18de Agosto,2018

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18 July 2018 Written by  Ricardo Ribeiro

Ásia 2017 – Dia 08 – Bahla, Omã

Este foi um dia feito especialmente de frustrações, isto apesar de até ter começado bem. Acordar numa cama confortável era uma novidade total nesta viagem. Até então, tinham sido duas noites nas cadeiras de aeroporto, duas noites num sofá e duas noites no chão de um apartamento.

Deste luxo, passou-se para um outro, sob a forma de um pequeno-almoço sumptuoso de hotel, feito de fruta, omelete, pão com fartura, um prato de feijão, chamuscas, bolo, yogurte, sumo de laranja e outras delícias que por esta altura já me esqueci. Tudo junto deixou-me a barriga cheia por quase doze horas. Não perguntem, é assim que funcione e esta capacidade de armazenamento para mim é uma vantagem.

Tratado do pequeno-almoço, para o carro e para o castelo de Jabreen, a uns 15 km de distância. Facilmente encontrado revelou-se o mais interessado dos vários vistos e visitados no Omã. Não é especialmente grande, mas todo ele está renovado e apresentado de forma didáctica, que nos leva ao tempo em que fervilhava de vida e que o Imam comandava por estas paragens.

O bilhete custa 500 Baizas, ou seja, cerca de 1,25 Eur e como bónus ofereceram o “audioguide” em inglês, que vai explicando os pormenores, como o degrau de madeira solto nas escadas para os aposentos do Imam, que o alertaria para visitas inesperadas e potencialmente indesejadas, ou a sala privada onde as reuniões mais secretas decorriam e onde tudo era sussurrado.

As vistas dos terraços superiores são magníficas e a decoração dos quartos é a melhor que vi nos castelos omanitas. Gostei do esforço para manter o que de original sobrou em vez de se avançar para uma renovação total, mais cara mas mais simples. De entre os que visitei, é sobre este que posso dizer: se só pode ir a um castelo, que sejam então o de Jabreen.

A ideia era ainda de manhã visitar também o castelo de Bahla, enorme, talvez o maior do país, catalogado como Património Mundial pela UNESCO. Mas cheguei lá, estacionei o carro, ia para entrar… olhei melhor… aquilo basicamente é uma reconstrução, uma réplica, um modelo… vê-se… tudo artificial. Desisti da visita, fui só dar uma volta pela parte mais antiga de Bahla, sentir-lhe o pulso, visitar este local tão associado aos djinn omanis. Aproveitei para fazer a barba e ser explorado por um barbeiro ganancioso do Bangladesh, que me cobrou 2 Rials depois do colega me ter dito 200 Baiza (ou seja, 10x o preço). Mas OK, por 5 Eur não fico mais pobre e reconheço que foi um serviço de luxo, que incluiu uma limpeza facial de pele e uma massagem até bastante boa.

Deu ainda para fazer umas amizades entre os costureiros emigrados do Bangladesh e voltar a visitar a Tea House indiana antes de regressar, já à pressa, ao hotel, para um duche e um check out.

De lá fomos a Al Hamra, onde encontrámos a aldeia antiga, tão abandonada como tantas outras. As pessoas simplesmente deixam para trás as casas tradicionais e partem, para a parte nova da aldeia, deixando uma aldeia fantasma.

A seguir, fomos a Misfat Al Abriyeen, uma aldeia muito referenciada em guias turísticos e isso… vagamente interessante, muito pequena e de facto muito turística. Algumas fotos e bastante frustração. As pessoas estão tão fartas de turistas mal comportados que por todo o lado há letreiros a inglês a dizer “Não passar”, “Casa Privada”, “Não entrar”.

Tentámos a seguir, como último cartucho para o dia, ir a Balad Sayt. Uma ascensão vertiginosa em montanha, passando de quase zero para mil e novecentos metros acima do nível do mar. A tarde vai longa, o céu está muito carregado para trás da montanha, estou desconfortável com o cenário. E de repente, no topo, acaba-se o asfalto e o que tenho é uma estreita estrada de terra batida pela montanha abaixo. E o GPS a dizer que ainda faltam 8 km. Muita hesitação. Ainda começo a deixar descair o carro, mas meto marcha-atrás. Teria que subir aquilo tudo já noite feita e não, não o quero fazer. Terei que passar este projecto. Das famosas montanhas do Omã, vi basicamente zero. O tempo não ajudou, quase sempre encoberto, com os cumes sempre rodeados de nuvens, que cortam a visibilidade. Não fiz nada. Nem Jabel Al Shams, nem as aldeias de montanha. Paciência.

Foi com alguma frustração que descemos. Lá fomos para um ponto previamente seleccionado como uma possibilidade para acampar – que de resto foi bastante mal escolhido – e se passou por ali o serão, basicamente a ler e a dormir.

Artigo do blog Cruzamundos. Mais textos em http://www.cruzamundos.com/

 



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