iremos encontrar uma praia ainda melhor.

Nas falésias da Zambujeira do Mar algumas pessoas aguardam já o momento em que o astro-rei tocará as águas distantes do Atlântico. Um grupo de asiáticos, trabalhadores das muitas estufas agrícolas que existem na região, aprecia também o cenário. Vivem por aqui emigrantes de países como as Filipinas, Indonésia, Paquistão e Sri Lanka. Alguns estão estabelecidos para ficar, criaram famílias, há casamentos mistos. Uma face diferente da nova agricultura, feita em estufas, acusada de contaminar os lençóis freáticos da região.

Das ruas da aldeia fica-me a memória de um campo da bola, dos velhotes sentados à porta de casa à conversa, da padaria tradicional onde teria adorado comprar o meu pão, mas que não encontrei aberta. Talvez noutra ocasião…

E chegou o pôr-do-sol, que é magnífico, um dos melhores a que, assim de memória, já assisti, apenas batido pelo espectáculo único de Dili, em Timor Leste, e das praias das Filipinas. Num instante tudo acabou, a escuridão acentua-se e o frio inicia o seu reinado nocturno. Hora de recolher a casa, alinhavar uns escritos, beber um chá e, a seu tempo, passar um bom bocado à conversa com o João.

O troço Zambujeira do Mar – Odeceixe

Um despertar suave que me arrancou a uma noite bem passada. Não tinha muito tempo, a caminhada teria início muito em breve. Comer qualquer coisa, meter um par de laranjas na pequena mochila, meter a bagagem no carro para deixar o quarto livre e arrancar.

Nas ruas vêem-se caminhantes. Todos estrangeiros. A concentração é tal que me leva a pensar se isto da Rota Vicentina teria mesmo sido boa ideia. Há coisas que se perdem com a popularidade, e quase sempre de forma irreversível. Infelizmente neste momento os exemplos abundam no nosso país. Claro que o dinheiro dá jeito, mas já devíamos ter percebido que há valores mais importantes e que o bem-estar e a felicidade que os bens materiais trazem são fugazes. Enfim, chega de filosofia barata. Está na hora de me fazer ao caminho.

O passeio a sério inicia-se na praia da Zambujeira do Mar. Dali entra-se no trilho oficial, quase sempre bem assinalado. Os primeiros quilómetros são feitos em piso de areia, com alguns desníveis, mas como se está a começar o dia o esforço não é elevado.

Caminha-se na companhia do mar, e neste dia o cenário é quase dantesco, com um céu carregado, cinzentos irregulares que em alguns pontos são muito escuros. Até ao fim estará sempre presente a ameaça de chuva que como por milagre não se chega a concretizar.

A distância vai-se acumulando, paulatinamente. Quilómetro atrás de quilómetro, umas vezes mais próximo da margem das falésias, outras, mais para o interior, mas raramente perdendo o mar de vista. Passamos junto a uma primeira praia cujo nome me escapou e depois perto da do Carvalhal.

 

Segue-se a Praia da Amália, que sempre me agradou muito, pelo romantismo associado à propriedade e pelo delicioso caminho que, contornando a propriedade, nos leva de novo até à orla costeira, num pedacinho excepcionalmente verde. Gosto de imaginar que estou a pisar a mesma terra por onde os pés da diva do fado uma vez andaram. Que estou a olhar para o tronco de uma árvore que há umas dezenas de anos viu a face de Amália.

Mais à frente a pequena aldeia de Azenha do Mar, uma comunidade piscatória com pouco mais de duas dúzias de casas. Também ali existe um porto de abrigo. Mais genuína que a Zambujeira do Mar, sem qualquer marca de turismo para além do famoso restaurante que ali existe e para o qual as pessoas já formam uma fila.

O passeio prossegue e por uns instantes penso estar a atravessar o deserto, logo o meu imaginário se inflama, já imagino camelos e tuaregues, os filmes da minha meninice, no qual os heróis eram da Legião Francesa e viviam em fortes rodeados de ululantes árabes vêm-me à ideia. Isso logo acaba quando o trilho regressa às falésias e o bater do mar me enche de novo os sentidos.

