21de Novembro,2017

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12 June 2016 Written by  Geocacheter

geOeste #1

 

geOeste 

O Oeste é uma região composta por doze municípios que em conjunto oferecem paisagens extraordinárias que se estendem desde o Oceano Atlântico até ao conjunto montanhoso de Montejunto e da Serra dos Candeeiros.

O geOeste é constituído por praticantes de Geocaching e  tem como objectivo principal a promoção da actividade Geocachiana na zona Oeste e não só!

Esta rubrica terá publicação trimestral.

Nesta primeira edição iremos dar a conhecer ao leitor os concelhos do Oeste, de modo genérico, a história das suas origens, bem como da sua gastronomia, património e, claro está, sugerir a visita a algumas Geocaches que possam mostrar algum do património descrito em cada um dos concelhos.

 

 Alcobaça

“Terra de Paixão, dos Monges e dos Doces Conventuais”

Quando os rios Alcoa e Baça se juntam o resultado é Alcobaça e assim derivou o nome desta sede de Concelho.

No período medieval, este concelho foi fortemente marcado pela presença da Ordem de Cister após a reconquista de D. Afonso Henrique aos muçulmanos. Em 1148, estas terras foram doadas à Ordem. Poucos anos mais tarde, em 1153, foi edificado do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.  O Mosteiro é a maior atracção e cartão de visita de Alcobaça e nele se encontram duas riquíssimas peças de escultura, os túmulos de D. Inês de Castro e D. Pedro I (protagonistas de uma conhecida história de paixão e amor na Idade Média). Ao longo dos anos foi reconstruido diversas vezes e em vários estilos, desde o gótico ao manuelino.

Confirma-se a enorme relevância do artesanato na região através das suas louças, vidros e também dos tecidos, denominados por Chitas de Alcobaça.

Em relação à gastronomia os pratos regionais são o Frango na púcara, Cherne à Frei João e na doçaria são de destaque as Cornucópias, as Delícias de Frei João, o Pudim de ovos dos Frades,  o Pão-de-Ló de Alfeizerão, os Pastéis da Padeira e Tortas de Aljubarrota, as Queijadas do Bárrio.

Imortalizada por Maria de Lurdes Resende, a canção “Quem passa por Alcobaça, não passa sem lá voltar…”  é, de certa forma, um hino deste “Burgo de Cister”.

Sugestão de locais para visita: Mosteiro de Alcobaça, Ruínas do Castelo de Alcobaça, Museu do Vidro, Museu do Vinho, Museu Agrícola, Museu Raúl da Bernarda.

Sugestão de Geocache(s): Cister Sight - As vistas do Castelo

 

ALENQUER

 

“Terra do Alão, de Damião de Gois e Vila Presépio”

"Alen Ker" significa "A vontade de Alão". O Cão Alano é uma raça conhecida pelas suas qualidades na caça e combate, que, ainda hoje continua a proteger a vila de Alenquer no seu Brasão.

Alenquer foi fundada por muçulmanos e conquistada por D. Afonso Henriques. Existem duas versões distintas acerca da derivação do nome da vila de Alenquer.

Uma das versões conta que D. Afonso Henriques se deparou com uma cidade fortemente defendida pelos mouros e decidiu conquistá-la. Diz-se que na manhã em que o rei decidiu tomar o castelo, indo ele com o seu séquito tomar banho no rio e fazer as suas correrias, viram um cão grande e pardo, que vigiava as muralhas do castelo e se chamava Alão. Como ao aproximarem-se dele o cão mostrou-lhe um ar amistoso, permitiu o contacto físico e acabou por receber imensas festas. O Rei tomou isso como um bom presságio e decidiu começar o ataque ao castelo dizendo o "ALÃO QUER". A outra versão conta que o cão chamado Alão levava todas as noites as chaves da Vila na boca, deslocando-se pela muralha fora até à Casa do Governador. Os cristãos aproveitando-se dos instintos do animal, prenderam uma cadela debaixo duma oliveira à vista do cão. Este, através do seu instinto natural, galgou o muro entregando as chaves aos portugueses. Faça-se notar que, até aos dias de hoje,  estas lendas não têm nenhum fundamento comprovado, mas podemos constatar que o brasão da vila tem um cão que, de algum modo, dá crédito à lenda.

