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Caminho de Santiago – Caramulo e Vale do Vouga
29 April 2016 Written by 

Caminho de Santiago – Caramulo e Vale do Vouga

Decorreu no passado dia 24 de abril a inauguração do Caminho de Santiago – Caramulo e Vale do Vouga, referente ao concelho de Oliveira de Frades. Trata-se de um percurso linear, entre a sede de município e a localidade de Reigoso, com cerca de 13 km de vivências. Pretende-se assim recuperar o caminho secular que tinha como destino Santiago de Compostela. O evento foi ainda integrado nas comemorações do Dia Mundial dos Monumentos e Sítios.

PercursoA inauguração acabou por ser “apadrinhada” pelo geocaching e teve como anfitrião o Filipe Soares (fmpbs). Feito o convite, a comunidade apareceu em peso. Mais de 80 participantes apresentaram-se junto ao Museu Municipal logo pela manhã. Enquanto se reavivavam as memórias de outras aventuras, os estômagos iam sendo reconfortados com as iguarias da gastronomia local, que fez do concelho a capital do frango do campo.

Feito o registo do evento no bastão de peregrino, criado propositadamente para o efeito, seguiu-se o registo fotográfico na escadaria da igreja matriz. O espaço foi curto para os sorrisos e expetativas. Iniciou-se de seguida a caminhada, em que os peregrinos foram guiados pelas setas amarelas e pelas caches estrategicamente colocadas. Sobre o percurso e os locais visitados o melhor é recordar as palavras promocionais ao evento para perceber o interesse subjacente:

“Parte do Caminho assenta no trajeto da estrada romana que ligava Viseu a Águeda, que desde a Idade Média passou a ser designada por estrada “velha” ou do “peixe”. Nela se cruzavam almocreves, que forneciam de peixe as gentes da serra e peregrinos a caminho de Santiago de Compostela. Ao longo do Caminho, o património é rico e diversificado: diversos troços da estrada romana, carvalho centenário classificado, casas apalaçadas e de matriz rural beirã, fontes, alminhas, capelas e igrejas, com especial destaque para a Igreja de Reigoso (com referência à Albergaria Medieval).”

Trilho

Parte do percurso já era conhecida, uma vez que no ano passado tivemos a oportunidade de participar numa primeira caminhada de reconhecimento e marcação. Ainda assim, regressar é sempre um prazer. Deambulando por pedaços de ruralidade e zonas florestais típicas da região, cada quilómetro vencido aproximava-nos de Reigoso. Para além do património, mais ou menos esquecido, as partes de floresta diversificada e os cruzamentos com algumas linhas de água tornavam o percurso mais agradável e conferiam à experiência um bucolismo que nos ia preenchendo os sentidos.

É ainda de enaltecer o trabalho desenvolvido pelo anfitrião na criação de caches e outros elementos condizentes com a tradição do caminho, o que acaba por envolver mais profundamente o caminhante no espírito inerente. Numa organização irrepreensível, à chegada dos caminhantes a Reigoso já lá estavam os autocarros que haveriam de fazer a viagem de regresso a Oliveira de Frades, onde decorreu o almoço-convívio que finalizou as atividades da manhã.

Estrada romana

Se durante a manhã se caminhou entre a tradição e o passado, a tarde estava dedicada à natureza e ao futuro. Decorreu na serra do Ladário mais uma ação de reflorestação de árvores e esperança. Pela passagem do tempo e ajuda dos participantes, a paisagem vai recuperando do terrível incêndio que assolou a região no verão de 2013. Depois dos trabalhos houve ainda tempo para algumas descobertas e um lanche de despedida. Foi, portanto, um excelente dia de convívio, exercício e boas causas!

Reflorestação

Artigo publicado em antoniocruz.pt.



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