23de Setembro,2018

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Friday, 04 March 2016 10:00

Cantos & Recantos #2 S.S. ROUMANIA

Cantos & Recantos #2 S.S.Roumania

Amigos e companheiros aqui estamos com a  rubrica#2 para vos dar a saber/conhecer ou relembrar mais um Cantos & Recantos!

Hoje vamos até à Zona Oeste de Portugal começando a viagem na localidade de Serra do Bouro, foi uma viagem em viatura ligeira, que entre desafios e tempo de deslocação teve uma duração de cerca de 3 horas mas que vale a pena, vale, e que nos leva a visitar alguns Cantos & Recantos de beleza natural e não só que hoje vos dou a saber!

Antes de começarmos a nossa viagem vou dar-vos a conhecer alguns factos históricos sobre o S.S.Roumania da qual as InvisibleCatchers se basearam para criar esta aventura. 

O vapor S. S. Roumania foi construído pela empresa D. & W. Henderson no estaleiro de Meadowshire em Glasgow no Reino Unido.

Media aproximadamente 111 x 11.60 x 8.70 metros e pesava 3387 toneladas brutas, possuía dois motores a vapor com 490 cavalos, que geravam uma velocidade de 14 nós (26 Km/h) e ficou concluído em Novembro de 1881. 

A sua última viagem começou em Liverpool e tinha como destino Bombaim, levava a bordo passageiros e carga, quando um grande temporal originou o naufrágio  do navio próximo da Rocha do Gronho durante a noite do dia 27 ou a madrugada de 28 de Outubro de 1892.

A bordo do vapor encontravam-se 55 passageiros e 67 tripulantes, num total de 122 pessoas, salvaram-se unicamente 2 passageiros e 7 tripulantes, tendo perdido a vida 113 pessoas. Pese embora a proximidade da praia, a acção das ondas e das correntes levou à morte das pessoas por exaustão.

Os passageiros eram missionários, militares e funcionários públicos, com seus familiares e serviçais, os tripulantes eram de origem escocesa e indiana.

A carga do vapor compreendia chitas, fazendas, máquinas de costura e ainda materiais e equipamentos para a construção de uma linha férrea (por exemplo, carris e uma locomotiva desmontada).

Nas semanas seguintes ao naufrágio, deram à costa corpos e bens, o que suscitou a cobiça popular. Os corpos das vítimas foram sepultados nos cemitérios de Famalicão, Serra do Bouro, Óbidos, Vau e Peniche. Parte dos bens salvados foi declarada pelas autoridades, mas a maior parte foi "subtraída" pela população. 

Em 1963, efectuou-se uma tentativa de recuperação da carga e da estrutura do vapor sem efeito devido à acção das ondas e das correntes de maré que ali acontecem.      

Como forma de motivar à descoberta da história, esta Letterbox começa pelo fim, mais precisamente na última morada de todos nós: No cemitério!

De seguida damos com a existência de um diário de bordo que precisaria de uma "análise cuidada", não muito longe do primeiro ponto;

Após verificarmos o diário de bordo damos inicio à nossa “viagem no tempo”, que nos leva até um miradouro com uma vista panorâmica para o Oceano atlântico e de onde se avista o Arquipélago das Berlengas que constitui um verdadeiro monumento geológico, registo importante da história da Terra e da formação dos continentes e oceanos.

Deixando para trás o miradouro vamos agora conhecer uma rua cujo nome atribuído é o nome do vapor.  

Seguimos a nossa viagem até mais um local, deste temos uma panorâmica para a Foz do Arelho (Apesar de tudo não há nenhum rio Arelho, facto que não deixa de gerar alguma perplexidade) permitindo ver a embocadura da Lagoa de Óbidos. Podemos observar uma acumulação de areias em forma de leque localizada no lado do Oceano Atlântico, esta é criada pelas correntes de vazante, mas sofre alterações constantes devido à acção das ondas e das correntes predominantes.

 

O maior troço da viagem leva-nos para a zona da Lagoa de Óbidos, esta preenche uma depressão pouco profunda, estando separada do Oceano Atlântico por uma barreira arenosa evidencia uma barra de maré (Aberta), conservada artificialmente para permitir a comunicação com o mar. Revela um predomínio de água salobra a salgada, tendo pequena quantidade de água doce.

Caminhamos para o ponto final onde nos espera o topo da arriba que apresenta um complexo de dunas, com areias marinhas deslocadas pelo vento sendo a predominância de ventos do quadrante norte e noroeste, o resto da arriba mostra um conjunto de feixes de paleocanais fluviais, contendo conglomerados, arenitos e argilitos do andar Aptiano-Cenomaniano (121-93.5Ma) (local excelente para uma EartCache). 

No fim da aventura, a cereja no topo do bolo é a revelação da possibilidade de avistares o mastro do S.S, Roumania daquele ponto, para tal só precisas de chegar ao ponto final com a maré baixa!   

Por tudo isto e não só, onde os pequenos pormenores que interligam os vários pontos desta viagem e onde se misturam pequenos pormenores da história real com a ficção que esta GeoCache é digna de ser VISITADA por todos os Geocachers, denota-se um grande trabalho de pesquisa, bem estruturada criando um elo de ligação entre todos os pontos e criando em cada um desafios que requerem muita atenção e não só! 

 

Em suma esta GeoCache faz parte da minha lista de Favoritos e Não Só!

Desejo a todos Boas Cachadas e um até já com um outro Canto & Recanto perto de ti,

javs&family

Algumas citações deste texto foram retirados de uma excelente pesquisa de Arlindo Correia 

Published in Cantos & Recantos

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