Nos campos da região, predomina a vinha e podem-se visitar e provar os vinhos de diversas Quintas e Produtores, desde brancos aromáticos e persistentes no sabor; a tintos, vivos e brilhantes enquanto novos, de raro “bouquet” quando envelhecidos.

Alenquer devido à sua disposição geográfica, desde um topo de um outeiro até ao vale, também é conhecida como “Vila Presépio” ou “Presépio de Portugal”, devido à organização anual de um presépio de grandes dimensões, numa das suas encostas.

Terra  Natal de Damião de Gois e também a predilecta de Luiz de Camões.

Na gastronomia o prato típico é o Torricado. Basicamente, consiste em torrar e untar com azeite e alho o pão, para acompanhar o bacalhau assado ou a sardinha assada.
 
Sugestão de locais para visita: Portal Manuelino do Convento de São Francisco , Túmulo de Damião de Góis, Fábrica Nova da Romeira , Castelo de Alenquer.

Sugestão de Geocache(s): Fábrica Nova da Romeira, Damião de Gois

 

ARRUDA DOS VINHOS

“Terra da Manta de Retalhos, dos Vinhos e da Bruxa”

Em 1172, D.Afonso Henriques faz a doação da Vila à Ordem de São Tiago.

Hospitalidade é “palavra de ordem” neste concelho, o qual permite aos seus visitantes a possibilidade de fazerem uma boa degustação gastronómica, regada por “elixires locais” que comprovam o nome desta sede de concelho.

É nas encostas e vales soalheiros deste concelho que as videiras permitem a produção de vinhos conhecidos e galardoados.

Reza a cultura popular a existência da Bruxa da Arruda (ou bruxas), a famosa curandeira, que descende de uma geração de mulheres da mesma família. As suas práticas e conhecimentos terão sido aprendidos e herdados de algumas Comendadeiras da Ordem de Santiago. Claro está que as referidas Comendadeiras seriam esposas e filhas dos Cavaleiros da mesma ordem.

A região de Arruda dos Vinhos ainda possui um património natural único, o qual é composto por uma alternância do espaço urbano e do espaço rural. Desta forma, os seus terrenos agrícolas em redor do concelho, com as vinhas e as searas, formam um padrão irregular ao qual os habitantes deste concelho intitulam “manta de retalhos”.

Na gastronomia os pratos típicos são as favas guisadas com entrecosto, bacalhau assado com batatas a murro e as Bruxas de Arruda.

Sugestão de locais para visita: Chafariz Pombalino (Monumento Nacional), Igreja Matriz, os Arcos do Aqueduto, Hospital da Misericórdia, Capela de S. Lázaro, Torre do Relógio (antigos Paços do Concelho), Fortes das Linhas de Torres (Forte da Carvalha, Forte Casal do Cego,...)

Sugestão de Geocache(s): Forte da Carvalha, Forte do Casal do Cego

BOMBARRAL

“Terra da Pêra Rocha e do Vinho”

Marcada pela Rota da Vinha e dos Vinhos, a vila do Bombarral situa-se numa planície de aluvião bastante fértil orlada de outeiros pouco elevados, na margem esquerda do rio Real e a uma altitude de 50 metros.

O seu nome deriva da junção de Bom + Barral, segundo o já falecido Professor José Hermano Saraiva, esta sede de concelho era rica em argila/barro de qualidade, daí o seu nome Bombarral.

Esta vila pertenceu ao concelho do Cadaval até 1852, passando para o de Óbidos, até que em 1914 passou a ser cabeça do concelho, constituído pelas freguesias de Carvalhal, Roliça e Bombarral.

