24de Maio,2018

Geopt.org - Portugal Geocaching and Adventure Portal

JoseSousa

JoseSousa

Friday, 04 March 2016 10:00

Cantos & Recantos #2 S.S. ROUMANIA

Cantos & Recantos #2 S.S.Roumania

Amigos e companheiros aqui estamos com a  rubrica#2 para vos dar a saber/conhecer ou relembrar mais um Cantos & Recantos!

Hoje vamos até à Zona Oeste de Portugal começando a viagem na localidade de Serra do Bouro, foi uma viagem em viatura ligeira, que entre desafios e tempo de deslocação teve uma duração de cerca de 3 horas mas que vale a pena, vale, e que nos leva a visitar alguns Cantos & Recantos de beleza natural e não só que hoje vos dou a saber!

Antes de começarmos a nossa viagem vou dar-vos a conhecer alguns factos históricos sobre o S.S.Roumania da qual as InvisibleCatchers se basearam para criar esta aventura. 

O vapor S. S. Roumania foi construído pela empresa D. & W. Henderson no estaleiro de Meadowshire em Glasgow no Reino Unido.

Media aproximadamente 111 x 11.60 x 8.70 metros e pesava 3387 toneladas brutas, possuía dois motores a vapor com 490 cavalos, que geravam uma velocidade de 14 nós (26 Km/h) e ficou concluído em Novembro de 1881. 

A sua última viagem começou em Liverpool e tinha como destino Bombaim, levava a bordo passageiros e carga, quando um grande temporal originou o naufrágio  do navio próximo da Rocha do Gronho durante a noite do dia 27 ou a madrugada de 28 de Outubro de 1892.

A bordo do vapor encontravam-se 55 passageiros e 67 tripulantes, num total de 122 pessoas, salvaram-se unicamente 2 passageiros e 7 tripulantes, tendo perdido a vida 113 pessoas. Pese embora a proximidade da praia, a acção das ondas e das correntes levou à morte das pessoas por exaustão.

Os passageiros eram missionários, militares e funcionários públicos, com seus familiares e serviçais, os tripulantes eram de origem escocesa e indiana.

A carga do vapor compreendia chitas, fazendas, máquinas de costura e ainda materiais e equipamentos para a construção de uma linha férrea (por exemplo, carris e uma locomotiva desmontada).

Nas semanas seguintes ao naufrágio, deram à costa corpos e bens, o que suscitou a cobiça popular. Os corpos das vítimas foram sepultados nos cemitérios de Famalicão, Serra do Bouro, Óbidos, Vau e Peniche. Parte dos bens salvados foi declarada pelas autoridades, mas a maior parte foi "subtraída" pela população. 

Em 1963, efectuou-se uma tentativa de recuperação da carga e da estrutura do vapor sem efeito devido à acção das ondas e das correntes de maré que ali acontecem.      

Como forma de motivar à descoberta da história, esta Letterbox começa pelo fim, mais precisamente na última morada de todos nós: No cemitério!

De seguida damos com a existência de um diário de bordo que precisaria de uma "análise cuidada", não muito longe do primeiro ponto;

Após verificarmos o diário de bordo damos inicio à nossa “viagem no tempo”, que nos leva até um miradouro com uma vista panorâmica para o Oceano atlântico e de onde se avista o Arquipélago das Berlengas que constitui um verdadeiro monumento geológico, registo importante da história da Terra e da formação dos continentes e oceanos.

Deixando para trás o miradouro vamos agora conhecer uma rua cujo nome atribuído é o nome do vapor.  

Seguimos a nossa viagem até mais um local, deste temos uma panorâmica para a Foz do Arelho (Apesar de tudo não há nenhum rio Arelho, facto que não deixa de gerar alguma perplexidade) permitindo ver a embocadura da Lagoa de Óbidos. Podemos observar uma acumulação de areias em forma de leque localizada no lado do Oceano Atlântico, esta é criada pelas correntes de vazante, mas sofre alterações constantes devido à acção das ondas e das correntes predominantes.

 

O maior troço da viagem leva-nos para a zona da Lagoa de Óbidos, esta preenche uma depressão pouco profunda, estando separada do Oceano Atlântico por uma barreira arenosa evidencia uma barra de maré (Aberta), conservada artificialmente para permitir a comunicação com o mar. Revela um predomínio de água salobra a salgada, tendo pequena quantidade de água doce.

Caminhamos para o ponto final onde nos espera o topo da arriba que apresenta um complexo de dunas, com areias marinhas deslocadas pelo vento sendo a predominância de ventos do quadrante norte e noroeste, o resto da arriba mostra um conjunto de feixes de paleocanais fluviais, contendo conglomerados, arenitos e argilitos do andar Aptiano-Cenomaniano (121-93.5Ma) (local excelente para uma EartCache). 

No fim da aventura, a cereja no topo do bolo é a revelação da possibilidade de avistares o mastro do S.S, Roumania daquele ponto, para tal só precisas de chegar ao ponto final com a maré baixa!   

Por tudo isto e não só, onde os pequenos pormenores que interligam os vários pontos desta viagem e onde se misturam pequenos pormenores da história real com a ficção que esta GeoCache é digna de ser VISITADA por todos os Geocachers, denota-se um grande trabalho de pesquisa, bem estruturada criando um elo de ligação entre todos os pontos e criando em cada um desafios que requerem muita atenção e não só! 