 

O fim deste troço está para breve. Logo chego à praia de Odeceixe onde o transporte de volta à Zambujeira me aguarda. Uma inocente batota, porque a caminhada se deveria estender até à localidade, do outro lado, mas a volta é grande e pouco acrescentaria à experiência.

Foi um dia bem passado. Aliás, um fim-de-semana em grande! Adorei revisitar a Zambujeira do Mar, conhecer o João, viver aquele ambiente de litoral invernoso, mesmo em Abril. E, claro, fazer pela primeira vez um troço da Rota Vicentina, mesmo já conhecendo todas estas paragens. Voltarei para mais. Ambiciono percorrer toda a rota, do princípio ao fim, sempre a andar. E antes que o turismo em massa destrua mais esta maravilha de Portugal. Por falar nisso… sabiam que a Costa Vicentina, no seu todo, está na calha para ser incluída na lista de lugares Património Mundial da Humanidade da UNESCO?

O Akuna Matata

Para ficar alojado na Zambujeira do Mar selecionei o Akuna Matata, um simpático hostel com traços de turismo de habitação localizado num dos melhores pontos da aldeia, mesmo junto à linha do mar. Gostei de tudo: o meu quarto era espaçoso (ver fotografia em baixo), com casa de banho privativa e uma agradável varanda com vista lateral para o mar. Os outros hóspedes eram todos caminhantes e todos estrangeiros. E não estou a arredondar: eram mesmo TODOS caminhantes e TODOS estrangeiros. Gente do mundo, ideal para uma conversa de serão na acolhedora sala comum do Akuna Matata.

Os proprietários, o João e a Marisa, são incansáveis, orgulhosos do prestígio que o estabelecimento já alcançou e decididos a manter o terreno conquistado: está sempre tudo num brinco e a funcionar como deve ser e a sua presença é sempre pretexto para dois dedos de conversa. Afinal, não há como as gentes locais para recolher informação de qualidade.

Os preços são muito razoáveis, especialmente considerando a qualidade do hostel, que apresenta uns bonitos 9,3 pontos na média de avaliações de clientes do Booking.com: 18 Euros para uma cama em dormitório e 45 Euros para um belo quarto como aquele onde fiquei.

Se quiser vir para estes lados e desejar reservar alojamento no Akuna Matata através do booking, poderá usar este link. Se preferir acertar as coisas directamente com o João, pode falar com ele através do Facebook, na página do Akuna Matata.

 

 

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

 

 

 

]]>
no-reply@geopt.org (Ricardo Ribeiro) Cruzamundos Tue, 15 May 2018 17:00:00 +0100
A Casa na Ilha Perdida http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3956-a-casa-na-ilha-perdida http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3956-a-casa-na-ilha-perdida A Casa na Ilha Perdida

Vêem um pontinho na imagem aqui em cima? Um pequeno ponto branco… o que é? Nem mais nem menos do que uma singela casinha, sozinha, perdida numa ilha islandesa. Conseguem imaginar a solidão do que ali habitam, rodeados pelo azul do mar, pelo verde no verão, pelo branco dos gelos e das neves em boa parte do ano, alguns dias mal vendo a luz do sol?

Bom, tenho que ser honesto. Na realidade ninguém ali vive e a casa trata-se de um retiro de associação de caça local, cujos membros ali se deslocam para apanhar papagaios-do-mar. Mas o cenário que pintei não é assim tão absurdo: em 1930 os últimos habitantes do ilhéu de Elliðaey deixaram para trás o seu estilo de vida única e interromperam três séculos de presença humana permanente. Eram cinco famílias, que subsistiam da caça e da agricultura.

Para mais imagens deste local fantástico pode visitar o hypescience.com.