A inauguração da linha férrea do Oeste, em 1 de Agosto de 1887, impulsionou o desenvolvimento agro-industrial da vila.

Aquando da implantação da República, e em grande parte como agradecimento pelo forte apoio que a freguesia prestou ao movimento republicano, Bombarral ganhou independência em relação a Óbidos.

A base da economia do concelho é uma agricultura minifundiária, onde se destaca o vinho, a pêra-rocha e os diversos produtos hortícolas.
Na gastronomia predomina a Pêra Rocha, excelente acompanhante da doçaria (pêras bêbadas e não só…) e os vinhos provenientes das quintas do concelho.

Sugestão de locais para visita: Edifício da Câmara Municipal  - Antigo Palácio dos Henriques, Palácio Gorjão, Ermida de São Brás, Igreja Paroquial do Santíssimo Salvador do Mundo, Teatro Eduardo Brazão, Estação de Caminho de Ferro, Quinta dos Loridos - Bacalhôa Buddha Eden

Sugestão de Geocache(s): Teatro Eduardo Brazão, Quinta dos Loridos

 

CADAVAL

“Terra do Foral, da Varanda da Estremadura e do Gelo”

O corpo legislativo do concelho do Cadaval começou por ficar estabelecido nas cartas de elevação a vila e de doação a D. João Afonso Telo, dadas pelo rei D. Fernando em 1371.

O rei D. Manuel I realizou a reforma dos forais e concedeu foral ao concelho do Cadaval em 1513. Este foral atribui a jurisdição civil e de crimes, estipula as penas aplicadas e define os tributos fiscais e fundiários que eram devidos pelos habitantes à autoridade senhorial. São também nele definidas as isenções.

Como foi referido, o Cadaval foi um concelho rural vivendo, sobretudo, da agricultura e da pecuária. Até ao século XIX, a autoridade senhorial, que se limitava a colher as rendas, mandava mais que a autoridade concelhia.

O concelho também nunca tirou proveito da revolução industrial, e até finais do século XX conservou sempre as suas características rurais.

O Cadaval é atravessado, na direcção de oriente para sul, pela Serra de Montejunto, a qual é designada pela “Varanda do Oeste”.

É na Serra de Montejunto que está erguida, ainda em excelentes condições, a Real Fábrica do Gelo. É única em Portugal e um dos raros casos do seu género na Europa. Em termos de tecnologia, à época, era uma das mais avançadas.  A edificação da Fábrica do Gelo é atribuída aos frades dominicanos, em época anterior a 1741, com o principal objectivo de abastecer de gelo a capital.

O Cadaval destaca-se mais na doçaria, tendo como doces regionais o Pão-de-Ló do Painho (conhecido como doce das vindimas), o mel e o Bolo de Pêra Rocha.

Nesta sede de concelho, ainda persiste o peso da economia agrícola, fortemente ligada à vinha e aos pomares.

Sugestão de locais para visita: Real Fábrica do Gelo, Serra de Montejunto, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Capela da Nossa Senhora das Neves, Igreja  de Nossa Senhora da Expectação

Sugestão de Geocache(s): Real Fábrica do Gelo, Conventos e radares

 

Caldas da Rainha

“Terra dos Águas Mornas, do Zé, da Maria e não só!”

“Caldas da Rainha nasceu da água...” Quando a Rainha D. Leonor passou pelo local onde cresceu esta sede de concelho, observou alguns indivíduos a banharem-se em águas cálidas e que brotavam da fonte fumegando (razão pela qual os naturais de Caldas da Rainha serem conhecidos por Águas Mornas”).

Perante a curiosidade da Rainha foi-lhe respondido que eram doentes de "frialdades"e que naquelas águas encontravam remédio para os seus padecimentos. Sensibilizada pelo facto de os banhos naquela águas serem realizados de forma precária, mandou construir um padrão de alvenaria de forma a permitir que os banhos tivessem melhores condições. Mais tarde mandou construir o hospital para que todos, não só os habitantes locais como os do resto do país, pudessem “ir a banhos”, no sentido de obterem a cura dos seus males.

