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12 February 2016 Written by 

II Roteiro do Gondramaz

Em dia de festa na aldeia, decorreu o II Roteiro de Gondramaz. Adormecida na vertente ocidental da Serra da Lousã, Gondramaz é uma Aldeia de Xisto do concelho de Miranda do Corvo. O xisto domina os nossos sentidos logo que se entra nos seus domínios; até o chão que se pisa é moldado pela vontade de artesãos hábeis. Gondramaz é atravessada por uma rua principal que conduz os visitantes numa viagem pelo tempo. À medida que se vai descendo surgem convites para visitar vielas e becos da história com nomes sugestivos, como o “Beco do Tintol”; a nossa curiosidade fica também retida em algumas figuras e mensagens que vão surgindo em forma de arte pelas paredes de xisto. Condenada à solidão da montanha, a requalificação deu uma nova vida à aldeia; surgiram novos habitantes, foi redescoberta pelo pedestrianismo e o pelo trail running e encerra um convite irrecusável para quem quer reencontrar sossego, bucolismo e uma paisagem engrandecida.


Aos poucos, os participantes do evento foram chegando ao raiar da manhã de 6 de fevereiro. O sol, timidamente empoleirado no cimo da encosta, dava as boas-vindas a todos. Junto à entrada da aldeia, um poema de Miguel Torga transformava em palavras o que os sentidos iam descortinando no cenário envolvente. Os organizadores, D1N12 e difus3, receberam-nos muito simpaticamente e, para além de alguns petiscos e licores que nos confortaram o estômago, ofereceram também uma prendinha para mais tarde recordar. Com o grupo já composto, foi tirada uma foto com a aldeia em plano de fundo e a caminhada iniciou-se.

A parte inicial do percurso subiu a encosta por um trilho rodeado de árvores e coberto de folhas. À medida que que se ganhou altitude, o trilho deu lugar a um caminho florestal, o espaço envolvente ficou mais amplo e a paisagem despiu-se. Alcançado o topo, iniciou-se então a descida da vertente voltada para Miranda do Corvo; a vila repousava no fundo do vale e as vistas espraiavam a grandeza da paisagem envolvente. Com o inverno, as águas que desceram pela encosta, abriram sulcos no caminho e era necessário progredir com cuidado nas partes mais íngremes.

Após algumas centenas de metros surgiu então a aldeia abandonada do Cadaval Cimeiro. Vítima da falta de acessos, a aldeia acabou por ser esquecida pelo progresso e regride agora em direção a uma natureza primeva. As antigas casas estão em ruínas e apenas a pequena capela e a escola primária resistem ao tempo. Como outras na região, talvez um dia venha a tornar-se abrigo de alguma família/comunidade que renuncie à caminhada desenfreada para modernidade. Ocasionalmente, notam-se ruínas de antigas habitações na paisagem serrana e ficamos a pensar nas vidas que por ali deambularam noutros tempos.

No seguimento da longa descida, chegámos por fim a uma merecida paragem no parque de merendas da Chapinha, onde aproveitámos para almoçar. O espaço é muito agradável e a sombra é reconfortante. Para retirar água da fonte é necessário rodar um engenho que fica sobre o poço, lembrando a perícia de outrora. Prosseguindo o caminho, depois da aldeia, o percurso volta a encontrar um caminho florestal que termina junto a um conjunto de construções. Antes de infletirmos pela subida da linha de água, fomos recebidos com desconfiança por uma residente que que gosta de filmar que passa por lá.

Desde que se entra no percurso da ribeira seguem-se inúmeros quilómetros de magia natural. Esta parte do percurso é extraordinária e os sentidos seguem em estado de alerta constante pela beleza envolvente. As máquinas fotográficas também gostam bastante. O trajeto vai deambulando entre as margens, cascata atrás de cascata. Foram construídas inúmeras pontes de madeira que ajudam os caminhantes a chegar a bom porto. Em algumas partes mais técnicas foram também colocados apoios e cordas de segurança para facilitar a progressão.

Ao longo do trilho vão surgindo atalhos para o Gondramaz. Um desses atalhos passa pelo Penedo dos Corvos, de onde se tem uma vista triunfante sobre o vale. Porém, o percurso de hoje acompanhava sempre a ribeira e assim prosseguimos. Sempre a coberto de uma natureza verdejante, desafio atrás de desafio, chegámos por fim ao estradão que nos levaria de regresso ao Gondramaz. As últimas centenas de metros foram percorridas já com a presença da chuva, que acabou por apressar os caminhantes para um abrigo. Para compensar, havia também bolo para degustar. E assim, com as pernas pesarosas mas com a alma cheia, os caminhantes encontraram por fim o descanso merecido. O track do percurso pode ser analisado e descarregado aqui.

Com uma organização impecável e paisagens fantásticas na memória, os participantes despediram-se do Gondramaz com uma promessa de regresso. Boas caminhadas!

 



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