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

]]>
no-reply@geopt.org (Ricardo Ribeiro) Cruzamundos Wed, 09 May 2018 17:00:00 +0100
Buçaquinho - da mata ao mar http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/geocaching/item/3952-bucaquinho-da-mata-ao-mar http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/geocaching/item/3952-bucaquinho-da-mata-ao-mar Buçaquinho - da mata ao mar

Num dia de comemoração da nossa liberdade, fomos caminhar da mata ao mar em modo geocaching. Estacionámos no Buçaquinho e preparámo-nos para uma investida em forma de percurso circular, numa altura em que o parque ainda estava quase vazio. A primeira parte já era conhecida, de outras visitas ao parque, mas é sempre muito agradável de redescobrir. O espaço está impecavelmente recuperado e é um excelente local de lazer e descanso, de fauna, flora e lagos fotogénicos. Entrámos depois na ciclovia e fomos progredindo sem pressas, acompanhados por outros caminhantes e ciclistas. Pouco depois da rotunda para a praia de Cortegaça investimos na direção do mar e passámos a andar sozinhos pela mata. Em muitas partes do percurso, o arvoredo forma pequenos túneis de uma sombra muito agradável.

Aproximámo-nos então do mar e seguimos ao longo da linha. Nunca tínhamos andado por ali, pelo que foi bom encontrar aquele litoral onde o asfalto e as construções ainda não chegam. Descobrimos algumas ligações de caminhos que trazem muitos visitantes, em particular os surfistas. Encontrámos também alguns corredores a treinar; fica a referência para investidas futuras. Caminhar ao longo da linha de mar é excelente, mesmo para quem prefere a montanha. Por vezes, e como seria expetável, o caminho de areia dificultava um pouco a progressão, mas era apenas uma desculpa delongada para apreciar a paisagem marítima.

Mais ou menos a meio da nossa caminhada, investimos na direção do VG das dunas. Escondido do mundo pela vegetação, parece um capitão esquecido à proa da história. Aproveitámos para almoçar um pouco mais à frente e descansámos de seguida. Como temos andado arredados das lides das caminhadas, os quilómetros percorridos começavam a fazer-se sentir nas pernas. Prosseguindo a nossa viagem, aproximámo-nos outra vez da ciclovia, mas fomos quase sempre progredindo pelos caminhos da mata. Fica a promessa de regressarmos para redescobrirmos a ciclovia no modo apropriado. Inclusive, mais tarde, ficámos a saber que o aluguer das bicicletas no Buçaquinho é gratuito e cada pessoa pode andar durante duas horas.

Passámos pelas instalações militares e continuámos pelos trilhos e caminhos da mata, até que o fim do percurso se começou a anunciar. O regresso ao parque fez-se num modo um pouco mais lento, já que os cerca de 21 quilómetros começavam a pesar nas pernas. Ao chegarmos descobrimos que o Buçaquinho tinha sido tomado por centenas de pessoas. Ainda assim, fomos dar mais um curto passeio lá dentro, à procura de uma vista sobranceira sobre a envolvência. Foi um excelente passeio, de regressos anunciados e em modo de corrida de bicicleta. E o mar ali tão perto!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

 

]]>
no-reply@geopt.org (ValenteCruz) Geocaching Sun, 06 May 2018 10:00:00 +0100
O Hundertwasserhaus http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3953-o-hundertwasserhaus http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3953-o-hundertwasserhaus O Hundertwasserhaus

Que raio de nome esquisito é este? O Hundertwasserhaus é um complexo de apartamentos localizado em Viena, idealizado por um arquitecto austríaco chamado Hundertwasser. Tal como Gaudi, este homem procurou cortar com os conceitos tradicionais e o edíficio que concebeu e que foi construido em meados dos anos 80 veio surpreender Viena a tornar-se um marco na cidade.

Na realidade o que vemos hoje ali é uma adaptação de um bloco já existente no local. O Hundertwasserhaus não caiu bem na comunidade de arquitectos, mas foi desde logo acarinhado pelo público em geral, tornando-se mais uma atracção da capital austríaca.
Um dos principios que Hundertwasser procurou trazer para a sua criação foi uma aproximação entre arquitectura e natureza, cobrindo terraços e plataformas com jardins suspensos que incluem árvores de certo porte. As linhas gerais do edíficio são ondulantes, traduzindo o desamor que o criador tinha em relação às linhas rectas. As cores desempenham um papel importante no complexo, com áreas diversas pintadas com os mais distintos tons cromáticos.
As coordenadas do local:  48° 12.455’N  16° 23.624’E
 