Após a construção do hospital, a povoação foi crescendo em seu redor tendo sido reconhecida como Vila em 1488. Mais tarde, em 1511, recebeu o foro municipal autónomo por outorga e demarcação do Rei D. Manuel, a pedido de D. Leonor. A partir deste momento, registou-se um rápido desenvolvimento populacional e as Caldas da Rainha tornaram-se numa Estância Termal muito concorrida.

Para além das termas, Caldas da Rainha também é identificada pelas obras de cerâmica, fortemente direccionadas para a critica social e politica do artista Rafael Bordalo Pinheiro. É o autor da representação popular “Zé Povinho”, (figura essa que se veio a tornar num símbolo do povo Português) e da sua esposa “Maria Paciência”, entre outros. Além de Bordalo Pinheiro é necessário identificar outros notáveis nas artes, como José Malhoa (pintor) e Raúl Proença (escritor).

É necessário referir que esta sede de concelho também é conhecida pela terra do “dito cujo” e da malandrice. Neste caso, a malandrice trata-se de loiça na qual o órgão sexual masculino se encontra representado, bem como o feminino (este ultimo em menos percentagem). Ainda hoje, no sector fabril da cerâmica consta que as trabalhadores às 5 horas da tarde, hora de saída do trabalho, utilizam a expressão: “Não faço nem mais um “c@#@$&0”! ;)

Em relação à gastronomia, há uma procura pelo pescado da Lagoa de Óbidos, sendo os seus pratos típicos o Ensopado de Enguias, Caldeiradas e Mariscos da Lagoa. Com uma grande influência na cultura conventual,  os doces são as Trouxas das Caldas e Lampreia de ovos, os Esses (lagartos), as Cavacas e os Beijinhos.

Sugestão de locais para visita:Igreja Nossa Senhora do Pópulo, Estátua da Rainha D.Leonor, Museu José Malhoa, Chafariz 5 bicas, Faianças Artísticas Rafael Bordallo Pinheiro, Museu da Cerâmica, Hospital Termal

Sugestão de Geocache(s): As Figura de Bordalo Pinheiro, Vamos às Caldas

 

Lourinhã

“Terra dos Dinossauros e da Loba”

A origem do nome desta sede de concelho está relacionada com uma povoação romana denominada Laurinianum ou Laurinius, que, por sua vez, descende de Laurus ou Laurius, que tem o significado latino de Loureiro, árvore muito abundante na região.

A região da Lourinhã foi habitada desde os tempos da pré-história. Poderemos encontrar no seu Museu vestígios e objectos da presença humana (e não só) na região desde o Paleolítico, Neolítico e Calcolítico. Igualmente, no Museu, também poderemos encontrar vestígios da presença de dinossauros nesta região.

A origem desta sede de concelho está directamente ligada a D.Jordão, que em 1147 participou no cerco bem-sucedido a Lisboa. Mais tarde, em 1160, El Rei D. Afonso Henriques concedeu a Jordão a região da Lourinhã e permitiu que concedesse um foral aos seus colonos. Nesse mesmo ano o primeiro foral foi atribuído. D.Jordão também foi o responsável pela edificação da Igreja do Castelo. É denominada desta forma, pois, foi junto ás muralhas do antigo castelo (hoje extinto) que foi construída.

Reza a história que há muitos anos atrás, um número elevado de pessoas se puseram em alvoroço pois existia um animal de grande porte que lhes assaltava as capoeiras e currais. O animal em questão era uma cadela de uma das famílias ricas da zona que se tinha soltado. O pânico estava instaurado já que havia uma “grande loba” a ameaçar a vila. Vários homens  se juntaram com armas de fogo e utensílios agrícolas e partiram para a caça do animal. Correram atrás dele e mataram-no. No final, quando se aproximaram dele, constaram que era uma cadela de raça de grande porte. Devido a este facto, Lourinhã ficou conhecida como a “terra da loba”.

