24de Setembro,2020

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PauloMelo

PauloMelo

Friday, 05 April 2019 10:00

GeoFoto Abril 2019

O primeiro GeoFoto da Primavera de 2019 tem como tema "Árvores". Foi esta a proposta do vencedor da edição de Março com esta foto:

Parabéns tiago.david pela foto!!

Acompanhem o passatempo aqui.

Wednesday, 06 March 2019 17:00

Ásia 2017 – Dia 45 – Brunei

O único dia completo no Brunei, e como viria a perceber, só metade dele teria sido suficiente para esta visita. Até acordei bem disposto. Dormi bem, como não acontecia há muito tempo. A cama era confortável, as imediações eram silenciosas e a ventoinha de tecto oferecia um fresquinho bem bom.

Comi qualquer coisa, a anfitriã saiu. Deixei-me estar um pouco mais na preguiça. Saí às 8 horas, caminhei até à paragem de autocarro, esperei um pouco, não muito, e logo apareceu o mini-bus para o centro da cidade. “So far so good”.

Só que a capital do Brunei é mesmo… pequena. Quer dizer, é uma cidade de 100.000 habitantes, mas a população está dispersa, há ocupação em grande área, no que toca a habitação e tecido económico. Mas o centro, é basicamente inexistente e desprovido de pontos de interesse. Se disser que em 10 minutos se dá a volta completa, não estou a exagerar. Atrações? Não há. Ah! A mesquita que vi na véspera. Um museu com património do Sultão. E mais… hum… nada.

Bem, mas a verdade é que não comecei por aí. Queria espreitar um pico com uma antena que tinha visto à entrada do centro da cidade. Saltei para fora do autocarro e ataquei a subida íngreme… mesmo íngreme. Com calor tropical, muita humidade, o suficiente para me deixar a escorrer. Cheguei lá acima para descobrir duas coisas: uma, que a vista não era nada de especial, a outra, que se iniciava ali um trilho de caminhada pela floresta, o que achei uma excelente ideia. Isto não estava no plano mas não consegui resistir. Pelo menos um bocadinho. Fui andando, e foi bom. Para ser sincero, foi o melhor do Brunei. Suei, suei e voltei a suar, tanto que me lembro apenas de uma situação assim, em São Tomé. Não sei de onde vem tanta água, como é possível. Uma pessoa escorre, com esta humidade. Andei uns 2 km em cada direcção. Com tempo teria progredido mais, mas estava tão suado, quer dizer, o “mal”, já estava feito, mas não me imaginava a andar pela cidade depois de uma caminhada na floresta.

Vi macacos, mesmo ao pé de mim, numa árvore. E mais macacos, um pouco mais longe. Vi também um esquilo. Subi e desci, diverti-me. Mas chegou a altura em que decidi voltar para trás.

Já na cidade descobri o que já disse: que é completamente desprovida de interesse. Levantei dinheiro – a mais do que viria a necessitar mas felizmente o Dólar do Brunei é usado em Singapura e vice-versa – comi um “Blizzard” no Dairy Queen, de banana e morango, que tanto tinha gostado no Vietname. Mas este era diferente e nem isso me deu grande gosto.

Pensei em ir à aldeia sobre estacas, do lado de lá do rio, mas três coisas me desmotivaram: a atitude dos barqueiros, o estado agitado da água e a velocidade a que eles andam. Fiquei só a olhar, ainda a hesitar, mas não.

Visitei o posto de turismo e o seu simpático funcionar, basicamente a única pessoa simpática e agradável com que me cruzei no Brunei (ah não, houve outra!). Mas o que ele me sugeriu já eu tinha visto.

Usei os meus 30 minutos de acesso Wi-Fi gratuito, dei mais umas voltas, memorizei alguns pontos – restaurantes, lojas, etc – e… voltei para casa. Estava o Brunei visitado.

Deixei-me estar a acertar trabalho, dormi, escrevi, li. E li mais. Fiz uma pausa na ronha para ir ao supermercado local comprar abastecimentos para o jantar e pequeno-almoço seguinte, comi, soube-me bem, voltei à ronha. A passagem pelo Brunei não foi um falhanço. Não gostei nada daquilo e menos ainda das pessoas, mas o descanso soube-me bem e permitiu-me colocar o diário em dia.