 
Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/
]]>
no-reply@geopt.org (Ricardo Ribeiro) Cruzamundos Wed, 02 May 2018 17:00:00 +0100
Locais: al-Qatraneh, o forte do deserto http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3949-locais-al-qatraneh-o-forte-do-deserto http://www.geopt.org/index.php/artigos/outros-artigos/cruzamundos/item/3949-locais-al-qatraneh-o-forte-do-deserto Locais: al-Qatraneh, o forte do deserto

Tinha-o já visto por duas vezes, e desta feita estava decidido a não o deixar escapar. Primeiro, de Amman para o grande deserto de Wadi Rum, passámos por ele e só depois, naquela fracção de segundo que leva a olhar para trás é que o vimos. À vinda já estava fisgado, mas apesar de o vermos melhor não conseguimos avistar o acesso a partir da “auto-estrada”. Agora tudo seria diferente. Tinha estudado o plano com o auxilio do Google Earth e pensava que a batalha estava vencida. Mas enganava-me! A seu tempo o objecto seria conquistado, mas não sem antes uma pequena emoçãozinha: quando me apercebi que o acesso planeado não seria possível compreendi que só uma inversão de marcha nos levaria até ele… na “auto-estrada”… e à nossa frente rolava um carro de polícia. De repente, mesmo na altura certa, fazem pisca… vão inverter a marcha, logo, significa que há ali um ponto de viragem. Errr… não… voltaram para trás sim, num sítio com um enorme sinal de proibição de inversão de marcha. E nós, no momento de loucura, já confiantes na benevolência daquele povo maravilhoso, no qual os agentes de autoridade não eram excepção, fizemos o mesmo!

Por uns instantes parámos de respirar. Iriamos ver as luzes azuis acenderem-se em nossa honra? Não. Seguiram caminho e logo ali encontrámos o esperado desvio. Estávamos lá. O forte era nosso!

Em redor não se via vivalma. Caía a tarde, com a rapidez com que sempre ali acontece. O sol já ia pintando de dourado as superfícies que tocava. A medo, rodeámos a fortaleza, esperando ver o portão de entrada trancado. Mas… não! Estava entreaberto, como que nos convidando a penetrar naquele espaço misterioso. Tinha lido que normalmente o acesso se encontra barrado  e, na melhor das hipóteses, o zelador surge para nos franquear passagem, merecendo depois uma gratificação.

Mas neste fim de dia apenas um rebanho de cabras a umas centenas de metros nos observava. E foi então que se fez magia. De repente este não era apenas um forte junto à estrada algures na Jordânia. Num instante apenas quase 40 anos de tempo são rebobinados e volto a ter 12 anos, e estou a brincar com um forte da Airfix, onde alinho soldadinhos de plástico da legião estrangeira, que disparam as suas armas imaginárias contra hordas de beduínos atacantes. Estou ali, no “meu” forte Airfix, que tantas horas de brincadeira me preencheu. A sério! Foi certamente em al-Qataneh que os “designers” da empresa britânica de modelismo se inspiraram para conceber aquele artigo que se comercializava nos anos 70. Só que apenas eu sei disso. Imaginam a minha euforia, a pisar com os meus pés aqueles recantos, como se tivesse entrado no mundo dos brinquedos, numa espécie de Toy Story privada?

 

Quando a hora de partir chegou, percorridas as muralhas, espreitados todos os recantos, penetradas todas as divisões, o sol já se punha. E assim, ficou gravado um daqueles momentos que dá sentido ao viajar. É nestas alturas que se esquecem canseiras e despesas, enervamentos e dores. Por um minuto assim, tudo vale. Bendito sejas Suleiman o Magnífico, grande lider dos Otomanos, por no ido ano de 1531 teres mandado construir esta edificação. Os peregrinos que aqui encontraram a segurança que lhes faltava agradeceram-te a seu tempo. Eu, lamento, mas só agora tive oportunidade de o fazer.

Coordenadas:  31° 14.510’N  36° 2.370’E

 

E agora, sim, encontrei… quantos de vocês, rapazes da minha geração, se lembram disto…

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

]]>
no-reply@geopt.org (Ricardo Ribeiro) Cruzamundos Wed, 25 Apr 2018 17:00:00 +0100