Este concelho, também ficou na memória em 1808, data da famosa batalha do Vimeiro, integrada no âmbito da Guerra Peninsular, que opôs soldados portugueses e ingleses às numerosas tropas napoleónicas. Nos festejos dos 100 anos da batalha, D.Manuel II manda construir um obelisco, local de paragem obrigatória e visita ao Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro.

Ainda no Vimeiro e segundo fontes tradicionais a Rainha Santa Isabel residiu na região e descobriu uma nascente de água que lhe curou um mal de pele. Tendo a água características medicinais e por ter curado a Rainha, o povo apelidou-a às águas que jorravam da fonte de Águas Santas do Vimeiro. Actualmente, essa nascente integra uma estância termal do mesmo nome.

A níveis gastronómicos, nesta região também se destacam os pratos de peixe, os pratos de bacalhau e a famosa Lagosta Suada. Por outro lado, assumindo para além da ligação ao mar, encontramos pratos de carne como o Ensopado de Borrego ou Cabrito e o Sarrabulho. Na doçaria encontramos os Amendoados, o Pão-de-Ló de Miragaia, o Paimogo, as Areias Brancas e as Delicias do Convento. Será de referir a Aguardente da Lourinhã, reconhecida pela sua qualidade superior.

Sugestão de locais para visita: Igreja do Castelo, Igreja e convento de Santo António, Forte de Paimogo, Moinhos de Vento da Pinhôa, Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro, Monumento Comemorativo da Batalha do Vimeiro.

Sugestão de Geocache(s): Igreja Santa Maria do Castelo, Moinhos da Pinhôa, Forte de Paimogo

 

Nazaré

“Terra do Canhão e das 7 saias”

Até princípios do século XVII a zona onde é hoje a Nazaré estava formada por dois núcleos, ou seja,  o Sítio e a Pederneira. A actual Praia da Nazaré não existia pois o mar entrava pela serra da Pederneira, onde existia uma vila medieval a qual subsistia de um importante porto e estaleiros de construção naval. Com o descer das águas, forma-se a Praia da Nazaré e a população começa estabelecer-se na costa, surgindo assim a Vila da Nazaré.

Reza  a Lenda da Nazaré que ao nascer do dia 14 de setembro de 1182, D. Fuas Roupinho, Alcaide do Castelo de Porto de Mós caçava junto ao litoral. Ao avistar um veado, D. Fuas investe na caçada e persegue a presa. O veado dirigiu-se para o cimo de uma falésia… D. Fuas, no meio de nevoeiro cerrado, isolou-se dos seus companheiros. Quando se deu conta de estar no topo da falésia, à beira do precipício, o perigo de morte era eminente. Nisto D. Fuas reconhece o local  estando mesmo ao lado de uma gruta onde se venerava uma imagem de Nossa Senhora com o Menino. Rogou aos céus em voz alta: Senhora, Valei-me!. Miraculosamente, o cavalo estacou, fincando as patas no penedo rochoso suspenso sobre o vazio (Bico do Milagre), salvando-se assim o cavaleiro e a sua montada da morte certa, pois, caso contrário seria uma queda de mais de cem metros. D. Fuas desmontou, desceu à gruta e rezou em agradecimento. De seguida mandou construir uma capela sobre a gruta, a Ermida da Memória, para aí ser exposta à veneração dos fiéis a milagrosa imagem.

Mais abaixo e do lado oposto à Ermida da Memória, temos O Canhão da Nazaré na Praia do Norte. Trata-se de um desfiladeiro submarino de origem tectónica situado ao largo da costa da Nazaré que funciona como um polarizador de ondulações, ou seja,  as ondas conseguem viajar a uma velocidade muito maior pela falha geológica, chegando à costa praticamente sem dissipação de energia. A Praia do Norte apresenta, comparativamente à restante costa portuguesa, ondas significativamente maiores. Esta praia, em Novembro de 2011, permitiu a Garret Macnamara surfar numa onda com cerca de  30 metros.

