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26 February 2016 Written by 

Rota de Manhouce

A aldeia de Manhouce, no concelho de São Pedro do Sul, abriga-se da passagem do tempo entre os contrafortes do Maciço da Gralheira, paredes-meias com a Serra da Freita. Longe vão os dias em esta localidade era um importante ponto de passagem na via romana que ia desde Viseu ao Porto. Noutras épocas, os campos fervilhavam de vida e de trabalho. Atualmente, as leiras vão subsistindo pela vontade dos habitantes que resistem. Torneando os meandros do tempo, a Rota de Manhouce é uma excelente forma de ir em busca deste legado e história e tradição!

O percurso inicia-se num largo junto à Escola Primária. Como alternativa, e em caso de falta de estacionamento, poderá optar-se por iniciar a caminhada junto à ponte da ribeira de Manhouce, que fica um pouco mais abaixo e onde existe um pequeno parque de merendas. Neste local é possível constatar a força da água da ribeira que vai sulcando a penedia e galgando obstáculos numa pressa natural. Mais à frente estas ribeiras haverão de formar o rio Teixeira que, dizem por aí, é um dos menos poluídos da Europa. Mal sabem estas águas impacientes que o rio Vouga foi domado numa enorme albufeira e que para chegar ao mar é agora preciso pagar uma portagem de energia.

A aldeia de Manhouce parece ter ficado entretida a jogar ao pião num tempo que já não lhe pertence. Aqui, a vida gira em torno do granito e as casas vestem-se de pedra até aos colarinhos dos telhados. Passando pela igreja, o percurso investe na direção de Malfeitoso com um sabor a Pronúncia do Norte. Pelo meio, o trilho serpenteia pelos campos. Com um inverno chuvoso, a água corre das encostas pelos riachos e invade os caminhos. A lama é uma presença natural e é necessário progredir com cuidado. Porém, quem gosta de caminhar não se deixa amedrontar por tais constrangimentos.

Manhouce está rodeada de pequenas aldeias que vão resistindo ao isolamento. Para além das casas cuja construção ficou a meio, nota-se que a emigração vai deixando os espaços ainda mais vazios. Após uma passagem rápida por Malfeitoso, segue-se na direção de Salgueiro. Manhouce, lá em baixo, é agora uma recordação e um destino. O trilho entre Salgueiro e Abundância precisa que alguma manutenção. Para além da vegetação que vai ocupando o percurso esquecido, em alguns locais existem árvores tombadas. Longe vão os tempos em que para sobreviver ao frio do inverno era preciso andar de noite à cata de lenha dos outros. Com mais ou menos obstáculos, a paisagem serrana vai-se engrandecendo à medida que se avança.

A chegada a Abundância reflete uma imagem do trabalho de outrora. Do outro lado da encosta descem leiras esquecidas. Alguns muros já caíram e assim deverão continuar. Mais abaixo, um canastro vai guardando memórias desfolhadas. Mas nem todos os campos estão abandonados ou entregues a um destino incerto; em alguns nota-se que a agricultura vai subsistindo por práticas e métodos mais recentes.

A partir daqui, o percurso insiste em guiar-nos por uma subida exigente até Gestosinho. A paisagem vai ficando mais árida e os topos das colinas transformam-se em amontoados caóticos de pedras. Gestosinho é também um prenúncio de esquecimento. A Escola Primária há muito que perdeu a esperança de ver crianças a correr no seu recreio. Chega-se então ao ponto de maior altitude do percurso. Seguindo pelo planalto, cruzando a estrada, inicia-se depois a descida de regresso a Manhouce. O trilho passa depois por algumas manchas de arvoredos diversificados, que tornam a experiência mais interessante e despistam o cheiro a pinheiro e a serra. Encontra-se ainda mais um parque de merendas, ansioso pelo bom tempo e por alguma companhia que lhe valide o investimento.

A meio da descida desvenda-se uma placa que informa a presença de uma estrada real. De outra forma seria difícil identificar a importância que terá tido outrora. O tempo trouxe melhores estradas, o que parece ter sido uma tentação para as pessoas irem em busca de novas oportunidades noutras paragens. Junto à Quinta das Uchas (agroturismo) é possível fazer uma pequena paragem para baloiçar o cansaço num velho carvalho. Sempre a descer, chega-se à ao fundo do vale e descobrem-se o poço da Cilha e a bela ribeira da Vessa, cujas águas vão caindo em cascatas sucessivas. Depois de apreciar a natureza, o fim da caminhada está à distância de um pequeno esforço. Já no carro, trocando o olhar com o retrovisor e vendo a aldeia a ficar para trás, redescobre-se Manhouce de forma enternecida e promete-se um regresso.

Ficha técnica (track do percurso):

Boas caminhadas!

 

 



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