 

Em suma esta GeoCache faz parte da minha lista de Favoritos e Não Só!

Desejo a todos Boas Cachadas e um até já com um outro Canto & Recanto perto de ti,

javs&family

Algumas citações deste texto foram retirados de uma excelente pesquisa de Arlindo Correia 

Friday, 05 February 2016 10:00

Cantos & Recantos #1 Fonte da Margarida

Cantos & Recantos #1 

Na minha opinião um dos bens do GeoCaching é  levar-nos a saber, descobrir e conhecer Cantos & Recantos por este Mundo Fora, tanto que muitos de nós quando efectuamos o registo online usamos  a expressão “ ...se não fosse o GeoCaching nunca vinha a este local...”.

Com base neste pressuposto esta rubrica mensal com publicação na primeira sexta-feira de cada mês pretende dar-te a saber/conhecer ou relembrar alguns desses Cantos & Recantos.

Para primeira rubrica, habitando eu por terras de D. João V (Mafra) não podia deixar de iniciar esta rubrica com um Recanto do Concelho de Mafra mais precisamente na freguesia da Ericeira a Fonte da Margarida GC4JFHJ.

É mais um daqueles tesouros recondidos e que infelizmente tendem a desaparecer devido ao seu estado de degradação! 

O Recanto que hoje vos dou a saber situa-se na Serra das Lombas no sítio da Carrasqueira, a sul da vila da Ericeira, junto à Estrada Nacional Nº 9. No lado oposto temos um parque de estacionamento e o acesso sul para a Praia do Sul.

Depois de estacionado o CacheMobil, coordenadas no GPS, atravessamos a estrada em direcção aos arbustos, entre estes é visível uma pequena abertura que permite que entremos, conseguimos então ver um carreiro que nos levará até ao nosso Recanto. Vamos caminhar por este carreiro cerca de 400 metros entre arbustos e algumas silvas.

Hoje

Chegando perto das coordenadas deparamos com um edifício de cerca de 6 metros de altura que nos faz lembrar uma torre de Menagem de algum Castelo mas na verdade é uma Fonte, a Fonte da Margarida, encontrando-se o seu exterior praticamente coberto pela vegetação.

Esta "torre" alberga a nascente e está completamente desfigurada, tendo perdido as ameias, portas e janelas.

A fachada muito decrepita, ainda ostenta, em alto-relevo, a imagem de uma bilha, numa alusão a um dos modos como foi comercializada a água.

Uma das metades do que foi a porta principal apodrece no chão da entrada para o piso térreo onde possui duas bicas e um tanque de receptação das águas. Durante o Inverno ainda se vê correr um fio de água, no Verão seca completamente. 

As paredes no seu interior estão decoradas com bonitos motivos florais em rosácea, resultantes da incrustação de cascas de mexilhão. Na parede este ainda se pode observar uma moldura rectangular que nos informa que o edifício foi ‘Construído em 1933’. 

Na parede oeste a moldura anuncia o responsável pela sua construção e concessionário, ‘Martinho Lopes Ferreira’.

Ainda se  observa, na vertente este, o que resta das escadas de pedra que dão acesso ao piso superior e ao telhado em bastante estado de degradação.

Na década de 30 do século XX, as suas águas chegaram a ser exploradas comercialmente.

A água, que foi analisada pelo Professor Charles Lepierre no Laboratório de Química Analítica do Instituto Superior Técnico de Lisboa, era ‘cloretada sódica, muito bicarbonatada, cálcica e sulfatada magnésica e estava "isenta de contaminação" como nos informa um dos dois anúncios publicitários existentes no Arquivo Museu da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira.

A água desta fonte era comercializada em bilhas de barro de 10 a 11L ao preço de 2$50 escudos (Dois escudos e cinquenta centavos, hoje equivalente a cerca de um Cêntimo do euro), um preço exorbitante para a época e só acessível a bolsos endinheirados.

Ora já diziam os anciãos que já no tempo dos seus avós essa fonte era usada, desconhecendo de que época era a sua construção. Diziam ainda que na parede então existente, que ficaria encostada à vertente e que serviria para suster as terras, chegaram a ver gravadas na pedra, imagens de mulheres vestidas de finos véus, enchendo bilhas na fonte. 

Por baixo, inscritos numa lage rectangular, podiam ver-se caracteres desconhecidos. 

Talvez esta fonte seja até de origem pré-romana. A ser assim terá mais de dois mil anos certamente. Esses vestígios primitivos, desapareceram e/ou foram destruídos.

A pressão urbanística envolvente tem vindo a ditar a morte da nascente, pois os terrenos em redor foram "impermeabilizados" por betão. a quando das construções na década de 90 do século XX, obras autorizadas na vertente oposta à fonte uma urbanização mesmo em cima da ribeira, mais próximo só mesmo dentro do ribeiro! 

A Fonte da Margarida e a urbanização são, hoje, vizinhos inseparáveis mas até quando?...

Em suma esta GeoCache faz parte da minha lista de Favoritos e Não Só!

Desejo a todos Boas Cachadas e até já com um outro Canto & Recanto perto de ti,

javs&family

Algumas citações deste texto foram retirados do Arquivo Museu Da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira.

 

Newsletter