Nos dias de hoje, a Nazaré é uma típica vila de pescadores que prezam conservar as suas características, hábitos e costumes tradicionais. As senhoras utilizam as sete saias, traje relacionado com o mar, que, segundo o povo estas representam as 7 virtudes, os 7 dias da semana, as 7 cores do arco-íris, as 7 ondas do mar. Os homens trajam também de pescador e calçam as célebres “Socas ou Tamancos” e na cabeça utilizam barrete negro.

Um dos bilhetes-postais desta sede de conselho é a tradição ancestral da secagem do peixe nos pandeiros (estendais) o que faz com que o carapau, depois de seco, assuma um papel de uma  iguaria regional/tradicional da Nazaré.

A gastronomia neste concelho é mais especializada em pratos de peixe e marisco. Realce particular para a Caldeirada Nazarena, o Peixe Fresco grelhado (sardinhas, carapaus, douradas, robalos), Peixe Seco. Outros pratos também compõem a lista gastronómica como a açorda de marisco, o arroz de tamboril, as cataplanas de peixe ou marisco, assim como os bivalves berbigão e ameijoa, o camarão e a  sapateira. Na doçaria regional realçam-se os Támares, as Sardinhas e os Nazarenos.

Sugestão de locais para visita: Igreja da Misericórdia, Forte de São Miguel Arcanjo, Paço Real, Ermida da Memória, Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, Monte São Brás, Fonte da Vila, Farol da Nazaré

Sugestão de Geocache(s): Monte de São Brás, O Canhão da Nazaré

 

Óbidos

“Terra da Josefa e da Ginja”

Com traços de origem medieval, a Vila de Óbidos é um importante património histórico nacional.

O nome Óbidos provém do latino Oppidum, que significa cidadela ou cidade fortificada.

Esta vila, por doação do foral de Óbidos, foi oferecida pelo Rei D.Dinis à sua esposa, Rainha Santa Isabel, ficando assim como pertença das Casas das Rainhas.

Várias Rainhas passaram por Óbidos, mas, será de destacar D. Catarina que mandou construir o aqueduto e chafarizes, criando uma rede de água garantindo uma melhor acessibilidade à mesma.

Embora nascida em Espanha (Sevilha), mas com raízes em Óbidos (filha do pintor Obidense, Baltazar Gomes Figueira), Josefa de Ayala Figueira conhecida por Josefa de Óbidos, desde cedo manifestou vocação para a pintura e gravura em metal (cobre e prata). Vinda para Portugal com apenas 4 anos de idade, foi educada e seguiu os passos do seu pai. Podemos encontrar as suas obras em diversos conventos e igrejas como: Igreja de Santa Maria de Óbidos, Convento do Varatojo, Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro da Batalha e inclusive na Academia das Belas Artes de Lisboa (que também possui um quadro da autora no seu espólio).

Foi em Óbidos que, em 1951, pela primeira vez no nosso país, um monumento histórico é adaptado a Pousada.

No dia 1 de Dezembro de 1973, esta Vila foi palco de uma importante reunião do movimento dos Capitães de Abril.

Actualmente em Óbidos são realizadas diversas actividades como Óbidos Vila Natal,  o Festival Internacional do Chocolate e o Mercado Medieval.

Na gastronomia, os pratos de carne como o ensopado de cabrito e carne na brasa influenciados pela criação de gado, bem como os de peixe com as enguias fritas, influenciada pelo pescado da Lagoa de Óbidos.

Há produção de bons vinhos regionais, mas é a ginja que é a rainha. Degustada “com elas” ou em copo de chocolate, este licor é reconhecido internacionalmente, sendo a bebida mais típica e tradicional desta sede de concelho.