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

Wednesday, 30 January 2019 17:00

Ásia 2017 – Dia 40 – Hsipaw a Mandalay

Foi um curto mas bom dormir, naquele quarto bem arranjado e agradável onde – não fosse o barulho que chegou com o início do dia – poderia imaginar-me a ficar uns dias. Se o contexto fosse outro, com mais calma.

Não havia tempo a perder. Eram seis e meia e às 9:00 devíamos estar na estação de comboios para tratar do bilhete para a partida das 9:45. O pequeno-almoço, a ser aproveitado, começava a ser servido às sete.

Portanto, começar por uma pequena volta pela localidade que ia despertando. Estamos a alguma altitude, o clima é diferente do que até agora. Há uma névoa relativamente fria, as pessoas andam de agasalhos. Há um ambiente de montanha em Hsipaw. E para já um objectivo: encontrar o mercado, descrito no meu Rough Guides como um dos mais interessantes do país.

Foi fácil. Virar à esquerda e na estrada principal, à direita e passado umas centenas de metros lá estava ele, junto a uma curva. Pequeno e tímido mas místico. Umas dezenas de metros de estrada com vendedoras e, para o lado do rio, uma área coberta, ainda na penumbra da noite. Uma experiência inesquecível, sem dúvida um dos pontos altos de toda esta viagem pela Ásia.

Sobretudo vendem-se ali vegetais e frutas, mas também peixe, carne, flores, produtos diversos. Na outra margem do rio, cujos bancos se encontram cobertos de lixo, começa-se a levantar o sol, uma bola de fogo que se distingue por detrás da cortina cinzenta da névoa matinal, agora a começar a desfazer-se com a chegada de mais um dia. Ainda o sol acaba de se levantar e já o mercado dá sinais de chegar ao fim. A maioria das pessoas está a sair, não a entrar. Vão carregadas de bens, a pé, de bicicleta ou de mota. Os vendedores começam a arrumar as coisas, têm cada vez menos clientes interessados nos seus produtos.

Fomos ao pequeno-almoço, bem bom, estilo ocidental, para comer e atestar o depósito até não poder mais. Pagar o quarto e arranjar um transporte para ir a “little Bagan” e de lá directo para a estação de comboios.

 

Foram apenas três horas em Hsipaw, mas foi um sucesso. Adorei a cidade, se é que é uma. Mais uma vila, senão, uma grande aldeia. Como em todo o lado na Birmânia é um espectáculo observar as pessoas e as suas actividades.

 

O transporte era uma carrinha de caixa aberta, adaptada para o transporte de passageiros. São os táxis por estas paragens, versáteis, que podem fazer ligações colectivas ou serviços privados. Correu bem, foi engraçado, atravessar Hsipaw “na caixa”, depois percorrer alguma distância em espaço rural, antes de chegar a “little Bagan”, nome dado a um complexo religioso nos arredores.

Poderia ter andado, são cerca de 2 km, mas para isso precisava de tempo que não tinha. Foi um bom detalhe. Um lago, com uma ponte de madeira que leva a um Buda com uma concepção bem diferente do habitual, num estilo “realístico”. E depois os templos centenários, alguns deles, pequenos, com a vegetação a envolvê-los… devem ser ainda mais bonitos na época das chuvas.

 

Mas o melhor é o que tem uma árvore a sair-lhe do topo. Uma visão sem dúvida original. Bem, entretanto tinham-se escoado os vinte minutos de espera negociados com o taxista e estava portanto na hora de seguir para a estação.

Já não havia bilhetes de upper class, terão que ser ordinary class, bancos de pau portanto, o que teoricamente não seria a escolha para uma viagem de umas 15 horas. Num gabinete com uma mão cheia de estrangeiros o chefe de estação vai procedendo ao ritual acto da emissão de bilhetes, onde não falta o ajudante para a inscrição de nomes e números de passaporte num livro de registo. Cada coisa a seu tempo, parece ele dizer, enquanto pausadamente explica em detalhe os procedimentos de embarque a mais uns clientes estrangeiros.

