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20 August 2017 Written by 

Caminhar pela Cividade

A curiosidade para a descoberta do percurso da Cividade de Bagunte (GC536T7) já tinha sido desperta há algum tempo, mas apenas agora tivemos oportunidade de a cumprir. No seguimento de árduas negociações com a Valente, o plano era fazer o percurso de manhã e aproveitar a praia à tarde. A meteorologia acabou por trocar-nos as voltas, acinzentando as expetativas balneares, mas permitindo uma caminhada mais agradável.

Íamos com a expetativa que o percurso valeria sobretudo pela Cividade e pelos elaborados recipientes de geocaching, mas o trilho acabou por ser melhor do que esperávamos. Apesar de a paisagem sofrer muito com plantação desgovernada dos eucaliptais, subsistem ainda algumas zonas interessantes de floresta. O percurso acabou revelar-se também menos exposto do que esperávamos.

Na parte inicial aproveitámos para dar corda às sapatilhas e lá fomos avançando de paragem em paragem, sempre com a curiosidade aguçada para o recipiente que iríamos encontrar a seguir. Como sabemos, ainda que o primordial seja a descoberta dos percursos ou dos locais, o geocaching acaba por ser um motivo de interesse acrescido. Ainda, quando somos surpreendidos por recipientes dedicados e funcionais, a experiência torna-se ainda mais agradável.

Envolvidos pela natureza, aproximámo-nos das áreas rurais. Por aqui, o milho é dono e senhor dos campos, num verde a perder de vista. No ar soprava uma brisa a cheirar a trabalho, ainda que não tivéssemos visto alguém por lá. Mais abaixo, somos visitar a pequena capela da Sra. das Neves (GC15XNT), que parece oferecer boas colheitas por aqueles lados. A aldeia parece sofrer um pouco com o abandono que vai alastrando pelo mundo rural e as antigas casas senhoriais vão definhando aos poucos.

Continuando pelo caminho, seguiu-se o principal motivo de interesse do percurso: a Cividade de Bagunte (GC11501). As sucessivas placas informativas ajudam a perceber melhor o período e as estruturas do antigo castro. À medida que fomos subindo a linha do tempo ia ficando cada vez mais definida, assim como as linhas das construções do antigo povoado. Na zona mais altaneira decorrem escavações arqueológicas. Para quem cresceu a ver os filmes do Indiana Jones e que depois encontrou no geocaching uma ótima forma de continuar à descoberta de “tesouros”, a arqueologia era uma área fascinante. Deve ser fantástico viver o momento em que se descobre uma peça história. Porém, deve ser também muito difícil passar tempos infindos com uma espátula nas mãos a escarafunchar o solo debaixo de um sol desolador.

Fomos cirandando pelo espaço, seguindo na direção do marco geodésico e imaginando como seria a vida naquela local noutros tempos. Certamente, daqui a outros tantos anos, haverá outras pessoas a calcorrear outros espaços, indagando como teria sido a nossa vida. Todavia, esses terão mais evidências. Mais à frente encontrámos algumas estruturas de apoio ao trabalho arqueológico. Descemos depois o monte e prosseguimos para o final da nossa caminhada. Mesmo a terminar ainda tivemos um encontro com mais uma cache insuspeita e bem enquadrada numa hospedaria castreja (GC5AHVX). Obrigado pela partilha!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt.



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