No que respeita à doçaria,  nesta região destacam-se as Trouxas de Ovos, Lampreias das Gaeiras, Alcaides, Pegadas e Pastéis de Moura.

Sugestão de locais para visita: Castelo de Óbidos, Igreja de Santa Maria, Porta da Vila, Aqueduto, Santuário do Senhor Jesus da Pedra.

Sugestão de Geocache(s): Óbidos (Castelo), Aqueduto de Óbidos, Santuário do Senhor Jesus da Pedra,

 

Peniche

“Terra Pescadores e Rendilheiras”

Peniche está situado no litoral Oeste e as suas gentes sempre se dedicaram à actividade  piscatória. O seu património cultural reflecte-se nesta actividade, no artesanato, com as rendas de bilros e também na gastronomia, na qual, os pratos centram-se principalmente no pescado e em marisco.

Relativamente ao seu património arquitectónico é de destacar a Fortaleza de Peniche, a qual tinha como principal objectivo a defesa  e protecção contra as invasões marítimas. Desde 1984 que se encontra nessas instalações um museu, que ilustra a história de Peniche e que evoca a resistência antifascista, recordando que aquele forte serviu, entre 1934 e 1974, de prisão política durante o regime do Estado Novo.

Ao largo de Peniche, para lá de seis milhas marítimas, situa-se o arquipélago das Berlengas, que é hoje uma reserva natural onde se encontram raras espécies de fauna e flora.

Relativamente à gastronomia, os pratos regionais centram-se no peixe, Caldeirada de Peniche e a Sardinha assada. Na doçaria encontramos os Pastéis de Peniche, os Amigos de Peniche e os "Esses de Peniche" (biscoitos de amêndoa).

Sugestão de locais para visita: Fortaleza de Peniche, Farol do Cabo Carvoeiro, Nau dos Corvos, Forte da Praia da Consolação, Forte de São João Baptista (Ilha da Berlenga), Fonte do Rosário, Igreja de São Pedro, Igreja dos Remédios, Igreja de São Leonardo (Atouguia da Baleia), Muralhas e Portas da cidade, Paço Real D. Pedro I (Serra de El-Rei).

Sugestão de Geocache(s): Forte de Peniche (Praça), Nau dos Corvos, Farol do Cabo Carvoeiro, Forte de São João Baptista (Berlengas),Forte da Praia da Consolocação

 

Sobral de Monte Agraço

“Terra da 1ª linha de defesa de Lisboa, dos Toiros e Olé!

O mais antigo documento de Sobral de Monte Agraço que se conhece data de 1 de Outubro de 1186 e trata-se de uma carta de doação do Rei D. Sancho I ao Bispo de Évora, D. Paio, do Reguengo do Soveral, com todos os seus termos. A doação destes terrenos pertencentes à Coroa era em simultâneo uma recompensa à Igreja e aos Nobres por serviços prestados ao Rei, assim como de incentivar o povoamento local.

Esta sede de concelho inserida no património histórico-militar da 1.ª Linha de Defesa de Lisboa. Esta linha teve enorme impotância estratégica sendo composta por oito obras defensivas: Moinho Céu; Forte da Caneira, Forte Grande, Forte do Trinta, Forte do Simplício, Forte do Machado, Forte da Patameira e Forte Novo.

De todas as obras o Forte Grande, conhecido por Reduto do Sobral ou do Alqueidão, é o mais emblemático, pois, era aquele que tinha maior capacidade não só em guarnição (1590 militares) como também em peças de artilharia (25 unidades). Por outro lado, arquitectónicamente falando, este tinha uma forma díspar do que era habitual na maioria das obras/fortes militares.

Sobral de Monte Agraço brada “Olé!” pois está fortemente ligado à actividade tauromáquica.

Na gastronomia regional encontramos pratos desde o bacalhau ao cabrito, acompanhados por excelentes vinhos brancos e tintos, sem nunca omitir os tradicionais queijos frescos regionais.