 

Na estação vende-se fruta, há pessoas que esperam já pelo comboio. À hora, chega. Embarcamos. No nosso lugar um avô mal encarado e um neto irrequieto. Ficamos por perto, mas assentos mais agradáveis. Mesmo atrás, as camas do pessoal do comboio, os “engenheiros de bordo”. Debaixo dos bancos há material de reparações. É imperioso. Outro viajante diz-me que nesta viagem, seguia num comboio onde um vagão descarrilou. Nada de sério. Passado duas horas estavam de novo a caminho. O pessoal simplesmente repara tudo.

A viagem começa e como sempre é adorável. Pelas janelas desfila a Birmânia e os olhos trabalham sem cessar. Durante uns quilómetros a presença humana é intensa. Depois instala-se a ruralidade, chega a monotonia e a atenção solta-se já do mundo que corre lá fora. Vão ser muitas horas. Lê-se um bocado. Na ocasional paragem vem-se até ao exterior esticar um pouco as pernas. O comboio apita sempre antes de partir e dá um tempo para os passageiros regressarem. Há as vendedoras que acorrem aos vagões, cargas misteriosas, refrões exóticos.

 

Aproxima-me a ponte. Famosa, arrepiante. Via-a num documentário sobre admiráveis viagens de comboio, uma produção francesa. E esta é mesmo uma grande viagem ferroviária. Esta ponte é um atractivo, há pessoas que fazem este percurso só pela travessia. Foi construída por um consórcio norte-americano no início do século XX e hoje a sua estrutura começa a levantar preocupações. O comboio passa a uma velocidade reduzida. A passo humano. O aço range. E depois fica para trás. Veremos de novo a ponte à medida que a composição evolui num ziguezague montanha acima.

Eventualmente o nosso vizinho de viagem desperta de uma soneca que lhe levou toda a manhã e boa parte da tarde e começa a falar. E começando não há como o parar. Cidadão do mundo, vagamente inglês, está em viagem perpétua, financiada pela renda do seu apartamento londrino. Já esteve m todo o lado, sempre mais de uma vez? Síria? Visitada cinco vezes, sim senhora. E isto, e aquilo. Tudo menos a Europa, como se estivesse a ser deixada para o fim.

 

O tipo tinha um aspecto um bocado macabro, é o que me ficará na memória, para além das estórias. Como se fosse um assassino profissional. Um Dia Hard genuíno, que entre as 9 e as 4 não tocou em comida nem bebida. Quando o revisor veio – esse bonacheirão de riso faro e sorriso permanente, nem se atreveu a interromper o sono daquele estrangeiro… bem que me ofereci para o acordar, mas não… que deixasse o estrangeiro repousar…

 

E com isto o dia começa a chegar ao fim, a luz chega já mais dourada. Os camponeses regam os campos. Já vamos chegando a Pyin Oo Lwin. O nosso companheiro de viagem fica aqui. Mas para chegar a Mandalay teremos que esperar quase duas horas pelo comboio de ligação.

 

Tempo aproveitado para caminhar um pouco, que a temperatura está excelente. Corte de cabelo e barba por 0,70 Eur. Uma visiat ao mercado, uma mão cheia de tangerinas para o saco. Agora está na hora de um Myanmar Tea e tomado em estilo, num café muito hard core, onde na TV passam combates de algo que será talvez boxe tailandês, e rodeado de “colegas” que poderiam perfeitamente ser parte do espectáculo televisionado. Um daqueles tesourinhos de viagem.

 

À porta da estação um círculo de graúdos faz malabarismos com uma “bola” (é esférica, oca e feita de vime ou bambu). Um final de tarde em grande antes da última tirada de comboio. Serão cerca de quatro horas para ultrapassar 23 km em linha recta.

 

Na carruagem quase vazia onde vínhamos não havia luz e o piquete, constituído pelo polícia do comboio e pelo picas de sorriso perpétuo veio desalojar-nos com todas as reverências, para uma outra onde teríamos segurança.

Com a noite começa a tosse e sinto-me mal e doente. Tosse e mais tosse, cansaço, desconforto, só quero chegar. E chego, claro. Até mais cedo do que o previsto no horário. Mas muito mal tratadinho. Que bom que o hotel é pertinho da estação e já conhecido.
O quarto é melhor que o anterior, mas no estado em que estou nem consigo apreciar. Adormeço rapidamente, pelo menos isso.

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

 

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