Sugestão de locais para visita: Igreja de Santo Quintino, Capela Romano-Gótica, Forte Grande de Monte Agraço (o mais relevante dos fortes das Linhas de Torres desta região).

Sugestão de Geocache(s): "A última Tupperware de Napoleão"

 

Torres Vedras

“Terra do Entrudo e das Matrafonas, do Agostinho e das Linhas de Torres"

O nome primitivo deste lugar provém de Turres Veteras, devido às velhas torres da sua fortificação, edificada no período romano.

A vila de Torres Vedras teve uma posição imprescindível nas invasões Napoleónicas, a partir de 1809, já que foi o baluarte de defesa da capital, graças às Linhas de Torres e ao Forte de São Vicente.

Terra com tradição Carnavalesca e folia, a qual, na época do entrudo vive-se intensamente os “saquinhos e serpentinas”, os homens vestem-se de Matrafonas e as mulheres de Ministros. Nesta época também é utilizada a sátira que podemos encontrar nos temas dos diferentes carros alegóricos do Cortejo Carnavalesco.

Chamam-lhe erradamente a “terra dos aborrecidos”, ou seja, quem sai de Torres Vedras é que fica aborrecido por não ter lá ficado.

Torres Vedras é a terra natal de Joaquim Agostinho. No Parque Verde da Várzea desta sede de concelho, foi edificado um monumento de homenagem ao ciclista.

Na gastronomia temos variados pratos de mar e de terra,  e na doçaria conta com o regional Pastel de Feijão, que é internacionalmente conhecido.

Sugestão de locais para visita: Forte de São Vicente, Forte de Olheiros, Castelo, Parque do Choupal, Aqueduto de Torres Vedras, Igreja de Santa Maria do Castelo, Igreja de São Pedro, Ermida de São Vicente, Ermida Nossa Senhora do Amial

Sugestão de Geocache(s): CasteloErmida de São Vicente, Forte de São Vicente, Forte de Olheiros, Ermida Nossa Senhora do Amial, Parque do Choupal

 

Para terminar a primeira edição desta rubrica, apresentamos o Manifesto do Oeste e aguardamos a Vossa visita.

 

“Eu sou Oeste”

Eu sou a bravura que defendeu as linhas e sou a fuga de Peniche.

Sou a história em Alcobaça. Sou pêra rocha do Bombarral

Sou as ruas estreitas de Óbidos e as termas de Leonor.

Sou a coragem de quem enfrenta o mar e a força de quem amaina a terra.

Eu sou a lenda de D. Fuas.

Sou duquesa no Cadaval e bruxa na Arruda.

Eu sou a pintura de Malhoa. A pena de Proença. O traço de Byrne. A escultura de Fragoso.

Eu sou Agostinho e como ele, pedalei todo mundo.

Eu sou a onda que McNamara surfou.

Sou as águas calmas da Lagoa de Óbidos e sou o ar puro de Montejunto.

Sou o início do Mundo, a capital dos Dinossauros.

Com coragem, enfrento os toiros no Sobral e olé, que venha o Carnaval de Torres e o vinho de Alenquer!

Porque eu sou o Mundo!

Porque eu sou Portugal!

Porque eu sou OESTE!

 

 

“Nunca ‘stá tal&qual”! ;)

Visitem a nossa página.

Nota: Este artigo foi elaborado com base na pesquisa em sites, incluindo os dos vários municípios envolvidos... e não só!

 geOeste

 

 



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3 comments

  • Comment Link JoseSousa 22 June 2016 javs

    Parabéns pela rubrica sobre o geOeste!

    Que venham mais rubricas de outras zonas do Continente;

    Grande Abraço e até já,

  • Comment Link vsergio 15 June 2016 vsergio

    LindOeste

  • Comment Link Joaquim Safara 14 June 2016 jasafara

    Muitos parabéns pelo vossa nova rubricá. Irei ter as vossas sugestões em boa conta!

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